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Francisco na Turquia: Expetativas de católicos em viagem de segurança máxima

Imagem Papa Francisco | D.R.

Francisco na Turquia: Expetativas de católicos em viagem de segurança máxima

Deslocar-se em automóveis modestos tem sido uma das imagens de marca de Francisco, quer em Itália como no estrangeiro, mas na viagem à Turquia, que decorre entre hoje e domingo, a segurança impediu a concretização da vontade do papa.

De acordo com alguns médias turcos, Francisco terá pedido um automóvel de gama média-baixa, mas as autoridades impuseram as deslocações em viatura blindada, com as principais preocupações centradas logo após a chegada, no longo trajeto pelas estradas entre o aeroporto de Ancara e a cidade.

Terão sido também motivos de segurança a ditar o afastamento da igreja de Santo António para a celebração da missa em Istambul, em detrimento da catedral do Espírito Santo, segundo dizem Meyrem e Laure, da Turquia e França: «A igreja é maior mas disseram-nos que está mais exposta, e por isso seria mais difícil proteger o papa».

E é precisamente aqui que está o único sinal percetível da visita de Francisco à Turquia: um poster com o papa Francisco e o patriarca ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, e a palavra “Hosgeldiniz” (bem-vindo).

Istambul prepara-se para receber o papa com o seu ritmo frenético, trânsito caótico e um vento frio soprado do Mar Negro.

Na comunidade católica, com cerca de 20 mil pessoas, as últimas horas antes da chegada de Francisco foram vividas intensamente a ultimar os preparativos. A estadia do papa é vivida discretamente, mas com emoção.

O ponto nevrálgico para os católicos é a catedral do Espírito Santo. É a Andres, da comunidade espanhola, que cabe a função mais importante: a logística.

«Devemos fazer o nosso melhor. A igreja é pequena, pode conter no máximo 300 pessoas, os pedidos são mais de 1400», explica, acrescentando: «Trabalhamos há semanas para a visita; somos dezenas de pessoas dividias em vários grupos – segurança, limpeza, música, logística».

A propósito de música, a medalha para o mais emocionado vai seguramente para o padre Giuseppe: «Ensaio ininterruptamente há vários dias. Perdi peso e até a glicémia desceu quando me disseram que teria de acompanhar ao órgão a celebração do papa. É uma emoção indizível».

Para o vigário apostólico de Istambul, «a visita do papa é um momento de grande alegria e esperança»: «A visita deste ano assume um significado particular porque ocorre no aniversário dos 50 anos do encontro de Paulo VI com o patriarca Atenágoras, que ratificou a retomada do diálogo inter-religioso entre católicos e ortodoxos».

O bispo Louis Pelatre lembra, no entanto, que continua aberta a questão da falta de reconhecimento jurídico dos católicos.

À espera de Francisco estão também três jovens cristãos caldeus de Bagdad. Estão ao cuidado do oratório D. Bosco, de Istambul, que Francisco visita no domingo, antes do regresso ao Vaticano.

«Chegámos aqui há quatro meses. Com a minha família decidimos fugir porque a situação tinha-se tornado insustentável, e como cristãos arriscávamos a vida», diz Marsel.

Histórias de uma Istambul cada vez mais cosmopolita, mas onde a comunidade católica está lentamente a perder a sua identidade originária, e onde a tradição das grandes famílias do Oriente está a dar lugar a novos católicos que se mudam para a Turquia, sobretudo filipinos e nigerianos, e aqueles de passagem, que todavia não chegam para perpetuar uma presença milenar.

 

Marta Ottaviani
In "Vatican Insider"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 28.11.2014

 

 
Imagem Papa Francisco | D.R.
Na comunidade católica, com cerca de 20 mil pessoas, as últimas horas antes da chegada de Francisco foram vividas intensamente a ultimar os preparativos. A estadia do papa é vivida discretamente, mas com emoção
À espera de Francisco estão também três jovens cristãos caldeus de Bagdad. Estão ao cuidado do oratório D. Bosco, de Istambul, que Francisco visita no domingo, antes do regresso ao Vaticano
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