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Dignidade humana está acima da burocracia: Papa insiste no trabalho, ética, espiritualidade, lucro e solidariedade

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Dignidade humana está acima da burocracia: Papa insiste no trabalho, ética, espiritualidade, lucro e solidariedade

O atual contexto socioeconómico coloca de forma urgente a questão do trabalho. Do vosso observatório profissional [técnicos de contas] dais-vos bem conta da dramática realidade de tantas pessoas que têm uma ocupação precária, ou que a perderam; de tantas famílias que pagam as consequências disso; de tantos jovens à procura de um primeiro emprego e de um trabalho digno. São numerosos aqueles, especialmente imigrantes, que, forçados a trabalhar “no escuro”, tem falta das mais elementares garantias jurídicas e económicas.

Neste contexto é mais forte a tentação de defender o próprio interesse sem preocupar-se com o bem comum, sem dar grande atenção à justiça e à legalidade. Por isso é requerido a todos, especialmente a quantos exercem uma profissão que tem a ver com o bom funcionamento da vida económica de um país, de jogar um papel positivo, construtivo, na execução diária do próprio trabalho, sabendo que por trás de cada papel está uma história, há rostos.

Em tal empenho, que, como dizíamos, requer a cooperação de todos, o profissional cristão alcança a cada dia, da oração e da Palavra de Deus, a força antes de tudo para fazer bem o próprio dever, com competência e sabedoria; e depois para “ir mais além”, ou seja, ir ao encontro da pessoa em dificuldade; exercitar aquela criatividade que te permite encontrar soluções para situações bloqueadas; fazer valer as razões da dignidade humana diante da rigidez da burocracia.

A economia e a finança são dimensões da atividade humana e podem ser ocasiões de encontros, de diálogos, de cooperações, de direitos e reconhecidos e de serviços recíprocos, de dignidade afirmada no trabalho. Mas para isto é necessário pôr sempre no centro o homem com a sua dignidade, opondo-se às dinâmicas que tendem a aprovar tudo e põem o dinheiro acima de tudo.

Quando o dinheiro se torna o fim e a razão de cada atividade, e de cada iniciativa, então prevalecem a ótica utilitarista e as lógicas selvagens do lucro que não respeitam a pessoa, com a consequente perda dos valores da solidariedade e do respeito pela pessoa humana. Aqueles que trabalham, a vários títulos, na economia e na finança são chamados a fazer escolhas que favoreçam o bem-estar social e económica de toda a humanidade, oferecendo a todos a oportunidade de realizar o seu próprio desenvolvimento. (…)

Encorajo-vos a trabalhar sempre responsavelmente, favorecendo relações de lealdade, de justiça e, se possível, de fraternidade, enfrentando com coragem sobretudo os problemas dos mais fracos e dos mais pobres. Não basta dar respostas concretas às interrogações económicas e materiais; é preciso suscitar e cultivar uma ética da economia, da finança e do trabalho; é preciso ter vivo o valor da solidariedade – esta palavra que hoje se arrisca a ser banida do dicionário –, a solidariedade como atitude moral, expressão da atenção aos outros em cada sua legítima exigência.

Se queremos entregar melhor, às gerações futuras, o património ambiental, económico, cultural e social que herdámos, somos chamados a assumir a responsabilidade de trabalhar para uma globalização da solidariedade. A solidariedade é uma exigência que emerge da própria rede de interconexões que se desenvolvem com a globalização. E a doutrina social da Igreja ensina-nos que o princípio da solidariedade atua em harmonia com o da subsidiariedade. Graças ao efeito destes dois princípios, os processos realizam-se ao serviço do homem e cresce a justiça, sem a qual não se pode ter paz verdadeira e duradoura.

 

Papa Francisco
Audiência ao Congresso Mundial dos Técnicos de Conta
Vaticano, 14.11.2014
Trad./edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 14.11.2014

 

 
Imagem Imagem: D.R.
Não basta dar respostas concretas às interrogações económicas e materiais; é preciso suscitar e cultivar uma ética da economia, da finança e do trabalho; é preciso ter vivo o valor da solidariedade – esta palavra que hoje se arrisca a ser banida do dicionário
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