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Igreja deve saber «inquietar» e «animar», diz papa, que destaca exemplo de casal de leigos

Imagem Fotograma de "Pina", documentário de Wim Wenders | 2011 | D.R.

Igreja deve saber «inquietar» e «animar», diz papa, que destaca exemplo de casal de leigos

O papa recebeu hoje, no Vaticano, os bispos do episcopado alemão, a quem vincou a necessidade de tornar a Igreja mais dinâmica e menos dependente de estruturas, ao mesmo tempo que realçou a importância da oração, do sacramento da Reconciliação e da proteção da vida humana.

«A Igreja não é um sistema fechado que gira sempre em torno das mesmas perguntas e interrogações. A Igreja é viva, apresenta-se aos homens na sua realidade, sabe inquietar, sabe animar. Tem um rosto que não é rígido, tem um corpo que se move, cresce e experimenta sentimentos: é o corpo de Jesus Cristo», acentuou Francisco.

A queda «muito forte» na participação nas missas dominicais e na vida sacramental, em particular na Reconciliação, que «quase desapareceu», no Crisma e no Matrimónio, a par da diminuição do número de vocações ao sacerdócio e à consagração religiosa, são fatores que conduziram à «erosão da fé católica na Alemanha».

«Que podemos fazer? Antes de tudo, é preciso ultrapassar a resignação que paralisa», afirmou o papa, que apontou para a inspiração «da vida dos primeiros cristãos», como Priscila e Áquila, «colaboradores fiéis de S. Paulo».

De acordo com o livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, aquele casal de esposos testemunhou «com palavras convincentes, mas sobretudo com a sua vida, que a verdade, fundada sobre o amor de Cristo pela sua Igreja, é verdadeiramente digna de fé».

«O exemplo destes “voluntários” pode fazer-nos refletir, tendo em conta a tendência para uma crescente institucionalização. São inauguradas estruturas sempre novas, para as quais, no fim, faltam os fiéis», sublinhou, alertando, todavia, para o facto de a «preciosa colaboração» dos leigos, «sobretudo onde faltam as vocações» não pode levar a pensar-se que os padres são opcionais, porque «sem sacerdote não há Eucaristia».

A institucionalização, prosseguiu o papa, leva os católicos a depositar «a confiança nas estruturas administrativas, nas organizações perfeitas», ignorando que «uma centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária».

Para Francisco, é «difícil» chegar a uma sociedade dominada por uma «mundanidade» que «sufoca a consciência da realidade» e «deforma» a personalidade, com muitas pessoas a viverem «num mundo artificial» protegido por «de vidros escuros».

A «certeza» de que é Deus «a agir em primeiro lugar» conduz a Igreja, antes de tudo, «à oração», porque os católicos devem «estar entre as pessoas com o ardor daqueles que escutaram o Evangelho primeiro».

«Rezemos pelos homens e as mulheres das nossas cidades, das nossas dioceses, e rezemos também por nós mesmos, para que Deus nos envie um raio da caridade divina através dos nossos vidros escuros, tocando os corações, de maneira a que entendam a sua mensagem», assinalou.

Os prelados alemães foram encorajados a «abrir novos caminhos e formas de catequese para ajudar os jovens e as famílias a uma redescoberta autêntica e alegre da fé comum da Igreja».

Dirigindo-se ao mundo da investigação, Francisco lembrou que «a fidelidade à Igreja e ao magistério não contradiz a liberdade académica, mas exige uma atitude humilde de serviço aos dons de Deus», antes de realçar que a presença de faculdades de Teologia junto de instituições educativas estatais constitui «uma grande oportunidade para fazer avançar o diálogo com a sociedade».

O Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que começa a 8 de dezembro, «oferece a oportunidade de redescobrir o sacramento da Penitência e Reconciliação», onde começa «a transformação de cada fiel e a reforma da Igreja», disse o papa.

Francisco frisou também que «a Igreja nunca deve cessar de ser a advogada da vida e não deve dar passos atrás no anúncio que a vida humana deve ser protegida incondicionalmente desde o momento da conceção até à morte natural».

«Aqui não podemos nunca fazer compromissos, sem nos tornarmos, também nós, culpados da cultura do descartável, infelizmente largamente difundida. Quão grandes são as feridas que a nossa sociedade tem de sofrer pelo descarte dos mais frágeis e mais indefesos – a vida nascente como também os idosos e os doentes. Todos nós, no fim, suportaremos as dolorosas consequências», declarou.

O Parlamento português aprovou hoje o alargamento aos casais do mesmo sexo da possibilidade de adotar crianças, assim como o fim das taxas moderadoras e da obrigatoriedade de aconselhamento médico no processo conducente ao aborto.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 20.11.2015

 

 
Imagem Fotograma de "Pina", documentário de Wim Wenders | 2011 | D.R.
É «difícil» chegar a uma sociedade dominada por uma «mundanidade» que «sufoca a consciência da realidade» e «deforma» a personalidade, com muitas pessoas a viverem «num mundo artificial» protegido por «de vidros escuros»
Francisco lembrou que «a fidelidade à Igreja e ao magistério não contradiz a liberdade académica, mas exige uma atitude humilde de serviço aos dons de Deus», antes de realçar que a presença de faculdades de Teologia junto de instituições educativas estatais constitui «uma grande oportunidade para fazer avançar o diálogo com a sociedade»
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