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10.ª Jornada da Pastoral da Cultura

Fernando Ulrich afirma que «mercado» não chega para resolver desemprego, elogia portugueses e critica papa Francisco

O presidente do banco BPI afirmou hoje em Fátima, na 10.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, que é preciso mais «voluntarismo» para atenuar a «grande chaga» do desemprego, porque só o «mercado» é insuficiente para essa tarefa.

Depois de salientar que o emprego «tem de ser partilhado», Fernando Ulrich lamentou a falta de entendimento em Portugal sobre a falta de trabalho: «Choca-me que sendo este o problema mais grave que o país tem, nunca nos sentamos à mesa para encontrar soluções, porque o mercado não chega. Temos de ser voluntaristas».

A falta de trabalho não implica apenas consequências monetárias, mas também «a exclusão», pelo que é necessário um «compromisso», designadamente entre os agentes económicos, para que se faça tudo o que é preciso «para diminuir o desemprego», vincou.

No setor bancário, por exemplo, se todos os bancos fomentarem o emprego, também o BPI o fará; se não, o banco «não pode ficar isolado», explicou Fernando Ulrich, que preconizou a união de esforços entre o Estado e instituições privadas para combater a falta de trabalho.

«Penso que há energias na sociedade portuguesa em que se pode fazer mais para melhorar a situação das pessoas. Não pode vir tudo do Estado», acrescentou.

Referindo-se à austeridade, o responsável disse que não encontra alternativas substancialmente diferentes daquelas que o Governo decidiu: «Foi muito duro para muita gente, mas não sei como é que, na globalidade, se podia fazer de maneira diferente. (...) Fosse qual fosse o primeiro-ministro, teria feito exatamente a mesma coisa, com um outro ajustamento».

Segundo Fernando Ulrich, «não era possível corrigir a situação penalizando só quem ganha mais», tendo havido uma «preocupação enorme para proteger as pessoas mais fracas e penalizar fortemente quem tem mais rendimentos», «o que não significa que os sacrifícios para a classe média e para os mais fracos não tenham sido muito grandes».

Depois de manifestar «grande confiança em Portugal e nos portugueses», o responsável sublinhou que reprova «muita coisa que o governo fez», mas tem «enorme admiração pela forma como os portugueses estão a ultrapassar a situação» de crise económica.

Fernando Ulrich sustentou que Portugal ganhou «credibilidade» face a 2011 e disse discordar das análises negativas feitas por alguns comentadores, baseando o otimismo nos clientes do banco: «Vejo uma realidade completamente diferente do que imaginamos quando estamos ao nível do debate».

Na mesa redonda com Marçal Grilo, intitulada “O estado da arte da nossa Democracia”, o bancário explicou que compreendia as posições do papa quanto à economia, mas preferia que os seus apelos fossem mais mobilizadores do que denunciadores.

«Percebo algumas das declarações do papa Francisco, como alguém que vem da América Latina, que viveu experiências muito duras e difíceis. Entendo que a mensagem do Evangelho tem respostas muito fortes para os problemas económicos e sociais que o mundo atravessa», começou por dizer.

Para Ulrich, que se apresentou como «católico», é «mais eficaz convocar, interpelar os dirigentes, políticos ou não, católicos ou não» sobre «o que podem fazer», do que «dizer que a desigualdade mata»: «Percebo a mensagem mas não me sinto interpelada por ela».

O responsável considera que «há outras coisas que a Igreja católica pode dizer» para aumentar o sentido de responsabilidade», como, por exemplo, motivar mais as instituições com capacidade de intervenção sobre a economia e a sociedade, como são as «grandes empresas».

A 10.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura é dedicada ao tema “Portugal: a saúde da democracia”.

 

Rui Jorge Martins
© SNPC | 30.05.14

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Fernando Ulrich
10.ª Jornada da Pastoral da Cultura
Fátima, 30.5.2014

 

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