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Domingo repouso

Domingo repouso

Imagem D.R.

A missa do domingo está prestes a tornar-se a salvaguarda da diferença entre humanos e pequenos robôs? A demonstração, física e metafísica, de que ainda existem humanos na cidade? «Nós, cristãos, vamos à missa aos domingos para encontrar o Senhor ressuscitado, ou melhor, para nos deixarmos encontrar por Ele.» Que beleza ouvi-lo novamente dizer assim.

O encontro! Não o débito, o cumprimento, o preceito, o bilhete de identidade, o número de católicos. Todo o texto da audiência geral de Francisco, na quarta-feira, 13 de dezembro, com linguagem simples e direta, focaliza a Eucaristia e o domingo neste tema: o tempo e o lugar do encontro com o Senhor, que nos faz permanecer humanos. O Senhor ressuscitado, vivo, o nosso irmão Jesus, que se faz encontrar atrás da porta da casa. (E se tiveres de dar mais alguns passos, não te queixes: vais conhecer o Senhor no seu próprio Corpo, dás-te conta? Aquele que encantava ternamente as almas perdidas e advertia asperamente aquelas que se tinham perdido e nada se importavam. É Ele, ei-lo.)

O encontro com o Senhor salvaguarda o limiar da custódia da criatura humana, favorecendo - direta ou indiretamente - o encontro entre todos aqueles que tentam fazer tesouro de um tempo e lugar partilhados, onde podemos trocar o prazer de nos reconhecermos humanos. E familiares ao humano.

«Foi o sentido cristão de viver como filhos e não como escravos, animado pela Eucaristia, a fazer do domingo – quase universalmente – o dia do repouso», resumiu o papa eficazmente. O domingo do Senhor é amigo do povo dos resistentes humanos, que guardam o humanismo dos afetos, defendendo-o das liturgias dos lucros.

É um povo "misto", é claro, ninguém é perfeito (Agostinho dizia, da própria Igreja, que era um povo "permixtum": isto é, um pouco bom e um pouco não exatamente, e em turnos alternados). Portanto, há os irmãos e irmãs do Senhor, cuja generosidade útil sustenta a liturgia do encontro. Mas há também os companheiros de estrada que de vez em quando nos metem o nariz, como Zaqueu. E também aqueles que passam ao largo, mas intuem que sem o domingo dos cristãos o seu tempo livre será implacavelmente ocupado pelos recrutadores de escravos.

Quereremos abandonar este povo a si próprio? Ou queremos tentar fazer todo o possível para fazer coincidir, na livre comunidade da festa, o encontro com o Senhor e a libertação da escravidão? A última vez que experimentámos, com uma euforia espantada e satisfeita, o que pode fazer a limitação das obsessões utilitaristas, para toda a comunidade, foi o tempo dos "domingos sem carros", lembra-se? Conversávamos, sorríamos e havia um espírito de família, mesmo entre desconhecidos, na cidade. Pensemos se o domingo do encontro com o Senhor ressuscitado fosse capaz de irradiar a sensação de renascer - e ressurgir - como seres humanos (até sem automóvel!). Em todo o caso, diz o papa, é assim que nasceu a civilização do domingo.



 

Pierangelo Sequeri
In Avvenire
Trad.: SNPC
Publicado em 19.12.2017

 

 
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