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Ignorar o sofrimento humano é ignorar Deus, sublinha papa Francisco

Imagem Papa Francisco | Arquivo | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Ignorar o sofrimento humano é ignorar Deus, sublinha papa Francisco

O papa frisou hoje que «ignorar o sofrimento do homem significa ignorar Deus»: «Se eu não me aproximo daquele homem, daquela mulher, daquela criança, daquele idoso, daquela idosa que sofrem, não me aproximo de Deus».

As palavras de Francisco foram proferidas na audiência geral semanal, realizada na Praça de S. Pedro, no Vaticano, cuja catequese foi dedicada à parábola bíblica do bom samaritano (Lucas 10, 25-37).

Em resposta a um interlocutor que perguntava quem era o seu próximo, Jesus narra a história de um samaritano, considerado «estrangeiro, pagão e impuro», que ao contrário de duas personagens ligadas ao judaísmo, se compadece de um homem assaltado e agredido.

«Não é automático que quem frequenta a casa de Deus e conhece a sua misericórdia saiba amar o próximo», acentuou o papa, referindo-se ao sacerdote e ao levita que não ajudaram a vítima.

Para Francisco, «não existe verdadeiro culto se ele não se traduz em serviço ao próximo»: «Nunca o esqueçamos: diante do sofrimento de tanta gente exaurida pela fome, pela violência e pelas injustiças, não podemos permanecer espetadores».

«Podes conhecer toda a Bíblia, podes conhecer todas as rubricas litúrgicas, podes conhecer toda a teologia», mas «amar não é automático, amar tem outro caminho, com inteligência, mas com algo mais», declarou, à margem da catequese escrita que proferiu.

Enquanto que o levita e o sacerdote viram o moribundo mas não fizeram mais porque «o seu coração permaneceu fechado e frio», o «coração do samaritano estava sintonizado com o próprio coração de Deus. Com efeito, a compaixão é uma característica essencial da misericórdia de Deus».

Com esta parábola, Jesus identificou o samaritano com Deus: «É a mesma compaixão com que o Senhor vem ao encontro de cada um de nós: Ele não nos ignora, conhece as nossas dores, sabe o quanto precisamos de ajuda e de consolação».

«Façamos uma pergunta para responder no coração: creio que o Senhor tem compaixão de mim, assim como sou, pecador, com tantos problemas, tantas coisas?», questionou Francisco, novamente de improviso.

A resposta à pergunta é «sim», mas dizer ainda é pouco: «[Acreditas na compaixão] do «Deus bom que se aproxima, que te cura, acaricia? E se nós o recusamos, Ele espera, é paciente, sempre junto de nós», sublinhou.

Depois de contar a parábola, Jesus «inverte a perspetiva» da pergunta feita inicialmente pelo seu interlocutor, um doutor da Lei: «Não estar a classificar os outros para ver quem é próximo e quem não é. Tu podes tornar-te próximo de quem encontres na necessidade, e sê-lo-ás se no teu coração há compaixão», apontou Francisco.

«A cada um de nós Jesus repete o que disse ao doutor da Lei: “Vai e faz tu também o mesmo”. Somos todos chamados a percorrer o mesmo caminho do bom samaritano, que é figura de Cristo: Jesus inclinou-se sobre nós, fez-se nosso servo, e assim nos salvou, para que também nós possamos amar-nos como Ele nos amou. Da mesma maneira», concluiu.

 




 

Rui Jorge Martins
Publicado em 27.04.2016

 

 
Imagem Papa Francisco | Arquivo | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
«Podes conhecer toda a Bíblia, podes conhecer todas as rubricas litúrgicas, podes conhecer toda a teologia», mas «amar não é automático, amar tem outro caminho, com inteligência, mas com algo mais»
Depois de contar a parábola, Jesus «inverte a perspetiva» da pergunta feita inicialmente pelo seu interlocutor, um doutor da Lei: «Não estar a classificar os outros para ver quem é próximo e quem não é. Tu podes tornar-te próximo de quem encontres na necessidade, e sê-lo-ás se no teu coração há compaixão»
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