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Igreja e cinema de arte: Oásis de beleza para as periferias humanas

A arte é um instrumento de evangelização usado pela Igreja para demonstrar a maravilha da criação, pelo que a beleza tem um papel essencial ao arrancar o ser humano da resignação, ao mesmo tempo que o desperta, abrindo-lhe os olhos do coração e da mente.

Estas palavras, inspiradas por intervenções do papa Francisco e do papa emérito Bento XVI, abriram a intervenção do responsável pela Secretaria para a Comunicação do Vaticano, P. Dario Viganò, em conferência proferida na quinta-feira na universidade de Monterrey, no México.

“A arte sacra no cinema. Novas linguagens e modalidades inéditas de narração nos documentários realizados pela Santa Sé” foi o tema da conferência, que analisou as oportunidades oferecidas pelas modernas tecnologias, possibilitando novas formas de transmissão do saber e de encontro com a beleza, inclusive para as muitas pessoas que não têm meios para visitar os lugares sagrados do cristianismo.

 

A beleza da arte liberta o coração

O P. Viganò citou os dois papas para introduzir um discurso sobre a importância «de uma arte que comunique beleza, harmonia, de modo a oferecer esperança e um horizonte de redenção e acolhimento também àqueles que são vítimas de marginalização, os descartados da sociedade globalizada». Com efeito, evidenciou o responsável, a «cultura do descartável» suscita rebelião, rejeição, marginalização, não ajuda a inclusão, o encontro, a sinfonia da diversidade.

Por este motivo é fundamental «que se criem espaços para a educação para as linguagens da arte e da beleza, quase como que oásis da alma para a elevar e fazê-la experimentar a emoção do encontro com o belo, o verdadeiro, o bom, porque só desta maneira será possível narrar e escutar histórias luminosas e exemplares».










A arte no grande ecrã

A dimensão salvífica da arte foi transmitida igualmente no cinema, que a valorizou graças às suas modalidades narrativas. A este propósito, o P. Viganò recordou como a Secretaria para a Comunicação da Santa Sé conseguiu percorrer essas novas linguagens que tornam o espetador participante da narrativa. Um salto de qualidade na arte sobre o grande ecrã que se deve a novas técnicas narrativas, com qualidade de imagem que além de passar pelas três dimensões ou pelo 4K [resolução que quadriplica a que se encontra nos comuns televisores “Full HD”] está já a explorar o 8K.

Os «novos horizontes expressivos» mencionados pelo responsável mergulham as suas raízes num diálogo entre arte e cinema alimentado durante os mais de 100 anos de história da Sétima Arte. Viganò evocou a figura de Jesus e a sua representação na arte pictórica como claro ponto de referência para o mundo do cinema. Daqui derivam enquadramentos, cenários, caracterização dos personagens e, até, sujeitos narrativos. Falando da indústria cultural italiana, referiu-se ao cinema de Pier Paolo Pasolini e Franco Zeffirelli.

No filme “O Evangelho segundo Mateus”, Pasolini faz largo uso de obras de Piero della Francesca – por exemplo, na cena do Batismo –, bem como Masaccio, Fra Angélico, Botticelli, Mantegna e, em geral, da pintura renascentista do séc. XV.










O cinema entra nas estruturas museológicas

Chegando ao núcleo da sua intervenção, o P. Viganò sublinhou a tendência do cinema para entrar nas estruturas museológicas, nos espaços de arte, abrindo-o ao público, oferecendo aos espetadores olhares originais e até imersivos.

Como exemplo, o responsável lembrou o trabalho da Sky3D, em colaboração com a Sky Arte e Magnitudo Film, no documentário “Firenze e gli Uffizi 3D”. Por seu lado, os polos museológicos da Santa Sé foram apresentados de modo inovador por duas produções: o documentário “Musei Vaticani 3D” (2014), realizado por Sky3D e Sky Arte HD, em colaboração com os Museus do Vaticano, e a série de documentários “Alla scoperta del Vaticano e dei Musei Vaticani” (À descoberta do Vaticano e dos Museus do Vaticano), produção do Centro Televisivo do Vaticano (hoje Vatican Media, Secretaria para a Comunicação) e Officina della Comunicazione, envolvendo ainda a televisão italiana RAI.

Estas obras demonstram como a Igreja quer «promover o uso da arte na sua obra de evangelização, olhando para o passado mas também para as muitas formas expressivas atuais».









Novas modalidades narrativas nos anos 2000

A intervenção centrou-se depois sobre os mais recentes produtos cinematográficos dedicados ao mundo da arte, elencando diversos elementos que jogam um papel significativo na mudança de paradigma narrativo: a utilização do 3D, o uso do formato primeiro HD, agora 4D e, em breve de forma estável, também o 8K; a utilização de drones, a evolução da técnica da câmara, movimentos mais dinâmicos e imersivos.

O papel da Santa Sé foi significativo no desenvolvimento desses produtos e na planificação partilhada com atores do sector audiovisual de primeiro plano, defendeu o sacerdote. A mudança de atitude no Vaticano nas produções cinematográficas e audiovisuais registou-se em 2014, ano da canonização de dois papas do séc. XX, João XXIII e João Paulo II, ocorrida a 27 de abril. A celebração da canonização representou o trabalho de maior alcance inovativo do Centro Televisivo do Vaticano, que soube criar um verdadeiro “Media Event” que requereu uma produção sem precedentes.

Tomando as palavras do papa Francisco, o P. Viganò salientou que a força do Centro Televisivo do Vaticano está na «capacidade de tecer relações com realidades diferentes de todo o mundo, para construir pontes, superando muros e fossos, e levar a luz do Evangelho».









Sinergias produtivas

Este trabalho de sinergia e colaboração está na base do sucesso das produções audiovisuais dedicadas à narração da arte, realizadas pela divisão Cinema de Arte da Sky e Officina della Comunicazione, com as quais a Secretaria para a Comunicação da Santa Sé colabora ativamente.

O P. Viganò recordou o documentário “San Pietro e le Basiliche papali di Roma” (S. Pedro e as basílicas papais de Roma), em 3D, projeto nascido para o Ano Santo extraordinário da Misericórdia, determinado pelo papa Francisco. Trata-se de um produto artístico pensado com o objetivo ser exibido no grande ecrã, mostrando-o aos espetadores apaixonados pela arte e a todos os peregrinos prontos para se colocarem a caminho para o Jubileu. Um exemplo, entre muitos, a possibilidade de se aproximar virtualmente da “Pietà” de Miguel Ângelo.

Os documentários seguintes incidiram em grandes artistas, com Rafael, em 2017; Caravaggio e Miguel Ângelo são esperados em 2018, sempre em parceria. Entre as várias produções já realizadas e distribuídas, o responsável lembrou o “Archivio Segrato Vaticano, um viaggio nella storia” (Arquivo Secreto do Vaticano, uma viagem na história); “I Giubilei, la strada del perdono” (Os Jubileus, a estrada do perdão); “La Gendarmeria Vaticana” (A Guarda do Vaticano).

Na reflexão do P. Viganò mereceram destaque duas grandes produções dedicadas à arte sacra: “Alla scoperta del Vaticano” (À descoberta do Vaticano) e “Alla scoperta dei Musei Vaticani” (À descoberta dos Museus do Vaticano), conjuntos de DVD com seis documentários, em oito línguas); “Alla scoperta dell’arte sacra in Italia" (À descoberta da arte sacra em Itália), coleção de DVD com 10 documentários, lançada em novembro de 2017. Neste trabalho foram envolvidas 30 dioceses, num total de 80 locais.









Perspetivas educativas e pastorais

Estes filmes permitem redescobrir os tesouros artísticos e arqueológicos, estimulando o regresso ao território e as visita aos polos museológicos. O prefeito da Secretaria para a Comunicação realçou também as repercussões de natureza educacional e pastoral: são obras que oferecem oportunidades a toda a comunidade de encontro com a dimensão cultural e artística, não esquecendo a inclusão social.

O cinema de arte, acentuou o P. Viganò, pode ser uma via privilegiada para reabrir os baús da história e trazer à luz tesouros de pintura, escultura e arquitetura, além de constituírem um percurso favorável para a recuperação das periferias humanas e culturais, restituindo, assim, a centralidade às pessoas que têm direito à beleza, mas que muitas vezes não se podem permitir ter-lhe acesso.



 

Marco Guerra
In Vatican News
Trad.: SNPC
Imagem: Capela Sistina | Vaticano | D.R.
Publicado em 19.02.2018

 

 
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