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Igreja precisa de «urgente renovação espiritual»

Diante do «escândalo da pedofilia», a reforma da Igreja «mais urgente» é a «renovação espiritual», ao mesmo tempo que «são precisos mais e melhores instrumentos de escrutínio da ação pastoral dos bispos», defende o P. Gonçalo Portocarrero de Almada.

No texto semanal publicado no jornal digital “Observador”, o sacerdote acentua que devem ser evitados dois extremos: «aceitar acriticamente que todos os sacerdotes, bispos e cardeais são culpados, ou potenciais pedófilos, ou, pelo contrário, desvalorizar a situação, reduzindo-a a uma mera chicana político-eclesiástica, como se mais não fosse do que uma confrontação entre facções eclesiais rivais».

O artigo cita uma entrevista de Robert Barron, bispo auxiliar de Los Angeles, que se refere aos «terríveis crimes cometidos» e ao «facto desses abusos terem sido realizados por pessoas consagradas a Deus, que se serviram do poder e autoridade decorrentes das suas funções sagradas para cometerem esses atos abjectos».

«O clericalismo é, como denunciou o Papa Francisco, uma das principais causas desta grave crise eclesial, que Robert Barron atribui sobretudo à infidelidade. Por isso, a solução é uma renovada fidelidade de todos os cristãos», frisa o autor, especificado que ela exige «a oração, a prática frequente da confissão e da sagrada comunhão, a penitência e a devoção a Nossa Senhora, aos anjos e santos»

O texto acentua que «a infidelidade consciente e voluntária dos católicos, quer sejam leigos ou ministros sagrados, não pode ser consentida, nem tolerada», embora «durante décadas foi da praxe eclesiástica negligenciar» casos «que se entendiam do foro íntimo das almas e não do âmbito e competência da governação eclesial».

No entanto, continua o P. Gonçalo Portocarrero de Almada, «a louvável misericórdia para com os pecadores, sendo estes predadores sexuais, não pode ser feita à custa das vítimas, pois uma tal atitude favorece a prática destes crimes e a sua impunidade», além de que «os milhões gastos em milionárias indemnizações, são fundos desviados dos mais pobres e necessitados».

«Em relação aos padres de que constem comportamentos contrários à moral católica, não é de descartar a existência de comissões, formadas também por leigos especialmente idóneos, que investiguem tais casos, não apenas para a correção dos prevaricadores e defesa das eventuais vítimas, mas também para evitar que atos dessa natureza se possam repetir», preconiza.

«Só depois de expiadas estas gravíssimas culpas, a Igreja, purificada, poderá reabilitar-se aos olhos da humanidade», realça o autor, para quem a Igreja está «às portas do inferno».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Observador
Imagem: Yellowj/Bigstock.com
Publicado em 10.09.2018

 

 
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