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Cinema: "Francisco - O papa do povo"

Cinema: "Francisco - O papa do povo"

Imagem "Francisco - O papa do povo" | D.R.

Um filme sobre Jorge Bergoglio, realizado menos de três anos após a sua eleição como papa Francisco, a 13 de março de 2013. Não é a primeira obra sobre um pontífice ainda em vida: recordemos "De um país longínquo", de Krzysztof Zanussi, "biopic" do papa Wojtyla realizado em 1981. Mas o problema de "Francisco - O papa do povo", dirigido por Daniele Luchetti, não é ser um "instant biopic", um filme que cristaliza no ecrã uma vida ainda em curso. Não, o problema é outro.

Aliás, são dois: primeiro, a precisão histórica, em certos casos a mera verosimilhança de quanto é narrado de Jorge Bergoglio: as fontes, declaradas pelo próprio Luchetti, foram as disponíveis inclusive na Wikipedia, e para o argumento emotivo os testemunhos de quantos o conheceram pessoalmente.

Segundo, e definitivamente mais importante, o Bergoglio/Francisco que conhecemos neste filme é diferente ou superior pela profundidade de olhar e agudeza de investigação àquele que se difunde a toda a hora do dia nos nossos ecrãs, ou daquele que nos é restituído pelas notícias televisivas e outras? Não, não é.

Na verdade, e aqui tem razão - talvez involuntariamente - Luchetti ao falar da recusa do "santinho" e da hagiografia, este Bergoglio cinematográfico, que se viria a tornar televisivo em quatro episódios de 50 minutos, não está livre de ambiguidades, sombras e, no fundo, escassa empatia.

Será só um problema das (muitas elipses), das incongruências e do "puxar" pelo argumento, da opacidade da pesquisa da realização ou há outro? No fim do filme, quase 100 minutos, permanecem na mente as palavras de um superior ao Bergoglio recentemente tornado jesuíta, que dizem mais ou menos: «Queres fazer o bem sem ainda saber o que é».



Permanece, forte, uma pergunta sem resposta: quem é Bergoglio? Chamamo-lo também de Francisco, mas Jorge Bergoglio, nascido em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936, quem é?



Interpretado dos minutos 25 a 60 por Rodrigo de la Serna, e próximo da eleição papal por Sergio Hernández, Bergoglio é enquadrado no percurso da nativa Buenos Aires à aclamação na Praça de S. Pedro com três focos.

Primeiro, a juventude, onde se derrama em beijos à noiva, o apoio a Peron e, por fim, tem uma vocação religiosa - uma fulminação, não no caminho de Damasco mas à mesa familiar da capital argentina... - e entra, pouco após os 20 anos, na ordem dos Jesuítas.

A seguir, os anos da ditadura, do «terrorismo de Estado» de Videla, que Bergoglio encontra - também no filme -, de padre provincial dos Jesuítas para a Argentina em 1977, para pedir contas dos padres Franz Yalics e Orlando, sequestrados, torturados e encerrados num lugar secreto; a intercessão em favor dos últimos, os habitantes pobres e marginalizados das periferias, enquanto arcebispo de Buenos Aires.

Por fim, depois do prólogo com Bergoglio no Vaticano, nas proximidades de 13 de março de 2013 - «na minha idade vai-se para a reforma, que faço eu em Roma?» -, o filme fecha-se circularmente na Praça de S. Pedro com o material de repertório do "Habemus papam".

Permanece, forte, uma pergunta sem resposta: quem é Bergoglio? Chamamo-lo também de Francisco, mas Jorge Bergoglio, nascido em Buenos Aires a 17 de dezembro de 1936, quem é? Este filme não nos ajuda.









 

A partir de texto de Federico Pontiggia
In "Cinematografo"
Trad. / adapt.: SNPC
Publicado em 04.05.2017

 

Título: Francisco - O papa do povo
Realização: Daniele Luchetti
Interpretação: Rodrigo de la Serna, Sergio Hernández, Àlex Brendemühl, Maximilian Dirr
Género: Drama, Biografia
Ano, país: 2015, Itália
Duração: 98 min.
Classificação etária: M/12
Estreia em Portugal: 4.5.2017

 

 
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