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As «doenças» que o papa Francisco apontou à Igreja são também dos políticos?

Imagem Assembleia da República, Lisboa | D.R.

As «doenças» que o papa Francisco apontou à Igreja são também dos políticos?

As 15 "doenças" da Igreja, especialmente de quem detém responsabilidades na hierarquia, que o papa Francisco descreveu no discurso natalício à Cúria do Vaticano deviam também ser escutadas pelos políticos, considera o jornalista espanhol Juan Arias.

«Estava Francisco, peça-chave da distensão de Cuba, talvez o facto político mais importante do ano que acaba, a referir-se também aos grandes da política? De Roma, os fiéis ao papa, que não teme nem hesita em dizer o que pensa, garantem que sim. De facto, relembram, ele já fazia isso na Argentina quando era cardeal», escreve o correspondente no Brasil do diário espanhol "El País".

Em artigo publicado este domingo na página brasileira do jornal, Juan Arias lembra que o papa «sempre sustentou que o homem é um “animal político” e que a Igreja não se pode desinteressar dessa dimensão».

«É muito possível que, naquela manhã, Francisco também tivesse em mente todos os grandes magnatas da política mundial. E que também os estivesse a aconselhar que visitassem um cemitério com túmulos de nomes famosos de reis, ditadores e presidentes de nações e Estados que um dia também se acreditaram donos do mundo», refere.

Para o cronista que acompanhou algumas das sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965) e viagens dos papas Paulo VI e João Paulo II, os políticos têm doenças semelhantes às do episcopado, ao sofrerem de «“Alzheimer democrático e de representatividade”, assim como de esquizofrenia», quando se esquecem «daquilo e daqueles pelos quais foram escolhidos». 

O «terrorismo das maledicências», várias vezes apontado por Francisco ao longo do seu pontificado, atinge igualmente a política, que «hoje se afoga muitas vezes nas máfias de intrigas e corrupções, agindo mais nas sombras, nas costas dos cidadãos, do que à luz do sol». 

«É bom recordar essas verdades ao começar um novo ano, já que muitos se despedem do antigo sem nostalgia. Um ano no qual a esperança de um futuro melhor depende que ninguém se sinta, em nenhuma das instituições religiosas ou políticas, superior a ninguém pelo simples fato de exercer o poder», sublinha.

Para Juan Arias, «o mundo, cada dia mais comunicante entre si, cada vez mais informado, espera mais unir do que combater o diferente. Cada vez suporta menos aqueles que, como afirma Francisco, “possuem um coração de pedra”, incapazes de um mínimo pulsar de humanidade».

«São os que vivem, diz Francisco, acomodados nas suas posições de poder “estáticas e irremovíveis” que impedem os demais de viver a vida com “fantasia, frescor e novidade”», salienta o articulista, autor de "José Saramago: El amor posible", entre outras obras.

 

Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 29.12.2014

 

 

 
Imagem Assembleia da República, Lisboa | D.R.
Para Juan Arias, «o mundo, cada dia mais comunicante entre si, cada vez mais informado, espera mais unir do que combater o diferente. Cada vez suporta menos aqueles que, como afirma Francisco, “possuem um coração de pedra”, incapazes de um mínimo pulsar de humanidade»
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