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Eduardo Lourenço: «Os efeitos da revolução cristã ainda não acabaram»

Eduardo Lourenço: «Os efeitos da revolução cristã ainda não acabaram»

Imagem Capa | D.R.

O filósofo Eduardo Lourenço, entrevistado no oitavo e último número da revista “Fátima XXI”, que é apresentada este sábado no santuário da Cova da Iria, considera que «Fátima é um caso único e hoje universal» e que o cristianismo continua a ser uma «revolução» em movimento.

«De todas as fórmulas que conheço, religiosas e filosóficas, não há nenhuma que me pareça superior àquela que o cristianismo representa e representou no mundo até hoje. A grande revolução humana que se operou na história foi a do cristianismo. Os efeitos da revolução cristã ainda não acabaram. Diria mesmo que, no limite, ainda nem sequer começaram», afirma.

A historiadora Helena Matos escreve sobre a vidente da Cova da Iria que mais tempo sobreviveu, até 2005: «A vida de Lúcia é uma história que interpela todas as nossas certezas: na sua vida nada foi o que poderia ter sido. Nasceu para ser camponesa e tornou-se freira. No convento acabou a escrever aos papas. No silêncio e na reclusão tornou-se uma das personalidades senão a personalidade mais influente do século XX. Vemo-la fazendo renúncias sucessivas para de seguida ganhar maior ascendente».

Por seu lado, o bispo de Leiria-Fátima mostra-se convicto de que Fátima continuará a acompanhar a história do mundo: «Costumo dizer que em primeiro lugar é Deus, no seu amor pela humanidade manifestado através de Nossa Senhora; depois os pastorinhos como primeiros destinatários e mensageiros; e depois todos os peregrinos que aqui vêm. E cada um vem com a sua história, com a sua vida, com as suas fragilidades, motivações».

«São tão diversas. Basta estar no meio deles e escutá-los. Podem vir por motivações imediatas, de uma doença, um sofrimento, uma intenção por um familiar. Depois farão um caminho, assim o esperamos, gradual, progressivo, porque nem todos vão no mesmo ritmo. Temos de aceitar que há uma diversidade», assinala D. António Marto.



Ao longo dos três anos, a revista procurou «ser espaço de reflexão, abordando temas relacionados com a história, a mensagem e a cultura de Fátima, através de leituras que se pretendem pluridisciplinares, envolvendo perspetivas diferentes mas complementares»



O Cón. António Rego, jornalista que acompanhou incontáveis peregrinações ao santuário, lembra vários dos momentos que mais o impressionaram, entre os quais a «despedida».

«Os comentadores e liturgistas dizem que a Nossa Senhora não se fazem despedidas pois ela continua connosco e nós com ela. Mas aquele encontro, naquele estilo, naquele lugar, com aquela multidão cantando em uníssono “Ó Fátima, adeus!”, tornou-se um gesto comovedor, incarnado por cada peregrino, que acharia incompleta a peregrinação sem o agitar do lenço branco enquanto grita “adeus” já com voz enrouquecida.»

A edição da publicação cultural do Santuário de Fátima, concebida no âmbito do centenário das aparições (1917-2017), «é a mais volumosa de todas, quer pela extensão do caderno temático», dedicado ao “milagre do Sol”, com coordenação do historiador José Eduardo Franco e participação do cientista Carlos Fiolhais, «quer pelo próprio corpo da revista, num total de 272 páginas».

O diretor-adjunto da publicação, Marco Daniel Duarte, que apresentará o volume, explica que ele «irá viver ainda da memória da visita papal, que é de tal maneira forte que o tema não se esgotou na Fátima XXI que saiu em Junho».

«O ápice desta revista é dedicado à canonização dos Santos Francisco e Jacinta Marto, porque achamos importante este ponto de viragem na história», acrescenta o responsável, em declarações à Sala de Imprensa do santuário.



O centenário foi uma oportunidade de «experimentar caminhos novos, que enriquecem a reflexão sobre Fátima e a propõem numa linguagem renovada, quer na forma de fazer as leituras quer na forma de as expor»



Enriquecida com dezenas de fotografias de arquivo, o número, que conclui o projeto editorial iniciado a 30 de maio de 2014, «coloca ainda uma abertura de horizontes, não só pelo milagre do sol, em que os protagonistas de Fátima deixam de ser três crianças e passam a ser os peregrinos que vêm a Fátima».

Na rubrica “Fragmentos de História” é apresentada uma cronologia de 100 datas que marcaram os acontecimentos de um século, servindo de proposta de instrumento de leitura para o futuro.

A edição oferece também as imagens distinguidas com o primeiro prémio na categoria Fotonarrativa do concurso de fotografia alusivo ao centenário, atribuído, "ex aequo", a Rui Duarte Silva e Javier Arcenillas.

Ao longo dos três anos, a revista procurou «ser espaço de reflexão, abordando temas relacionados com a história, a mensagem e a cultura de Fátima, através de leituras que se pretendem pluridisciplinares, envolvendo perspetivas diferentes mas complementares», frisa o reitor do Santuário de Fátima, diretor da publicação.

Para o P. Carlos Cabecinhas, o centenário foi uma oportunidade de «experimentar caminhos novos, que enriquecem a reflexão sobre Fátima e a propõem numa linguagem renovada, quer na forma de fazer as leituras quer na forma de as expor».

Publicada duas vezes por ano, “Fátima XXI” contou com entrevistas e textos de Maria Barroso, cardeal Tarcisio Bertone, cardeal Gianfranco Ravasi, cardeal Angelo Sodano, cardeal Pietro Parolin, cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e o presidente da República.

A apresentação da revista integra-se no programa da jornada de abertura do novo Ano Pastoral do Santuário de Fátima, que se realizará no Centro Pastoral de Paulo VI, entre as 15h00 e as 17h00. A publicação ficará disponível na livraria do Santuário de Fátima, na Fnac e na Bertrand.



 

SNPC
Publicado em 01.12.2017

 

 

 
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