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Espiritualidade deve ser escola da compaixão

Imagem Papa Francisco | D.R.

Espiritualidade deve ser escola da compaixão

«Quando uma palavra desaparece do léxico de uma época pode pensar-se que ela deixou de ser significativa ou se tornou desnecessária. Não é o caso da palavra compaixão, mesmo se o seu uso perdeu, entre nós, insistência e centralidade», considera José Tolentino Mendonça.

Em texto publicado hoje na coluna que assina semanalmente no semanário "Expresso", o vice-reitor da Universidade Católica considera que o sofrimento suscita a rejeição, que se traduz em duas reações: fugir ou fingir.

Derivando do latim "cum-passio", "sofrer com o outro", a compaixão contribui para resgatar um «isolamento que pode atingir proporções inomináveis».

«A resistência à compaixão» pode ser interpretada «como um sintoma»: «Muitas vezes é uma atitude de defesa face à vulnerabilidade com a qual deixamos de saber lidar. Os modelos propalados vão todos noutra linha: sucesso, bem-estar, saúde, competitividade», aponta.

Para o biblista, a compaixão, resposta a um «grito» que chega «frequentemente sem palavras», torna-se escuta, consonância, responsabilidade pela vida, escolha solidária, gestos, permanência».

Há na compaixão, prossegue o sacerdote, «a suspensão do julgamento sobre a vulnerabilidade do outro», mas, ao mesmo tempo, «a sabedoria de resistir ao impulso da impossível fusão»

Depois de vincar que «a espiritualidade deve ser uma escola da compaixão», Tolentino Mendonça conclui citando uma das biografias de S. Francisco de Assis, que certo dia se cruzou inesperadamente com um leproso.

«Experimentou um sentimento de horror intenso mas, lembrando-se da resolução de vida perfeita que tomara, e de que devia, antes de mais, vencer-se a si mesmo», desceu do cavalo para o abraçar; aquele, «que estendia a mão pedindo apenas uma esmola, recebeu, juntamente com o dinheiro, um beijo».

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 27.12.2014

 

 
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