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Dinheiro é para criar emprego e apoiar famílias, não para investimentos especulativos, afirma papa

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Imagem Fascinadora/Bigstock.com

A insuficiente oferta de trabalho e as suas condições muitas vezes precárias, a par da insuficiente remuneração, estão na origem das «bolsas de pobreza» e da «dificuldade que os jovens encontram em formar uma família e colocar filhos no mundo», sublinhou hoje o papa, que se encontrou com crianças vítimas dos sismos que abalaram a Itália.

«É necessária uma aliança de sinergias e iniciativas para que os recursos financeiros sejam postos ao serviço deste objetivo [criação de emprego] de grande alcance e valor social, em vez de serem afastados e dispersos em investimentos prevalentemente especulativos», frisou Francisco.

A especulação financeira manifesta «a ausência de um plano de longo prazo, a insuficiente consideração do verdadeiro papel dos empresários e, em última análise, fraqueza e instinto de fuga perante os desafios» da atualidade, declarou o papa na visita que realizou ao presidente da República de Itália, Sergio Mattarela.

«O trabalho estável, juntamente com uma política efetivamente empenhada em favor da família, primeiro e principal espaço em que se forma a "pessoa-em-relação", são as condições do autêntico desenvolvimento sustentável e de um crescimento harmonioso da sociedade», vincou no discurso proferido no palácio presidencial, em Roma.



«Por trás de cada emigrante encontra-se um ser humano com uma história própria, com uma cultura e ideais. Uma análise assética produz medidas esterilizadas; em contrapartida, a relação com a pessoa de carne e osso ajuda-nos a perceber as profundas cicatrizes que leva consigo»



O papa elogiou o papel de Itália no socorro e acolhimento aos refugiados, bem como a ação de inúmeros voluntários, entre os quais os que se integram em entidades e paróquias católicas.

Para Francisco, a forma como o Estado e o povo italiano estão a reagir à «crise migratória» e os esforços para assistir as populações atingidas pelos sismos «são expressão de sentimentos e atitudes que encontram a sua fonte mais genuína na fé cristã».

«No que diz respeito ao vasto e complexo fenómeno migratório, é claro que poucas nações não podem encarregar-se inteiramente, assegurando uma ordenada integração dos recém-chegados no próprio tecido social. Por essa razão é indispensável e urgente que se desenvolva uma ampla e incisiva cooperação internacional», apontou.

Sobre o mesmo tema o papa enviou uma mensagem por ocasião da assembleia geral do Parlamento Latino-Americano e Caribenho, que termina este sábado no Panamá, na qual destaca a necessidade de conhecer «o porquê da migração», o que implica «não só analisar essa situação a partir da "mesa de estudo", mas contactar com as pessoas, isto é, com rostos concretos».



Francisco recordou que a Igreja se inspira na constituição "Gaudium et spes", do Concílio Vaticano II (1962-65), que «deseja a colaboração entre comunidade eclesial e comunidade política enquanto estão, ambas, ao serviço das mesmas pessoas».



«Por trás de cada emigrante encontra-se um ser humano com uma história própria, com uma cultura e ideais. Uma análise assética produz medidas esterilizadas; em contrapartida, a relação com a pessoa de carne e osso ajuda-nos a perceber as profundas cicatrizes que leva consigo, causadas pela razão ou inexistência de razão da sua migração» refere a carta, divulgada hoje pelo Vaticano.

No encontro com o presidente da República, Francisco recordou que a Igreja se inspira na constituição "Gaudium et spes", do Concílio Vaticano II (1962-65), que «deseja a colaboração entre comunidade eclesial e comunidade política enquanto estão, ambas, ao serviço das mesmas pessoas».

Depois de declarar que olha para a Itália com esperança, país em que tem raízes familiares, o papa agradeceu a colaboração das autoridades transalpinas na segurança prestada durante as celebrações do Jubileu da Misericórdia realizadas no Vaticano.

Apos o encontro, Francisco esteve nos jardins do palácio presidencial com cerca de 200 crianças vítimas dos sismos ocorridos no centro de Itália.

«É verdade que na vida há dificuldades - vós sofrestes muito com este terramoto -, há quedas, mas vem-me sempre à ideia aquela bela canção cantada pelos alpinos: "A arte de escalar o sucesso não está no não cair mas no não permanecer caído"», salientou.



 

SNPC
Fonte: Sala de Imprensa da Santa Sé
Publicado em 10.06.2017

 

 
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