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Fernando Santos: «Ser católico é uma exigência muito forte»

Imagem Fernando Santos | Capela do Rato, Lisboa | 18.11.2015 | D.R.

Fernando Santos: «Ser católico é uma exigência muito forte»

«Sempre falei com Deus ao longo da minha vida», confessou esta quarta-feira o selecionador nacional de futebol, Fernando Santos, para quem «ser católico é uma exigência muito forte».

Antes de ser dado o apito inicial para a conversa com a jornalista Maria João Avillez, no âmbito do ciclo de encontros sobre Deus organizados pela comunidade da Capela do Rato, em Lisboa, já os repórteres o esperavam na zona mista para obter uma reação à crítica que o Futebol Clube do Porto lhe lançou devido à utilização de jogadores no jogo particular com o Luxemburgo, disputado na terça-feira.

«Não vou falar sobre essas questões, hoje vou falar sobre questões de fé, que é muito mais interessante», respondeu. Foi assim, como um aquecimento, que começou o testemunho de Fernando Santos, de que apresentamos alguns excertos, no vídeo abaixo publicado.

Rezar é a primeira coisa que faz quando acorda, e pouco depois segue-se a leitura dos trechos bíblicos proclamados na missa do dia, em que procura participar, quer esteja em Portugal ou no estrangeiro. Um compromisso que suscita curiosidade, pois não é todos os dias que se está ao lado, na Eucaristia, do selecionador nacional.

Na família da infância recorda-se de uma fé que não movia montanhas, e por isso não foi de estranhar que um desentendimento na catequese, por causa de um papel mal atribuído numa peça de teatro, o tenha afastado durante anos da Igreja, mas sem deixar de rezar diariamente duas orações que traz de menino, sem as quais não consegue adormecer.

A seguir veio o casamento, na igreja, e o batizado dos filhos, mas ainda não sentia que Cristo estivesse próximo. A inquietação que o levou à mudança começou com a preparação para o sacramento do Crisma da filha: o que lá ouviu eram dribles que o deixavam para trás.

Não quis ficar fora de jogo: a boleia dada a um padre, o almoço, o livro oferecido e lido de fio a pavio, e a ida à missa, lançando-se de trás para a frente, foi a estratégia que o levou ao golo - o sacramento da Reconciliação, primeiro recusado, depois irrecusável. Mas queria mais.

Um dia chegou, inesperado, o despedimento. Aqui, lembra-se sempre que muitas vezes pede-se a Deus o que não é bom. E exemplifica: sem aquela derrota, hoje não seria selecionador.

E assim chega ao Cursilho de Cristandade, o «momento determinante» da sua vida. Precisava de descansar a cabeça e nunca pensou que iria encontrar Deus. Não só o encontrou, como Ele o encheu de «porrada», sem direito a cartão vermelho.

«Percebi que Cristo está vivo em cada um de nós», remata, antes de se recordar do antes e do depois com Deus, que o acompanha sempre, também quando no banco de treinador a bola teima em entrar e crescem as aflições.

Antes de terminado o desafio, ainda houve tempo para falar da sua figura favorita na Bíblia, do local onde, se pudesse, passava os dias a rezar, da via-sacra madrugadora em Fátima, era então treinador do F.C. do Porto, e do que todos os dias pede a Deus.

Na "flash interview", após o tempo regulamentar, Fernando Santos vincou ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura que «sem família não há sociedade»: «Começa tudo por aí. Se não conseguirmos mudar no seio da família, dificilmente vamos conseguir mudar a família maior que nos rodeia, que é a sociedade». «A família está a perder valor, e quando isso acontece, torna-se complicado», acrescentou.

Sobre o papa Francisco, realça que «muitos católicos estavam a precisar de alguém que tivesse uma vivência mais próxima»: «Os papas que a mim me tocam mais de perto, João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco, cada um à sua maneira, foram enormes. Mas acho que o papa Francisco traz qualquer coisa de importante, neste momento».

 




 

Rui Jorge Martins
Publicado em 04.12.2015

 

 

 
Imagem Fernando Santos | Capela do Rato, Lisboa | 18.11.2015 | D.R.
«Sem família não há sociedade»: «Começa tudo por aí. Se não conseguirmos mudar no seio da família, dificilmente vamos conseguir mudar a família maior que nos rodeia, que é a sociedade»
Sobre o papa Francisco, realça que «muitos católicos estavam a precisar de alguém que tivesse uma vivência mais próxima»: «Os papas que a mim me tocam mais de perto, João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco, cada um à sua maneira, foram enormes. Mas acho que o papa Francisco traz qualquer coisa de importante, neste momento»
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