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Igreja não deve demorar anos a declarar se matrimónio é nulo ou válido, vinca papa

Imagem D.R.

Igreja não deve demorar anos a declarar se matrimónio é nulo ou válido, vinca papa

O papa Francisco vincou hoje, no Vaticano, que a Igreja deve ser muito mais expedita na apreciação de casos que impliquem a declaração de nulidade ou validade de um casamento católico, ao mesmo que evita misturar questões económicas com espirituais.

«Quanta gente espera anos por uma sentença», afirmou o papa, que em setembro instituiu uma comissão de estudo para a reforma do processo matrimonial canónico, com o objetivo de simplificar os seus procedimentos, tornando-o mais ágil, sem deixar de salvaguardar o princípio da indissolubilidade do matrimónio.

Dirigindo-se aos participantes de um curso organizado pelo Tribunal da Roma Romana, Francisco lembrou que o assunto foi mencionado durante a assembleia geral extraordinária do Sínodo, que em outubro debateu a questão da família no Vaticano.

«Há muita gente que precisa de uma palavra da Igreja sobre a sua situação matrimonial, para o sim e para o não, mas que seja justa. Mas alguns procedimentos são muito longos ou muito pesados», levando a que haja pessoas que renunciem a eles, assinalou, citado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Francisco evocou um exemplo de Buenos Aires, arquidiocese de que era arcebispo antes de ser eleito papa, em que para se chegar ao tribunal eclesiástico era necessário fazer viagens de mais de 200 km.

«Não se pode, é impossível imaginar que pessoas simples, comuns, vão ao tribunal: devem fazer uma viagem, devem perder dias de trabalho, também o salário, tantas coisas. Dizem: “Deus entende-me, e vou para a frente assim, com este peso na alma”», disse.

A Igreja «deve fazer justiça e dizer: “Sim, é verdade, o teu matrimónio é nulo; não, o teu matrimónio é válido”. Mas justiça é dizê-lo. Assim, eles podem prosseguir sem esta dúvida, esta escuridão na alma».

Segundo Francisco, é também essencial que os procedimentos canónicos não se misturem com negócios: «Houve até escândalos públicos. Eu tive de mandar embora do tribunal uma pessoa, há tempos, que dizia: “Por 10 mil dólares faço-te os dois, o civil e o eclesiástico”. Por favor, isto não».

No Sínodo, adiantou o papa, houve propostas relativas à gratuidade do processo, sugestões que devem ser avaliadas, tendo todavia presente uma separação clara: «Quando o interesse espiritual está ligado ao económico, isso não é de Deus».

«A mãe Igreja tem muita generosidade para fazer justiça gratuitamente, como gratuitamente fomos justificados por Jesus Cristo», frisou Francisco.

 

Sergio Centofanti / Rádio Vaticano
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 05.11.2014

 

 
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Há muita gente que precisa de uma palavra da Igreja sobre a sua situação matrimonial, para o sim e para o não, mas que seja justa. Mas alguns procedimentos são muito longos ou muito pesados
No Sínodo, adiantou o papa, houve propostas relativas à gratuidade do processo, sugestões que devem ser avaliadas, tendo todavia presente uma separação clara: «Quando o interesse espiritual está ligado ao económico, isso não é de Deus»
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