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Johnny Hallyday: Funeral foi momento de comunhão (quase) sem polémicas sobre laicismo

Johnny Hallyday: Funeral foi momento de comunhão (quase) sem polémicas sobre laicismo

Imagem Johnny Hallyday | D.R.

Cerca de um milhão de pessoas nas ruas em torno da igreja parisiense da Madalena e perto de 15 milhões de telespetadores: as cerimónias fúnebres do cantor Johnny Hallyday, que decorreram no sábado, 9 de dezembro, bateram recordes de audiência para uma transmissão religiosa.

«Digam o que quiseram, mas o Evangelho foi anunciado a um milhão de pessoas nas ruas de Paris, comentou no Twitter, um pastor protestante a propósito das exéquias do “pai do “rock and roll” francês.

Como muitas vezes acontece aquando do falecimento de personalidades célebres – sobretudo quando a sua fé cristão é reivindicada, como foi o caso de Hallyday –, a passagem pela igreja impõe-se a todos como uma evidência. Apesar de as cerimónias terem sido sobremediatizadas e adquirido contornos de funerais de Estado, quase nenhuma polémica sobre a laicidade veio perturbar esse momento de “comunhão”.

A exceção veio de Jean-Luc Mélenchon, líder do movimento partidário França Insubmissa, por ele fundado em 2016, que deplorou, no Facebook, a presença do chefe de Estado nas celebrações, tendo qualificado a igreja da Madalena de «monumento religioso contrarepublicano», palavras que lhe valeram numerosas críticas.

 

O luto, momento em que se procura o apoio da Igreja

A uma escala particularmente importante, as exéquias de Johhny Hallyday ilustraram uma realidade que padres e leigos comprometidos constatam diariamente nas paróquias: o tempo de luto é aquele onde mais frequentemente se procura o apoio da Igreja.

«É o único momento em que as coisas são muito evidentes», confirma o P. Bruno Mary, diretor do Serviço Nacional da Pastoral Litúrgica e Sacramental da Igreja católica em França, que na Conferência Episcopal se ocupa das questões ligadas aos funerais.

O sacerdote da diocese de Lille sublinha que «as pessoas dão-se conta, nesses momentos, que a vida humana não se reduz ao que se vê. Há um mistério, mas que não se ousa ou não se sabe nomear».

Na sociedade atual, é perante a morte que espiritualidade e religião parecem poder exprimir-se o mais naturalmente.

 

Tempos simbólicos não cristãos

No entanto, ritos e tempos simbólicos não cristãos desenvolveram-se nos últimos anos. «Quando há um drama numa vila, organiza-se muitas vezes uma marcha branca ou um minuto de silêncio: nenhuma palavra é pronunciada. A Igreja arrisca uma palavra num momento onde o silêncio se impõe», assinala o P. Mary.

O testemunho deste facto vem dos numerosos artigos de imprensa que ecoaram a homilia pronunciada pelo P. Benoist de Sinety, vigário-geral da arquidiocese de Paris, na missa.

 

«As pessoas esperam sentido face à morte»

Em muitas dioceses francesas a falta de padres faz com que, cada vez mais, sejam os leigos a ficarem encarregados de acompanhar o luto das famílias e conduzir as celebrações exequiais.

E com frequência os padres deixam relutantemente essa parte do seu ministério porque é uma ocasião de entrar em contacto com pessoas pouco ou nada praticantes. O luto, ocasião de evangelização por excelência? «De certa maneira sim, mas não convém aproveitar-se da situação. A fé nunca se impõe, sobretudo a pessoas em situação de fragilidade», considera o P. Bruno Mary.

Mas a presença e a palavra da Igreja continuam a ser esperadas nesses períodos dolorosos «porque as pessoas esperam sentido, face à morte que é um absurdo», resume o sacerdote.

Por outro lado, a maioria das pessoas continua ligada a uma dimensão ritual: de acordo com um estudo de 2015 encomendado pelos serviços funerários da cidade de Paris, mais de três quartos dos franceses desejam uma cerimónia, religiosa ou não, antes da sua sepultura.

 

Generosidade e disponibilidade

«A vida de Johnny Hallyday, porque manifestou o amor, inclusive nas suas pobrezas e nas suas faltas, convida-nos a erguer os olhos para aquele que é a sua fonte e cumprimento», afirmou o P. Benoist na homilia.

Depois de salientar a «generosidade e disponibilidade» do cantor, o sacerdote afirmou: «Como Jean-Philippe, que se tornou Johnny Hallyday, somos todos chamados a deixar atravessar em nós esta luz divina que faz de nós ícones do amor de Deus, mais do que ídolos cuja vida se esgota».



 

Gauthier Vaillant
In "La Croix"
Trad. / edição: SNPC
Publicado em 11.12.2017

 

 
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