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Diálogo

Igreja e Cultura: na planície do desassossego

Eis uma matéria curiosa: a cultura. Clara e enigmática, profunda e à superfície de todas as coisas, pessoas, épocas, estilos e tendências. Numa procura constante, como quem não se entenderia se não fora irrequieta, inovadora, criativa, inconformada. Sempre na prospeção de novos horizontes, começando um novo ciclo ao dizer o que quer que seja acerca de tudo e ao dizer-se a si mesma. Tudo o que lhe cai no regaço é olhado e acariciado com a leveza e a liberdade de quem vislumbra para além do óbvio e perscruta  mais longe do alcance imediato. Por ela nada se pertence unicamente a si, nem ao seu tempo, nem ao seu contexto. Tudo ganha asas, percorre a história para lá das histórias e enfrenta a coloração de outros espaços, dizeres e horizontes. Na ciência, nas artes, em toda a longitude dos saberes, na profundidade das palavras e dos números, no mistério dos poetas, na arte dos contadores de história, dos investigadores silenciosos cujo nome nunca apareceu num jornal nem o seu sorriso algum dia passou na televisão.

A cultura, a sabedoria, o olhar, na planície do desassossego.

Aqui chegado sinto que nada disse de novo, interessante ou importante. Mas foi a esta pequenez que me trouxe ao pátio da cultura. Um terreno sagrado e profano com a densidade do infinito que há em cada homem. Nesse caso, pergunto eu, porquê essa espécie de desconfiança cautelar entre a fé e a cultura, ou, se quisermos, os agentes da cultura e os agentes do cristianismo mais conhecidos por cristãos? Porquê essa espécie de benevolência ou cortesia quando têm de se encontrar em cátedras, em espetáculos especiais na galeria dos sons ou nos painéis das imagens? Porquê a gente da cultura e da fé, afora as exceções, tem de reverenciar-se antes dos diálogos para diluir as reservas que os diversos subconscientes escondem?

Porquê, muita gente da cultura, da Igreja conhece a Inquisição, a censura e certos proclamas morais ou disciplinares que vão sempre à frente de qualquer considerando ou abraço de tolerância? Ou gente da Igreja que à frente da ciência ou da arte coloca o código e a moral e abraça a gente da cultura com o gesto paternalista da misericórdia em vez da fraternidade? Tudo isto será apenas subjetivo ou viciado pelo ângulo estreito da parte que pretende abranger o todo.

O pátio dos gentios, o contacto entre a Igreja e os grandes pintores, poetas, filósofos, investigadores, músicos, gente do cinema e do teatro, do jornalismo e da história, da medicina e de quantos saberes académicos, ou simplesmente saberes, sem academia, nem currículo: todos nos admiramos de não ser conatural este entendimento entre quem, como os cristãos, de Jesus herdou o diálogo com os doutores no templo e o louvor Àquele que revelou a sabedoria - a grande cultura - aos corações simples.

Todas as distâncias e preconceitos entre gente da cultura e da Igreja resultam dum enorme equívoco, nAquele que é o Senhor da história e de todos os sábios que a enobrecem.

 

P. António Rego
© SNPC | 19.04.12

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FotoJohn Heseltine / Corbis



























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