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É possível pedir perdão a Deus e recusar perdoar? É, mas não faz sentido, diz papa

Imagem Marc Chagall | C. 1956 | Museu Nacional da Mensagem Bíblica Marc Chagall, Nice, França | D.R.

É possível pedir perdão a Deus e recusar perdoar? É, mas não faz sentido, diz papa

A Quaresma é um tempo favorável para abrir o coração ao perdão de Deus e, simultaneamente, a perdoar como Ele, esquecendo as culpas de outros, afirmou hoje o papa na missa a que presidiu, no Vaticano.

A meditação de Francisco foi parcialmente orientada pelo Evangelho proclamado nas missas desta terça-feira, em que Pedro pergunta a Jesus quantas vezes deve perdoar uma falta cometida contra ele, relata a Rádio Vaticano.

A primeira leitura bíblica centra-se na oração do jovem Azarias, que, colocado numa fornalha para morrer, após ter recusado adorar um ídolo de outro, invoca, entre as chamas, a misericórdia de Deus para o povo.

«Quando Deus perdoa, o seu perdão é tão grande que é como se “esquecesse”. Totalmente ao contrário do que nós fazemos, dos mexericos – “aquele fez isto, aquilo, aqueloutro”», disse.

«No Pai-nosso rezamos: “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. É uma equação, estão juntos. Se não és capaz de perdoar, como poderá Deus perdoar-te? Ele quer perdoar-te, mas não poderá se tu tens o coração fechado, e a misericórdia não pode entrar», acrescentou Francisco.

Perante a objeção «padre, eu perdoo, mas não posso esquecer aquela coisa má que me fez”», qual é a melhor atitude? «Pede ao Senhor que te ajude a esquecer; mas isto é outra coisa. Pode perdoar-se, mas nem sempre se consegue esquecer. Mas “perdoar” e, ao mesmo tempo, “hás de pagar-me”, isso não. Perdoar como perdoa Deus: perdoa ao máximo».

«Que a Quaresma nos prepare o coração para receber o perdão de Deus. Mas recebê-lo e depois fazer o mesmo com os outros: perdoar de coração. Talvez nunca mais me cumprimente, mas no meu coração eu perdoei-te. E assim nos aproximamos a essa coisa tão grande, de Deus, que é a misericórdia», apontou.

«Ao perdoar, abrimos o nosso coração para que a misericórdia de Deus entre e nos perdoe», vincou Francisco, antes de concluir: «Perdoemos e seremos perdoados. Tenhamos misericórdia com os outros, e então sentiremos a misericórdia de Deus, que, quando perdoa, “esquece”».

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 01.03.2016

 

 
Imagem Marc Chagall | C. 1956 | Museu Nacional da Mensagem Bíblica Marc Chagall, Nice, França | D.R.
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