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Fátima em destaque no "Jornal de Letras": Teologia, espiritualidade e cultura

Fátima em destaque no "Jornal de Letras": Teologia, espiritualidade e cultura

Imagem Ilustração de José Manuel Castanheira (det.) para o "Jornal de "Letras" de 10.5.2017 | D.R.

A edição mais recente do "Jornal de Letras" tem Fátima como tema de capa, de alto a baixo revestida por uma pintura de José Manuel Castanheira. O centenário das aparições e a visita do papa justificaram a opção, escreve o diretor, José Carlos de Vasconcelos, no editorial.

Sobre o papa, o jornalista refere que se trata de alguém «que soube justamente merecer o maior respeito e a grande simpatia, ou até admiração, mesmo da generalidade dos não católicos».

«Neste contexto, é natural que Fátima esteja mais do que na ordem do dia e, além do mais, tenham agora sido editados numerosos livros sobre o que é e não é, o que representou e representa. Ou seja: já não tanto as histórias dos três "pastorinhos", Francisco, Jacinta e, sobretudo, a prima Lúcia, não tanto essas e outras histórias, mas livros sobre diferentes aspetos e problemáticas, do campo teológico e da fé ao histórico, sociológico e político», observa.

Estes lançamentos, «em geral», colocam-se «já fora e longe do primarismo de certas versões ou conceções outrora correntes, e dominantes, quer por impreparação ou simplismo, quer com objetivos manipulatórios. O que não exclui a sinceridade e autenticidade de "correspondentes" devoções, assentes numa fé que, sem nada de pejorativo, se pode considerar "cega"», assinala José Carlos de Vasconcelos.

 

«Para uma leitura crítica»
Teresa Toldy

O texto de Teresa Toldy, o primeiro do dossiê Fátima, não pretende aprofundar «os estudos históricos existentes sobre o fenómeno, mas sim o enquadramento teológico da questão»; no entanto, «é inescapável (também porque a teologia se exprime contextualmente) mencionar a necessidade de enquadrar as "aparições" no quadro da época, marcado por uma tensão real e palpável entre os governos da I República e a Igreja Católica, num país eminentemente rural, onde a fome não era algo raro, mas sim muito frequente, e a I Guerra Mundial atingia as famílias portuguesas, ainda que os combates fossem fora do território».

A teóloga avança com uma «leitura crítica» de Fátima, baseada em duas interrogações: «Quererá Jesus Cristo sacrifícios?». A autora esclarece que afasta a palavra penitência do sinónimo sacrifício. E prossegue: «Como enunciar uma pastoral que não justifique a afirmação que Saramago coloca (no "Evangelho segundo Jesus Cristo") na boca do demónio, quando este tenta "salvar" Jesus do sacrifício: "Só mesmo um deus pode gostar tanto de sangue"?»

«A grande esperança é que Fátima inspire cada vez mais espaços de acolhimento dos que sofrem, espaços onde Jesus ressuscitado "aparece", quando os crentes colocam em ato o que Jesus afirma como sinal de identificação com ele: "Tive fome e deste-me de comer, tive sede e deste-me de beber. (...) Cada vez que o fizeste a alguém, foi a mim que o fizeste"», conclui.

 

«Paradigmas interpretativos»
Miguel Real

O escritor Miguel Real defende que o século XXI anuncia para Fátima um novo paradigma mental, depois de um esquema que compreendeu, por um lado, a «aceitação acrítica das Aparições» e a «denúncia de uma maquinação interesseira da Igreja». Com efeito, «a posição ideológica dos autores a favor ou contra as Aparições torna-se menos relevante e subordina-se totalmente à investigação historiográfica, aos, por assim dizer, factos».

«Porventura, o momento de passagem de um para outro paradigma terá residido na publicação da "Enciclopédia de Fátima", em 2007, coordenada por Carlos Moreira de Azevedo e Luciano Cristino. Este novo paradigma é simbolizado pela substituição do termo "Aparições" pelo de "Visões", de natureza mística, rejeitando assim uma presença real ou realista de Nossa Senhora na Cova da Iria. Visões que, por sua vez, se adaptam à inteligência social e histórica e à cultura dos sujeitos que as sofrem», sustenta.

O artigo continua com a referência a publicações recentes no âmbito do jornalismo, história e cultura. O autor destaca duas obras «que merecem ampla leitura e meditação»: "A Senhora de Maio", de António Marujo e Rui Paulo Cruz, «conjunto diversificadíssimo de entrevistas e protagonistas do processo histórico de Fátima»; e "A profecia que assusta o Vaticano", de João Céu e Silva, «exemplo de prática atual do jornalismo de investigação», intercalando «relato factual de acontecimentos históricos com entrevistas, recuperação de textos coevos das Aparições e descrição pessoal de situações relacionadas com Fátima».

No domínio da investigação histórica sobressaem três ensaios, um no contexto «de uma grande reportagem mais de natureza histórica do que jornalística», "Fátima. Milagre ou construção?", de Patrícia Carvalho, os outros dois, "O sol bailou ao meio-dia. A criação de Fátima", de Luís Filipe Torgal, e "Quando o sol dançou. Fátima e Portugal", de Jeffrey S. Bennett, «vieram prestar uma nova dignidade ao debate, uma dignidade histórica por assim dizer, não ideológica, independentemente das crenças de partida dos autores».

No campo da cultura portuguesa, «o melhor livro recentemente publicado é, sem dúvida», "Fátima. Lugar sagrado global", de José Eduardo Franco e Bruno Cardoso Reis, ambos com trabalhos anteriores sobre o tema. «É o único que, para além dos cambiantes historiográficos comum a outros livros, e para além de um álbum fotográfico muitíssimo completo, opera uma dupla integração das Aparições (agora designadas com maior correção por "Visões") na história da cultura católica nacional (...) e na história da cultura portuguesa, aquela mais, esta menos».

Para Miguel Real, «detetam-se três insuficiências na investigação histórica sobre Fátima»: «Estética, relativamente ao sentimento psíquico assombroso, transcendente, vivido pelos pastorinhos e pelos atuais peregrinos»; «na exploração do parapelismo entre as Aparições (visões místicas de comunhão com o sagrado) e a espantosa experiência, nos mesmos anos, de ascensão esotérica ao sagrado por Fernando Pessoa, a primeira de carácter ortodoxa, a segunda de carácter gnóstica, explorando uma via oculta. Faz falta, muita falta, um estudo sobre Fátima e Pessoa - a mesma experiência mística, uma externa, outra interna e íntima»; «na integração de Fátima na História Mítica Portuguesa e na natureza profética e messiânica dos seus cambiantes históricos».

 

«A visão cristã»
Guilherme d'Oliveira Martins

O administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian salienta que a obra "Fátima - Das visões dos pastorinhos à visão cristã", de Carlos A. Moreira Azevedo, é «fundamental para a compreensão séria e serena de um fenómeno muito complexo, que deve ser analisado com rigor histórico e prudência, à luz de uma reflexão teológica, histórica e sociológica, que previna simplificações redutoras e especulativas».

«Estamos, pois, a falar de fenómenos testemunhados pela humanidade, com uma dimensão comunitária muito relevante, que devem ser considerados no contexto de uma religiosidade ou de uma espiritualidade adulta e consciente - leiam-se os testemunhos recolhidos por Leonor Xavier ["Peregrinos"] e veja-se o filme de João Canijo ["Fátima"]. E não esqueçamos a afirmação de Paul Claudel: "Fátima é uma irrupção violenta e escandalosa do mundo sobrenatural neste agitado mundo material"», refere.

Guilherme d'Oliveira Martins lembra que, «ao longo da História, os fenómenos religiosos e a liberdade de consciência têm de ser compreendidos e respeitados, não numa lógica absolutista ou relativista, mas num são pluralismo, que pressupõe um diálogo informado e conhecedor. Nada pior do que os monólogos sobranceiros e ignorantes, que apenas favorecem a irracionalidade e a intolerância».

 

«Fátima segundo os romancistas»
Agripina Vieira

A autora começa por declarar que «pensar Fátima (as aparições e o culto a Nossa Senhora do Rosário de Fátima) é pensar num dos elementos constitutivos» da identidade nacional. E acrescenta: «Desta circunstância nos dá conta um estudo de opinião intitulado "O que une os portugueses", publicado em março de 2014 e realizado pelo Centro de Sondagens da Universidade Católica. Aí, a importância de Fátima ficou claramente demonstrada ao surgir como o segundo elemento identitário mais importante na definição da imagem de Portugal, apenas superado pela bandeira nacional».

«Fátima foi tema de pelas de teatro de teor apologético, como as de João Serrão do Vale, "Fátima: peça em um ato" (1937) e de João Corrêa d'Oliveira, "O milagre da serra" (1946), ou de denúncia crítica que reencontramos na dramaturgia de Natália Correia, nomeadamente em "A pécora" (1983). Também na lírica, Fátima foi e é muita vezes cantada, desde logo pela voz de Afonso Lopes Vieira, autor dos versos do cântico "Ave de Fátima", mas também por António Botto com o seu muito conhecido "Fátima poema do mundo" (1955) ou ainda por Sebastião M. dos Reis em "Cancioneiro de Fátima" (1957), para citar apenas alguns exemplos», aponta.

Na ficção, estreou-se Antero de Figueiredo, com a obra "Fátima-Graça. Segredos. Mistérios", de 1936, a que se seguiram várias edições, a última das quais com prefácio do reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas. «Escassos 19 anos medeiam entre o acontecido e o narrado, circunstância que marca decisivamente o tom apologético e entusiasta do relato.»

Na década de 70, surgem "Promontório agreste", de Francisco Costa (1973) e "O segredo segundo Salomé", de José Rodrigues Miguéis (1975). «Ao contrário do romance de Antero Figueiredo, e numa prática que se tornará dominante, a temática de Fátima deixa de ser central, constituindo-se como um elemento frequentemente simbólico de apoio à defesa de uma tese ou de representação identitária da socieade nacional, ou de parte dela.»

«O fenómeno religioso de Fátima ganha novas e mais amplas formas de presença em produções romanescas de autores contemporâneos, o que mostra bem o lugar central que a temática ocupa na discussão da identidade nacional a que os textos de ficção dão corpo. A obra de António Lobo Antunes é, a esse título, paradigmática», considera Agripina Vieira.

Os textos do autor reconstituem a história das aparições «a partir de um ponto de vista mais pessoal ou enquadrando-a numa dimensão social e política», como acontece em "Os cus de Judas", quando «o narrador (também ele arregimentado num exército a que não queria pertencer) denuncia a espúria aliança entre religião, política e guerra, apontando o dedo à contaminação destes universos, numa ostensiva referência ao papel desempenhado pela Igreja, de que Fátima é símbolo, durante o governo de Salazar». «Igual denúncia» surge por António Tavares em "O coro dos defuntos".

«De romance em romance, Lobo Antunes vai reescrevendo a narrativa completa das aparições e das práticas sucedâneas de devoção À Senhora de Fátima, desde o aparecimento aos pastorinhos ("O manual dos inquisidores"; "Os cus de Judas"), passando pelos milagres atribuídos quer à Virgem quer aos pastorinhos ("O manual dos inquisidores", "As naus") e do cumprimento de promessas ("O manual dos inquisidores", "A última porta antes da noite"). Fá-lo num tom crítico que cobre um rasto de desilusão, mas igualmente de ternura e compreensão», prossegue o artigo.

Além da ficcionalização dos elementos constitutivos da Cova da Iria, o tema surge também como «referencial de comparação a partir do qual se constrói uma imagem que se quer evocativa e sugestiva, o que atesta bem da importância de Fátima enquanto elemento de um património comum», como sucede em "Os cus de judas", "Febres", de Manuel Jorge Marmelo, e "O coro dos defuntos".

As peregrinações e o pagamento de promessas são igualmente abordados na ficção portuguesa: "Céu nublado com boas abertas" (Nuno Costa Santos) e "O ano da morte de Ricardo Reis", de José Saramago, quando o protagonista se torna peregrino «sem fé». As «críticas mais incisivas» do prémio Nobel da Literatura «recaem nas práticas mercantis que enchem o espaço de gritos, pregões e lengalengas, num relato marcado pela crítica e deceção». «Muito diferentes são os motivos que levam a mulher de Augusto Martins, personagem central de "O feitiço da Índia", de Miguel Real, a deslocar-se a Fátima. Move-a a dor da ausência do marido e o pedido de intercessão da Virgem.»

«Com o passar doa anos, têm vindo a público obras que se alicerçam, em partes ou no todo, no diálogo e na reescrita dos textos basilares para compreender o fenómeno de Fátima, as "Memórias de Lúcia de Jesus"» e a "Documentação crítica de Fátima", realça Agripina Vieira. Em "A cidade do fim" Miguel Real narra uma história ligada às aparições, enquanto que "Em teu ventre", de José Luís Peixoto, apresenta «um diálogo estreito e constante». «Reencontramos a mesma prática de sustentação da intriga na citação de documentos num curioso e bem urdido "thriller", "A hora de Maria", de Nuno Lopes Tavares, acabado de publicar».

Os textos mencionados neste artigo «constituem-se como novas e desafiantes viagens de leitura», possibilitando a revisitação de «um dos elementos incontornáveis, para crentes e não crentes», da «história e memória coletiva» portuguesas, conclui a autora.

 

«Da tradição de Fátima ou das muitas formas de a dizer»
Marco Daniel Duarte

«Passados cem anos sobre o acontecimento, talvez a leitura de Fátima mereça passar pelo sentido do verbo "traduzir", não apenas no conteúdo mais imediato que a definição dicionarística lhe atribui, mas antes pesado de acordo com as páginas que o filósofo escreve a partir da sentença de Rudolf Steiner (1861-1925) quando fixara que "compreender é traduzir"», sublinha o diretor do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima.

Naquele que é o «mais autorizado documento que o catolicismo editou» sobre Fátima, Joseph Ratzinger, «embora observando a partir de dentro da mundividência cristã», falará «numa linguagem que, não sendo surpreendente» acerca da forma de a Teologia catalogar as experiências místicas do género, «continua a estar longe de se encontrar assimilada pelos diversos agentes da comunidade, seja ela a comunidade crente de registo mais ou menos devocional, seja ela a comunidade científica, crente ou não crente».

O texto prossegue com as «leituras de Fátima», sublinhando que «numa sociedade plural e numa Igreja plural», que reafirma que «as aparições não constituem dogma de fé», as dúvidas parecem legítimas, fazendo recair continuamente sobre Fátima essa suspeição assente nas impossibilidades que o sistema da ciência moderna ditou e que só pode considerar Fátima como dom para a fé e como desafio para a razão».

«Deste modo, em nada se estranha que Fátima haja tido dificuldades de relacionamento com a ciência e com os seus cultores. Por essa razão, as posições se têm extremado em dois grande campos, estando o mesmos aptos a outras subdivisões. A síntese dos olhares sobre Fátima pode ser fixada na pergunta "há sobrenaturalidade ou não há sobrenaturalidade em Fátima?" que tantos indivíduos colocaram», aponta.

Na terceira e última parte do texto, Marco Daniel Duarte centra-se na «forma artística de traduzir Fátima», operada «entre a chamada arte popular e a chamada arte erudita». «A evolução física do santuário mostra o complexo sagrado como estaleiro por onde passam vários movimentos estéticos, desde os que se fazem repercutores da arte de Oitocentos, dando início à construção de um santuário de traçado revivalista coroado por uma monumental basílica riscada por Gerardus van Krieken, até aos que já podem ser entendidos como exibidores da arte do seu tempo, a arte de Novecentos.» Do «desconforto natural que era a Cova da Iria» nasceu «um espaço espiritual constituído por uma enorme e cenográfica esplanada traçada por Cottinelli Temo, espaço marcado por uma Cruz Alta construída para o encerramento do Ano Santo, em 1951, e, sobretudo, pela colunata de António Lino. É, de facto, no cenário do monumental recinto que se concentram os esforços da nova imagem para o santuário que não mais estagnaria e que, em breve, procuraria soluções estéticas que lhe conferissem uma "fácies" verdadeiramente internacional e ligada ao pós-modernismo».

Doutorado em História da Arte, o responsável destaca que «nas décadas de 80 e 90 o lugar fez-se laborioso laboratório de arte, encarando com tenacidade o difícil, mas fundamental, debate epistemológico acerca da arte sacra criada por António Augusto Lagoa Henriques, Clara Menéres, Eduardo Nery, Emília Nadal, Erich Corsépius, Graça Costa Cabral, Gustavo Bastos, José Carlos Loureiro, José Rodrigues, Júlio Resende, Manuel Alcino, Maria Irene Vilar, Rolando Sá Nogueira e Zulmiro de Carvalho´».

A nova basílica, da Santíssima Trindade, de Alexandro Tombazis, «teve a capacidade de abriur uma nova fase da vida construtiva do santuário sem aniquilar, nem na implantação nem no alçado nem na volumetria, a tradição construtiva monumental erigida ao longo de nove décadas».

No centenário das aparições, «é o novo presbitério do recinto de oração que mostra essa intervenção cirúrgica da arquitetura minimalista que sob a traça de Tombazis e Paula Santos virá a reunir nomes como João Mendes Ribeiro, Filip Moroder Doss e Fernanda Fragateiro. E ainda no âmbito da efeméride o espaço de Fátima será marcado pelo pórtico jubilar, da autoria de Joana Delgado, e pela obra "Suspensão", de Joana Vasconcelos, também chamada a traduzir Fátima através da impressiva escala que lhe é típica.»

«Percurso igualmente dilatado poderia ser feito pela literatura, pela música, pelo teatro e pelo cinema; e por tantas outras formas de expressão que se viram convocadas para dizer Fátima, assumindo traduções diversas, por vezes até ambíguas e contraditórias com o discurso católico, mas sempre denunciadoras de uma específica peregrinação, ou seja, da forma de pensar de cada época histórica e, sobretudo, do pensamento autoral que as criou», finaliza Marco Daniel Duarte.

 

«O filme de João Canijo - Fé nas mulheres»
Manuel Halpern

Em "Fátima", mais do que explorar as questões físicas e metafísicas das motivações dos peregrinos», interessa ao cineasta «um olhar íntimo e sociológico sobre o universo feminino numa situação limite».

O crítico de Sétima Arte questiona: «Será que é possível filmar a peregrinação sem ter fé? João Canijo demonstrou que sim. Mas nem por isso fez um filme denunciatório, em que exponha os equívocos e os negócios à volta de Fátima».

«Sente-se alguma falta, deve-se dizer, de que a determinadas alturas nos seja melhor explicada a motivação daquelas peregrinas. Mas João Canijo mantém-se focado na teia de relações, na intriga feminina, nos irónicos jogos de contraste. Abrindo as brechas do espiritual delicia-se ao deparar-se com o mundano, achando esse desdobrar da alma feminina mais encantador do que a metafísica. O além fica demasiado longe», termina Manuel Halpern.

 

«Quatro autores, quatro fotos»

O especial do "Jornal de Letras" recorda que «Fátima tem sido "tema" do trabalho de muitos fotorrepórteres portugueses», tendo sido recentemente publicados dois: "Fátima - Enquanto houver portugueses", de Alfredo Cunha, e "Fátima - 1979/2016", de António Pedro Ferreira, da redação do "Expresso", com o qual, e a "Visão" foi distribuído.

Outras obras sobre Fátima que merecem destaque são "Olhares sobre o sagrado" (2006), de Eduardo Gageiro, e "Os lugares da profecia", com imagens de Jorge Barros (1993). A redação do jornal pediu aos quatro fotorrepórteres para escolherem uma ou duas fotos suas tiradas no santuário pela qual tenham «especial predileção e/ou entendam "exprimir" melhor a forma como veem Fátima».



 

Edição: SNPC
Publicado em 18.05.2017

 

 

 
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