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Francisco «não se deprime nem se demite»

O papa «não se demite nem se deprime», e em relação aos abusos sexuais de menores dentro da Igreja «não se ficará só com pedidos de perdão e exigência de justiça, incluindo a justiça civil», considera o P. Anselmo Borges.

Na coluna semanal publicada no “Diário de Notícias”, o professor universitário começa por se referir à «suspeita» de que a Igreja «é um antro de anormais e pedófilos», sublinhando que «no mundo dos pedófilos, a percentagem dos padres é mínima», constatação que não serve como «motivo de consolação. Pelo contrário».

«Os abusos de menores e adultos fragilizados por parte do clero têm uma agravante terrível: as pessoas confiavam, diria que de modo incondicional, nos padres e na Igreja, e foi essa confiança que foi traída», assinala.

Como se não bastasse a gravidade desses atos, prossegue, «responsáveis, incluindo bispos e cardeais e a Cúria Romana, ocultaram e encobriram» esses «horrores, porque pensaram que o mais importante era defender e salvaguardar a honra e o prestígio da Igreja enquanto instituição. Evitar a todo o custo o escândalo era a palavra de ordem».

O docente de Filosofia lembra que uma das «palavras essenciais de Jesus no Evangelho» é: «Ai de quem escandalizar uma criança, ai de quem fizer mal a uma criança. Era melhor atar-lhe a mó de um moinho ao pescoço e lançá-lo ao mar».

«São muitas» as causas desse «colapso moral», estando à cabeça, no entender do papa, «o clericalismo e, consequentemente, o carreirismo», sem esquecer, acrescenta o P. Anselmo Borges, que «o celibato imposto tem de ser considerado, mas como parte de uma estrutura clerical muito mais ampla e um dos seus pilares».

O autor salienta as frentes de renovação que Francisco está a imprimir à Igreja, «levando-a às origens»: «Tolerância zero para a pedofilia. Transparência nas contas do Banco do Vaticano. Reforma profunda da Cúria. Uma Igreja fraterna, pobre, em saída para as periferias geográficas e existenciais. (…) Sem clericalismo, capaz de se aproximar dos divorciados recasados, dos homossexuais, que são católicos como os outros»; e também a crítica ao «capitalismo desenfreado», a salvaguarda do planeta e a necessidade de humanitariedade para com os migrantes e refugiados».

Diante da ação do papa, «os rigoristas fariseus e os lóbis económicos não gostam e atacam-no ferozmente, acusando-o inclusivamente de heresia». Recentemente «o arcebispo Carlo Maria Viganò, num golpe cobarde e vil, pretendeu acusá-lo de cumplicidade e encobridor», mas «a imprensa internacional desmascarou o ex-núncio», e «a Igreja universal, que queriam ver desunida, tem vindo massivamente a manifestar o seu apoio incondicional a Francisco», como aconteceu com o episcopado português.

O artigo conclui com a sugestão de que «pode vir aí um Sínodo», além daquele que sobre os jovens que começará a 3 de outubro, «com representação de bispos, mas também de padres, de religiosos e de religiosas, da Cúria, de leigos e de leigas, portanto, eles e elas, na devida proporção, sob a presidência do papa».


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Diário de Notícias
Imagem: palinchak/Bigstock.com
Publicado em 10.09.2018

 

 
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