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Há uma cultura para a família?: Interrogações marcam arranque da Jornada da Pastoral da Cultura

Imagem D.R.

Há uma cultura para a família?: Interrogações marcam arranque da Jornada da Pastoral da Cultura

«Há uma cultura para a família? Há uma cultura da família? Há um tempo cultural na vida de família? Há uma compreensão cultural dos entrecruzados tempos da vida em família?»

Estas são algumas das inquietações que os intervenientes na 11.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura vão procurar responder hoje, em Fátima, no seguimento do tema "Tempo de cultura, tempo de família".

«A família está aí: na sua capacidade de ser influenciada e de influenciar», sublinhou na intervenção de abertura, que transcrevemos seguidamente, o presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Pio Alves, bispo auxiliar do Porto.

 

Tempo de Cultura. Tempo de Família
D. Pio Alves

O Papa Francisco, na vigília da abertura do Sínodo Extraordinário sobre a Família (04.10.2014), disse que “devemos escutar os latidos deste tempo e perceber o ‘odor’ dos homens de hoje, até ficar impregnados das suas alegrias e esperanças, das suas tristezas e angústias (cfr. GS 1). Nesse momento saberemos propor com credibilidade a boa nova sobre a família” (DP 153, 2014).

O Santo Padre, nestas suas palavras, está a citar o início de um dos documentos mais emblemáticos do Concílio Vaticano II: a Constituição Pastoral Gaudium et Spes. Este documento conciliar assume uma visão abrangente de cultura, que alarga o leque da atenção, do respeito e da importância a tudo o que é humano.

Esta visão alargada terá uma continuidade, ampliada, em intervenções posteriores do magistério eclesial: a exortação apostólica Evangelii Nuntiandi, de Paulo VI, e também João Paulo II, nas suas referências à cultura, estendem ainda mais a germinação desta generosa sementeira. A reintrodução explícita da importância da beleza e do mundo dos artistas no discurso do Magistério são disso um sinal inequívoco.

Bento XVI, por sua vez, granjeia um generalizado respeito no mundo do pensamento e recoloca a Igreja, e nela a Boa Nova, nos imprescindíveis alicerces da convivência humana.

O Papa Francisco ganhou, com o coração, o coração das pessoas: cristãos ou não. A força da linguagem dos sinais de amor às pessoas com as suas circunstâncias, que brota da verdade da própria vida, não deixa ninguém indiferente.

É a verificação da afirmação de Paulo VI na Evangelii Nuntiandi, citada atrás: "O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres (…) ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”.

Com razão o Papa Francisco convida, uma e outra vez, à leitura atenta dos comportamentos pessoais, dos traços fundamentais que marcam a sociedade e, dentro dela, da sua célula base: a família.

Identifica, na sociedade, marcas que mostram o ser humano fechado sobre si mesmo e progressivamente alérgico a um mundo de verdadeiras relações pessoais. “Reconhecemos – afirma o Papa – que, numa cultura onde cada um pretende ser portador duma verdade subjetiva própria, torna-se difícil que os cidadãos queiram inserir-se num projeto comum que vai além dos benefícios e desejos pessoais” (EG 61). Nesta restrição, perde relevo não apenas o mundo das pessoas mas a sua própria capacidade de leitura: “Na cultura dominante, ocupa o primeiro lugar aquilo que é exterior, imediato, visível, rápido, superficial, provisório. O real cede o lugar à aparência” (EG 62).

A família está aí: na sua capacidade de ser influenciada e de influenciar. “A família, escreve o Papa Francisco, atravessa uma crise cultural profunda (…). A fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade, o espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos outros e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos. (…) A contribuição indispensável do matrimónio à sociedade supera o nível da afetividade e o das necessidades ocasionais do casal” (EG 66).

Enquadram-se aqui algumas das perguntas que, como sugestão, foram transmitidas aos nossos convidados: “Há uma cultura para a família? Há uma cultura da família? Há um tempo cultural na vida de família? Há uma compreensão cultural dos entrecruzados tempos da vida em família?”

Ao longo do dia teremos certamente acesso, não a um qualquer receituário que nos resolva todos os males e potencie todos os bens, mas a reflexões e experiências sugestivas que nos ajudarão a cruzar cultura e família.

Deixo aqui, desde já, o agradecimento da Comissão Episcopal aos colaboradores que generosamente aceitaram o convite do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e a todos os que se dispuseram a participar nesta 11ª Jornada.

Um agradecimento muito especial é devido ao Diretor do Secretariado Nacional, Prof. José Carlos Seabra Pereira. Não obstante os atuais compromissos profissionais e a distância, com a colaboração do Secretariado, pôs em pé o programa de que desfrutaremos.

Um bom dia de trabalho.

 

+ Pio Alves
Presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais
11.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura
Fátima, 29.5.2015
Publicado em 29.05.2015

 

 
Imagem Imagem: D.R.
O Papa Francisco ganhou, com o coração, o coração das pessoas: cristãos ou não. A força da linguagem dos sinais de amor às pessoas com as suas circunstâncias, que brota da verdade da própria vida, não deixa ninguém indiferente
A fragilidade dos vínculos reveste-se de especial gravidade, porque se trata da célula básica da sociedade, o espaço onde se aprende a conviver na diferença e a pertencer aos outros e onde os pais transmitem a fé aos seus filhos
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