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"Exercícios espirituais": Clássico da espiritualidade cristã relançado com tradução «revisitada»

"Exercícios espirituais": Clássico da espiritualidade cristã relançado com tradução «revisitada»

Imagem Capa | D.R.

"Exercícios espirituais" é um «pequeno livro que ao longo de quase cinco séculos tem ajudado muitas pessoas a fazerem um caminho orante para ordenar a sua vida», foi relançado pela Editorial A.O.

A «leitura mais fácil, porque menos carregada de referências técnicas (notas, glossário, lugares paralelos...)» e «tradução revisitada» do padre jesuíta Mário Garcia são duas das principais novidades desta edição do clássico de Santo Inácio de Loiola (1491-1556).

A obra também «apresenta uma nova disposição gráfica – querida pelo tradutor – dividindo o texto a partir dos parágrafos, tal como são apresentados na versão autógrafa de Santo Inácio».

Para o Apostolado da Oração, esta edição «facilita a leitura e a compreensão do texto, uma vez que cada parágrafo encerra em si mesmo um conteúdo específico, que importa destacar».

«Por este nome, exercícios espirituais, entende-se todo o modo de examinar a consciência, de meditar, de contemplar, de orar vocal e mentalmente, e de outras espirituais operações», escreve Santo Inácio na «primeira anotação» de um livro que, segundo o editor, não é «para ler, mas para fazer», não no sentido de «agir» mas de «operar».



O primeiro ponto é trazer à memória os benefícios recebidos de criação, redenção e dons particulares, ponderando com muito afeto quanto Deus nosso Senhor fez por mim e quanto me deu do que tem e, consequentemente, o mesmo Senhor deseja dar-se-me em quanto pode segundo a sua ordenação divina



Após as "Anotações" e o "Pressuposto", o leitor é introduzido no "Princípio e fundamento", que se apresenta em sete disposições, começando por esta: «O homem é criado para louvar, fazer reverência e servir a Deus nosso Senhor e, mediante isto, salvar a sua alma».

«E as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, e para que o ajudem na prossecução do fim para que é criado», lê-se no terceiro princípio, que conduz a uma consequência: «Donde se segue que o homem tanto há de usar delas quanto o ajudam para o seu fim, e tanto deve afastar-se delas quanto para isso o impedem».

Por isso «é necessário fazer-nos indiferentes a todas as coisas criadas, em tudo o que é concedido à liberdade do nosso livre arbítrio e não lhe está proibido [5]; em tal maneira que não queiramos da nossa parte mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que vida curta, e por conseguinte em tudo o mais [6]; somente desejando e elegendo o que mais nos  conduz ao fim para que somos criados» [7]».

Como se faz o «exame geral» na primeira semana? Cinco são as etapas propostas por Santo Inácio: «O primeiro ponto é dar graças a Deus nosso Senhor pelos benefícios recebidos. O segundo, pedir graça para conhecer os pecados, e lançá-los fora».



Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade, todo o meu ter e o meu possuir



«O terceiro, implorar conta à alma desde a hora em que se levantou até ao exame presente, de hora em hora ou de tempo em tempo; e primeiro, do pensamento, e depois da palavra e depois da obra, pela mesma ordem que se disse no exame particular. O quarto, pedir a Deus nosso Senhor perdão pelas faltas. O quinto, propor emenda com a sua graça. Pai-Nosso.»

"Exercícios espirituais para vencer-se a si mesmo e ordenar a sua vida, sem determinar-se por afeição alguma que seja desordenada" - é este o nome integral do livro - está dividido em quatro semanas, seguindo-se os "Mistérios da vida de Cristo" e as "Regras".

Na "Contemplação para alcançar amor", lemos: «Primeiro, convém advertir em duas coisas. A primeira é que o amor se deve pôr mais nas obras que nas palavras».

«231
(1) A segunda, o amor consiste em comunicação das duas partes, a saber, em dar e comunicar o amante ao amado o que tem ou do que tem ou pode, e assim, vice-versa, o amado ao amante;
(2) de maneira que se um tem ciência, dar ao que não a tem, se honras, se riquezas e assim o outro ao outro.
(3) Oração costumada.

232
Primeiro preâmbulo é composição, que é aqui ver como estou diante de Deus nosso Senhor, dos anjos, dos santos intercedentes por mim.



Observar como Deus habita nas criaturas, nos elementos dando ser, nas plantas vegetando, nos animais sentindo, nos homens dando entender; e assim, em mim dando-me ser, animando, sentindo e fazendo-me entender; também fazendo templo de mim sendo criado à similitude e imagem de sua divina majestade



233
O segundo, pedir o que quero: será aqui pedir conhecimento interno de tanto bem recebido, para que eu inteiramente reconhecendo, possa em tudo amar e servir a sua divina majestade.

234
(1) O primeiro ponto é trazer à memória os benefícios recebidos de criação, redenção e dons particulares, (2) ponderando com muito afeto quanto Deus nosso Senhor fez por mim e quanto me deu do que tem e, consequentemente, o mesmo Senhor deseja dar-se-me em quanto pode segundo a sua ordenação divina.
(3) E com isto refletir em mim mesmo, considerando, com muita razão e justiça, o que eu devo, da minha parte, oferecer e dar à sua divina majestade, a saber, todas as minhas coisas e a mim mesmo com elas, como quem oferece afeiçoando-se muito:
(4) Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, o meu entendimento e toda a minha vontade, todo o meu ter e o meu possuir;
(5) Vós mo destes, a Vós, Senhor, o restituo; tudo é vosso, disponde a toda a vossa vontade; dai-me o vosso amor e graça que esta me basta.



Observar como todos os bens e dons descem de cima, assim como a minha limitada potência, da suma e infinita potência de cima, e também justiça, bondade, piedade, misericórdia, etc., como do sol descem os raios, da fonte as águas, etc



235
(1) O segundo, observar como Deus habita nas criaturas, nos elementos dando ser, nas plantas vegetando, nos animais sentindo, nos homens dando entender;
(2) e assim, em mim dando-me ser, animando, sentindo e fazendo-me entender; também fazendo templo de mim sendo criado à similitude e imagem de sua divina majestade;
(3) igualmente, refletindo em mim mesmo, pelo modo que está dito no primeiro ponto ou por outro que sentir melhor. Da mesma maneira se fará sobre cada ponto que se segue.

236
(1) O terceiro, considerar como Deus trabalha e labora por mim em todas as coisas criadas sobre a face da terra, isto é, procede a modo de quem labora.
(2) Assim como nos céus, elementos, plantas, frutos, gados, etc., dando ser, conservando, vegetando e sentindo, etc. Depois refletir em mim mesmo.

237
(1) O quarto, observar como todos os bens e dons descem de cima, assim como a minha limitada potência, da suma e infinita potência de cima, e também justiça, bondade, piedade, misericórdia, etc., como do sol descem os raios, da fonte as águas, etc.
(2) Depois, acabar, refletindo em mim mesmo, conforme está dito. Acabar com um colóquio e um Pai-Nosso.»



 

Publicado em 10.01.2017

 

Título: Exercícios espirituais
Autor: Santo Inácio de Loiola
Editora: Editorial A.O.
Páginas: 184
Preço: 7,50 €
ISBN: 978-972-39-0824-4

 

 
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