Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Cinema: "Experimenter: Stanley Milgram, o psicólogo que abalou a América"

Imagem Póster (det.) | D.R.

Cinema: "Experimenter: Stanley Milgram, o psicólogo que abalou a América"

Para começar, impõem-se duas perguntas: quem foi Stanley Milgram e por que motivo se fez um filme sobre ele. A primeira resposta é que ele foi filho de migrantes judeus que construíram a sua vida nos EUA, que teve uma boa educação e que, no início da década de 1960, com os seus interesses em sociologia e nas respetivas ramificações psicológicas, iniciou um conjunto de experiências na Universidade de Yale - e é daqui que surge o nome do filme.

Do filme de Michael Almereyda fazem parte os primeiros testes conduzidos por Milgram, as reações às suas investigações, umas favoráveis, outras negativas, a par de vislumbres sobre a sua vida fora das experiências, como os primeiros encontros com a jovem que viria a ser a mãe dos seus filhos. Há cenas com o casal a trabalhar em conjunto, também tensões com as crianças. Mas esta linha narrativa é sempre secundária em relação aos seus testes. E é bom ver Winona Ryder como mulher de Milgram.

O espetador é introduzido nas experiências que constituem o fulcro do filme: a dois voluntários são dados os papéis de professor e aluno; este é conduzido a uma sala com maquinaria, enquanto o professor fica do lado de fora, observado por um supervisor, por Milgram e pela sua equipa, atrás de um painel de vidro.

O professor submete o aluno a um teste de memória, mas antes experimenta um choque elétrico nele próprio, para estar consciente dos efeitos; depois, à medida que o questionário avança, aplica uma descarga no aluno sempre que ele falha a resposta, com a intensidade da corrente a aumentar de cada vez que há um erro.

O propósito da experiência, condenada por alguns, era mostrar como as pessoas são condicionadas para obedecer à autoridade, inclusive infligir castigos quando os seus sentimentos estão contra essa ação. O filme apresenta uma sequência de vários voluntários professores que, apesar da variedade da suas reações, prosseguem o teste.

Com este estudo realizado poucos meses depois do início do processo de Jerusalém contra o nazista Adolf Eichmann, "o arquiteto do Holocausto", Milgram procurou responder a uma pergunta: «É possível que Eichmann e os outros nazistas tenham agido como agiram só porque estavam a executar ordens?».

Além da revisitação de imagens do julgamento de Eichmann, o filme estabelece uma ligação ao que Hannah Arendt denominou de «banalidade do mal»: pessoas normais a causaram sofrimento noutras por obediência à autoridade.

Em algumas cenas Peter Sarsgaard volta-se para a câmara e transmite os seus pensamentos e reações à audiência, envolvendo-a mais na ação, sobretudo na aprovação ou condenação dos testes.

A narrativa dramatiza outras duas experiências: numa, há uma pessoa de pé, na rua, que olha para o céu, e através de pressão consciente ou inconsciente dos pares, os transeuntes começam a imitar o gesto sem nenhuma razão em particular, exceto o facto de outros o estarem a fazer. Noutro teste as pessoas são fotografadas e as suas reações ao observarem os seus retratos tornam-se o objeto da pesquisa.

Milgrom morreu em 1984, aos 51 anos, depois de trabalhar em Yale, Harvard e em Nova Iorque. Um das cenas que pode ser motivo de análise acontece quando o investigador dá entrada no hospital e a mulher insta a rececionista a chamar um médico, mas ela está mais interessada em que em primeiro lugar seja preenchido o formulário de admissão.

"Experimenter: Stanley Milgram, o psicólogo que abalou a América" oferece aos espetadores muito para pensar sobre questões como responsabilidade, decisão e resposta à autoridade.

 




 

"Signis", com "Cinematografo"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 05.08.2016

 

Título: Experimenter: Stanley Milgram, o psicólogo que abalou a América
Realizador: Michael Almereyda
Intérpretes: Peter Sarsgaard, Winona Ryder, Edoardo Ballerini
Género: Histórico, Drama
País / Ano: EUA / 2015
Duração: 90 min
Estreia em Portugal: 4.8.2016

 

 
Imagem Póster | D.R.
Com este estudo realizado poucos meses depois do início do processo de Jerusalém contra o nazista Adolf Eichmann, "o arquiteto do Holocausto", Milgram procurou responder a uma pergunta: «É possível que Eichmann e os outros nazistas tenham agido como agiram só porque estavam a executar ordens?»
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Evangelho
Vídeos