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«Hoje, mais do que nunca, é preciso voltar a trazer a fraternidade ao centro da nossa sociedade tecnocrática e burocrática», alerta papa

Imagem Papa Francisco | D.R.

«Hoje, mais do que nunca, é preciso voltar a trazer a fraternidade ao centro da nossa sociedade tecnocrática e burocrática», alerta papa

O papa Francisco prosseguiu hoje, no Vaticano, as catequeses que nas últimas audiências gerais das quartas-feiras tem dedicado à família, sublinhando o seu papel de semeadora de fraternidade numa sociedade «tecnocrática e burocrática».

Depois de nas últimas semanas se ter centrado na importância das mães, dos pais e dos filhos, Francisco dedicou a sua intervenção aos irmãos, no dia em que a Igreja católica inicia a Quaresma, itinerário de preparação para a Páscoa marcado pela penitência e conversão, especialmente através da oração, do jejum e da esmola.

A catequese incidiu na palavra “fraternidade”, substantivo que se refere ao parentesco de irmãos, mas que também designa o amor ao próximo e a harmonia entre pessoas, tendo começado por lembrar as primeiras palavras do Salmo 133 (132): «Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos».

Excertos da intervenção:

«A fraternidade é bela. Jesus Cristo conduziu à sua plenitude também esta experiência humana de irmãos e irmãos, assumindo-a no amor trinitário [Pai, Filho, Espírito Santo], potenciando-a de tal modo que vá bem além dos laços de parentesco e possa superar todo o muro de ausência de ausência de familiaridade.

Sabemos que quando a relação fraterna é destruída (…) abre-se o caminho a experiências dolorosas de conflito, de tradição, de ódio. A narrativa bíblica de Caim e Abel constitui o exemplo deste resultado negativo. Após a morte de Abel, Deus pergunta a Caim: “Onde está Abel, teu irmão?” É uma pergunta que o Senhor continua a repetir em cada geração. E infelizmente, em cada geração, não cessa de repetir-se também a dramática resposta de Caim: “Não sei. Serei eu o guardião do meu irmão?”.

O laço de fraternidade que se forma na família entre os irmãos, se acontece num ambiente educativo de abertura aos outros, é a grande escola de liberdade e de paz. (…) Talvez não estejamos sempre conscientes disso, mas é precisamente a família que introduz a fraternidade no mundo.

A partir desta primeira experiência de fraternidade, alimentada pelos afetos e pela educação familiar, o estilo da fraternidade irradia-se como uma promessa para toda a sociedade e para as relações entre os povos.

A bênção que Deus, em Jesus Cristo, deposita neste laço de fraternidade dilata-o de maneira inimaginável, tornando-o capaz de ultrapassar toda a diferença de nações, de línguas, de culturas e até de religiões.

Pensai no que se torna a ligação entre os homens, ainda que muito diferentes entre eles, quando podem dizer de outro: “É mesmo como um irmão, é mesmo como uma irmã para mim”! (…) De resto, a história mostrou suficientemente que também a liberdade e a igualdade, sem a fraternidade, podem encher-se de individualismo e conformismo (…).

A fraternidade na família resplandece de modo especial quando vemos a atenção, a paciência, o afeto de que são rodeados os irmãozinhos ou as irmãzinhas mais frágeis, doentes ou portadores de deficiência. Os irmãos e as irmãs que o fazem são imensos, em todo o mundo, e talvez não apreciemos a sua generosidade como deveríamos.

Ter um irmão, uma irmã que te quer bem é uma experiência forte, impagável, insubstituível. Da mesma maneira acontece para a fraternidade cristã. Os mais pequenos, os mais frágeis, os mais pobres devem enternecer-nos: têm direito a tomar-nos a alma e o coração. Sim, eles são nossos irmãos, e como tal devemos amá-los e tratá-los.

Quando isto acontece, quando os pobres são como de nossa casa, a nossa própria fraternidade cristã retoma vida. Os cristãos, com efeito, vão ao encontro dos pobres e frágeis não para obedecer a um programa ideológico, mas porque a palavra e o exemplo do Senhor nos dizem que todos somos irmãos. Este é o princípio do amor de Deus e de toda a justiça entre os homens (…)».

Seguidamente, o papa pediu aos participantes para pensarem, em silêncio e em oração, nos seus irmãos e irmãs, antes de vincar: «Hoje, mais do que nunca, é preciso voltar a trazer a fraternidade ao centro da nossa sociedade tecnocrática e burocrática: então, também a liberdade e a igualdade tomarão a sua justa entoação».

«Não privemos levianamente as nossas famílias, por submissão ou por medo, da beleza de uma ampla experiência fraterna de filhos e filhas. E não percamos a nossa confiança na amplitude de horizonte que a fé é capaz de extrair desta experiência, iluminada pela bênção de Deus», apontou Francisco.

Após a intervenção, decorreu o habitual período dedicado ao resumo da catequese e às saudações aos peregrinos, em várias línguas.

«Queridos peregrinos de língua portuguesa, sede bem-vindos! A todos vos saúdo, especialmente aos fiéis de Nogueiró e aos estudantes e professores do Agrupamento de Escolas de Viseu, encorajando-vos a apostar em ideais grandes, ideais de serviço que engrandecem o coração e tornam fecundos os vossos talentos. Confiai em Deus, como a Virgem Maria! De bom grado abençoo a vós e aos vossos entes queridos», afirmou o papa, em italiano, e depois traduzido para português.

Francisco preside hoje, às 17h00 (16h00 em Portugal continental), à missa de Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, na basílica de Santa Sabina, em Roma, depois de encabeçar a procissão penitencial que começa, meia hora antes, na igreja de Santo Anselmo.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 18.02.2015

 

 
Imagem Papa Francisco | D.R.
Pensai no que se torna a ligação entre os homens, ainda que muito diferentes entre eles, quando podem dizer de outro: “É mesmo como um irmão, é mesmo como uma irmã para mim”!
Ter um irmão, uma irmã que te quer bem é uma experiência forte, impagável, insubstituível. Da mesma maneira acontece para a fraternidade cristã. Os mais pequenos, os mais frágeis, os mais pobres devem enternecer-nos: têm direito a tomar-nos a alma e o coração
Os cristãos vão ao encontro dos pobres e frágeis não para obedecer a um programa ideológico, mas porque a palavra e o exemplo do Senhor nos dizem que todos somos irmãos. Este é o princípio do amor de Deus e de toda a justiça entre os homens
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