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Igreja deve oferecer aos jovens «pedagogia séria», deixando-os «incomodados» mais do que «animados»

Igreja deve oferecer aos jovens «pedagogia séria», deixando-os «incomodados» mais do que «animados»

Imagem D.R.

O que as novas gerações mais pedem à cultura e à Igreja «é uma explosão de um amor genuíno e verdadeiro» que «dá sentido ao viver», em «cada morte e em cada dor», sublinhou hoje o P. Carlos Carneiro, durante a 13.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que decorre em Fátima.

O religioso jesuíta, que falava na conferência inaugural do encontro dedicado ao tema "'Out of the box': A relação dos jovens com a Cultura", está convicto de que «o cristianismo tem em si um tesouro para oferecer aos jovens, como tem ferramentas inesgotáveis para estar presente como quem acompanha».

A Igreja deve oferecer uma «pedagogia séria, de profundidade», que mais do que deixar os jovens «animados», deve deixá-los «incomodados», e por isso «é preciso estabelecer com a juventude, a partir da cultura, uma relação de enorme exigência», propondo, mais do que valores, uma «biografia de Jesus» que se centre na certeza de que Deus «é todo amoroso».

Os jovens pedem à Igreja «seriedade intelectual e cultural que vá «muito para além das pastorais de animação», assinalou, declarando que «mais do que novas linguagens», pede-se «frescura para os velhos lugares de encontro», como, por exemplo na liturgia, renunciando, neste e noutros campos pastorais, à «tentação de se voltar para trás».



«Os jovens crentes são quase diariamente julgados, criticados, diria mesmo humilhados, sem que isso possa ser para eles uma vitória, mas uma exigência de uma cultura da fé»



À Igreja as novas gerações pedem que «não fique só pela reprovação, pela censura», mas aposte numa «cultura de proximidade», não apenas «para se caminhar lado a lado, mas com a abertura para não se ficar igual», numa relação que seja de «transformação» e até de «transfiguração».

«Quando olhamos para a juventude ficamos aflitos porque encontramos um número de agnósticos, ateus, curiosos em relação à fé», num universo que é «minoritariamente crente», embora não faltem aqueles que tenham fé mas não a revelem nos seus ambientes de estudo e trabalho, além daqueles que permanecem «no adro» das igrejas, apontou o P. Carlos Carneiro.

Depois de frisar que a crença em Deus «não se pode aprisionar nos espaços do mundo digital», o responsável do Centro Reflexão e Encontro Universitário Inácio de Loiola observou que «o mundo da fé será sempre um mundo de relação pessoal, de contacto, inclusive físico, será sempre um mundo de sinais, de encontros, de experiência, um mundo onde o corpo tem uma força impressionante».

«Os jovens crentes são quase diariamente julgados, criticados, diria mesmo humilhados, sem que isso possa ser para eles uma vitória, mas uma exigência de uma cultura da fé», afirmou, acrescentando que o futuro exige da Igreja, mais do que um «discurso teologicamente certo», um «dinamismo» que já aconteceu ao longo da história do cristianismo.



O milagre da paixão mútua da juventude e da Igreja «há de dar-se sempre no «escondimento» do «confessionário, da conversa, da oração, da peregrinação», porque «é debaixo da terra que a semente germina».



Para o P. Carlos Carneiro, a cultura é chamada «a ser um navio escola onde se viaja e aprende, em que não se está apenas ancorado», pelo que ela deve ser, não tanto um «porto de abrigo», mas um «porto de embarque».

Enquanto houver seres humanos haverá sempre histórias de fé e de descrença», e elas encontram-se de forma «paradoxal» e «evidente» no «laboratório» da juventude, vincou.

O milagre da paixão mútua da juventude e da Igreja «há de dar-se sempre no «escondimento» do «confessionário, da conversa, da oração, da peregrinação», porque «é debaixo da terra que a semente germina».

«É nesse segredo» da terra cultivada que cresce «uma pastoral da germinação», que também transforma a Igreja, «que ao semear» também é fecundada «pelos terrenos duros» que encontra.



 

SNPC
Publicado em 04.06.2017

 

 
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