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Papa denuncia: Há cada vez mais vozes a dizer que para garantir a cultura é preciso expulsar outras

No atual cenário mundial há cada vez mais vozes «que semeiam divisão e contraposição – instrumentalizando muitas vezes a insegurança e os conflitos – ou que proclamam que a única maneira possível de garantir a segurança e a subsistência duma cultura consiste em procurar eliminar, apagar ou expulsar as outras», afirmou hoje o papa.

As palavras de Francisco foram proferidas em Vilnius, no primeiro discurso que pronunciou ao chegar este sábado à Lituânia, primeira etapa de uma visita que até terça-feira o levará também à Letónia e Estónia.

Francisco reconheceu que o país sofreu «na pele» as consequências da imposição de um modelo único de vida, primeiro sob ocupação alemã e depois sob o controle soviético.

«Por meio do diálogo, abertura e compreensão, as culturas podem transformar-se em pontes de união entre o Oriente e o Ocidente Europeu», vincou o papa na abertura da sua 25.ª viagem apostólica, que ocorre no 100.º aniversário da independência dos estados bálticos e 25 anos depois da retirada das tropas soviéticas dos territórios do norte da Europa.



O apoio aos jovens «será uma semente de esperança, pois conduzirá a um processo dinâmico no qual a “alma” desses jovens continuará a gerar hospitalidade: hospitalidade para o estranho, hospitalidade para os jovens, para os idosos e pobres, e, finalmente, hospitalidade em relação ao futuro»



A ocupação teve consequências graves e duradouras, tanto na sociedade como na Igreja local, com muitos jovens a procurar oportunidades noutros países. Observadores notam também que a Igreja local, silenciada e perseguida sob o controlo soviético, perdeu, em muitos aspetos, o contacto com a sociedade, com a diminuição constante do número de católicos.

Foi «um século marcado por múltiplas provas e sofrimentos que tivestes de suportar: prisões, deportações e até o martírio», declarou Francisco, acrescentando que «cada geração é chamada a assumir as lutas e as realizações do passado e a honrar, no presente, a memória dos pais».

O papa elogiou a tradição da Lituânia de receber pessoas de diferentes etnias e religiões: «Tirar força do passado significa prestar especial atenção aos mais novos, que são, não apenas o futuro, mas o presente desta nação, se permanecerem unidos às raízes do povo. ».

A população da Lituânia diminuiu de 3,7 milhões em 1992 para 2,85 milhões em 2017, e o país também tem uma sociedade a envelhecer, com 19,3% dos seus cidadãos com 65 anos ou mais, segundo um estudo do parlamento.



A presidente lituana lembrou que nos momentos «mais difíceis» do país, «no exílio, nos campos de concentração, nas prisões, nos “bunkers” da resistência», o povo «salvou-se graças à profundidade da sua fé»



«Um povo no qual os jovens encontram espaço para crescer e trabalhar ajudá-los-á a sentir-se protagonistas da construção do tecido social e comunitário», vincou.

O apoio aos jovens «será uma semente de esperança, pois conduzirá a um processo dinâmico no qual a “alma” desses jovens continuará a gerar hospitalidade: hospitalidade para o estrangeiro, hospitalidade para os jovens, para os idosos e pobres, e, finalmente, hospitalidade em relação ao futuro», concluiu.

Antes, no discurso de boas-vindas, a presidente lituana lembrou que nos momentos «mais difíceis» do país, «no exílio, nos campos de concentração, nas prisões, nos “bunkers” da resistência», o povo «salvou-se graças à profundidade da sua fé».

Dalia Grybauskaitéovà expressou a convicção de que a viagem de Francisco à Lituânia «reforçará» a fé da população «e inspirará uma nova força interior».








 

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