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«A Igreja não pode calar, as instituições eclesiais não podem fechar os olhos» diante das crianças e mulheres da rua, afirma papa

Imagem © TheFinalMiracle/Fotolia

«A Igreja não pode calar, as instituições eclesiais não podem fechar os olhos» diante das crianças e mulheres da rua, afirma papa

O papa vincou hoje, no Vaticano, que «a Igreja não pode calar» e «as instituições eclesiais não podem fechar os olhos diante do nefasto fenómeno das crianças e das mulheres da rua».

No discurso aos participantes no simpósio internacional sobre a Pastoral da Rua, Francisco vincou que «cada criança abandonada ou obrigada a viver na rua, tornando-se presa das organizações criminosas, é um grito que se eleva a Deus».

Excertos da intervenção:

«As realidades, por vezes muito tristes, que vós encontrais, são causadas pela indiferença, pela pobreza, pela violência familiar e social, e pelo tráfico de pessoas humanas. Não falta, além disso, a dor pelas separações conjugais e o nascimento de crianças fora do casamento, muitas vezes destinadas a uma vida "vagabunda". As crianças e as mulheres de rua não são números, não são "pacotes" que se trocam: são seres humanos com um nome próprio e um rosto próprio, com uma identidade dada por Deus a cada uma delas. São filhos de Deus como nós, iguais a nós, com os mesmos direitos que nós.

Nenhuma criança escolhe por sua conta viver na rua. Infelizmente, mesmo no mundo moderno e globalizado, muitas são crianças roubadas da sua infância, dos seus direitos, do seu futuro. A falta de leis e de estruturas adequadas contribuem para agravar o seu estado de privação: falta-lhes uma verdadeira família, falta-lhes a educação e a assistência médica. Cada criança abandonada ou obrigada a viver na rua, tornando-se presa das organizações criminosas, é um grito que se eleva a Deus, que criou o homem e a mulher à sua imagem; é um grito de acusação contra um sistema social que criticamos há décadas mas que temos dificuldade em mudar segundo critérios de justiça.

É preocupante ver a crescer o número dos jovens rapazes e raparigas que são obrigadas a ganhar a vida na rua, vendendo o próprio corpo, explorados por organizações criminosas e, às vezes, por familiares. Tal realidade é uma vergonha das nossas sociedades que se vangloriam de serem modernas e de terem atingido altos níveis de cultura e de desenvolvimento. A corrupção difundida e a procura do lucro a todos os custos privam os inocentes e os mais frágeis da possibilidade de uma vida digna, alimentam a criminalidade do tráfico e as outras injustiças que pesam sobre as suas costas. Ninguém pode permanecer passivo diante da urgente necessidade de salvaguardar a dignidade da mulher, ameaçada por factores culturais e económicos.

Peço-vos, por favor, para não vos renderdes diante da dificuldade dos desafios que interpelam a vossa convicção, alimentada da fé em Cristo, que demonstrou, até ao ápice da morte na cruz, o amor preferencial de Deus Pai para os mais frágeis e marginalizados. A Igreja não pode calar, as instituições eclesiais não podem fechar os olhos diante do nefasto fenómeno das crianças e das mulheres da rua. É importante envolver as diferentes expressões da comunidade cristã nos vários países, a fim de eliminar as causas que obrigam uma criança ou uma mulher a viver na rua ou a procurar viver da rua. Não podemos mais evitar levar a todos, de modo particular aos mais frágeis e desfavorecidos, a bondade e a ternura de Deus Pai misericordioso. A misericórdia é o ato supremo com o qual Deus nos vem ao encontro, é o caminho que abre o coração à esperança de ser amados para sempre.

Caros irmãos e irmãs, desejo-vos uma missão fecunda nos vossos países para o cuidado pastoral e espiritual e para a libertação dos mais frágeis e explorados; uma missão fecunda pela promoção e salvaguarda da sua identidade e dignidade.»

 

Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Texto integral do discurso
Publicado em 17.09.2015

 

 
Imagem © TheFinalMiracle/Fotolia
É preocupante ver a crescer o número dos jovens rapazes e raparigas que são obrigadas a ganhar a vida na rua, vendendo o próprio corpo, explorados por organizações criminosas e, às vezes, por familiares. Tal realidade é uma vergonha das nossas sociedades que se vangloriam de serem modernas e de terem atingido altos níveis de cultura e de desenvolvimento
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