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Formar partido para os católicos é coisa do século passado, afirma papa

Formar partido para os católicos é coisa do século passado, afirma papa

Imagem Papa Francisco à chegada ao estádio onde presidiu à missa | Cairo, Egito | 29.4.2017 | D.R.

«Enquanto saudava as pessoas, alguém me disse um dia: "Porque não pensa na grande política?". Pretendia fazer um partido para os católicos. Mas este bom homem vive no século passado.»

Esta foi uma das afirmações proferidas este sábado pelo papa aos jornalistas, no voo de regresso do Cairo para Roma, em que também falou dos aproveitamentos políticos que as suas visitas podem suscitar, da Coreia do Norte, da necessidade de a ONU ter maior protagonismo, do perigo de desmembramento da Europa, dos campos de refugiados que lembram os de concentração - destacando que a afirmação não foi um lapso -, da França e do ecumenismo.

Questionado sobre se a mensagem que dirigiu aos responsáveis políticos do Egito significa um apoio ao atual executivo, o papa respondeu: «Até agora fiz 18 viagens e em muitos países ouvi: "O papa apoia este ou aquele governo". Um governo tem sempre as suas fraquezas ou os seus adversários políticos que dizem uma coisa e outra. Eu não me imiscuo, falo dos valores, cada um veja e julgue se um governo ou um Estado leva por diante esses valores».



«Há campos de refugiados que são verdadeiros campos de concentração. Alguns talvez existam em Itália, outros talvez noutros lugares. Pense no que fazem as pessoas quando estão fechadas sem poder sair. Pense no que aconteceu no Norte da Europa quando os migrantes queriam atravessar o mar para ir para Inglaterra e ficaram fechados lá dentro»



Referindo-se ao aumento da tensão bélica na Coreia do Norte e nas implicações para os países vizinhos, Francisco apela a «soluções diplomáticas», porque está em causa «o futuro da humanidade»: «Hoje uma guerra alargada destruiria uma boa parte da humanidade, e é terrível. E deixa um desafio, diretamente dirigido ao português António Guterres: «Creio que as Nações Unidas têm o dever de retomar um pouco a sua liderança porque se diluiu um pouco».

Para o papa, a Europa «está em risco de se dissolver», o que «talvez» seja alimentado pelo «problema da imigração». Sobre as eleições presidenciais em França, diz não conhecer bem os dois candidatos, e por isso recusa pronunciar-se: «Digo a verdade, não entendo a política interna francesa, e procurei ter boas relações também com o atual presidente, com o qual houve uma vez um conflito, mas depois pude falar claramente sobre as coisas».

No último domingo, Francisco comparou alguns campos de refugiados na Europa a campos de concentração, o que foi classificado como um lapso. O papa mantém a posição: «Não foi um lapso. Há campos de refugiados que são verdadeiros campos de concentração. Alguns talvez existam em Itália, outros talvez noutros lugares. Pense no que fazem as pessoas quando estão fechadas sem poder sair. Pense no que aconteceu no Norte da Europa quando os migrantes queriam atravessar o mar para ir para Inglaterra e ficaram fechados lá dentro».



«O ecumenismo faz-se caminho com as obras de caridade, estando juntos. Não existe um ecumenismo estático. Os teólogos devem estudar mas isto não é possível que acabe bem se não se caminha em conjunto, rezando em conjunto»



«Houve uma coisa que me fez rir, e esta é um pouco a cultura italiana: na Sicília, numa pequena região, há um campo de refugiados. Os dirigentes da região falaram aos migrantes e disseram-lhes: "Estar aqui dentro fará mal à vossa saúde mental, deveis sair, mas por favor não façais coisas más. Nós não podemos abrir as cancelas, mas fazemos um buraco, vós saís, fazeis um passeio na região". E assim se construíram boas relações com os habitantes: os migrantes não cometem atos de delinquência ou criminalidade. Mas estar fechados é um "lager"», apontou Francisco.

A propósito do relacionamento com os cristãos ortodoxos, com quem se encontrou e rezou no Egito, o papa sublinha que teve sempre com eles «uma grande amizade», recordando que em Buenos Aires, em cada véspera de Natal, ia à celebração litúrgica de Vésperas na catedral do patriarca ortodoxo, que hoje é arcebispo na Ucrânia: «Duas horas e 40 de oração numa língua que não entendo. E depois participava na ceia da comunidade».

«Somos Igrejas irmãs. Com o papa copta Tawadros II [com quem se encontrou no Cairo] tenho uma amizade especial, para mim é um grande homem de Deus, é um grande patriarca que levará a Igreja por diante, o nome de Jesus por diante. Tem um grande zelo apostólico, é um dos mais "fanáticos" adeptos de encontrar a data fixa da Páscoa [para católicos e ortodoxos]. Eu também sou, mas ele diz: lutemos, lutemos», diz Francisco.

No programa da viagem ao Cairo, que decorreu esta sexta-feira e sábado, incluiu-se um encontro onde estiveram presentes o líder espiritual da Igreja Ortodoxa, o patriarca ecuménico Bartolomeu I, bem como responsáveis anglicanos: «O ecumenismo faz-se caminho com as obras de caridade, estando juntos. Não existe um ecumenismo estático. Os teólogos devem estudar mas isto não é possível que acabe bem se não se caminha em conjunto, rezando em conjunto.»



 

SNPC
Fonte: Andrea Tornielli / Vatican Insider
Publicado em 29.04.2017

 

 
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