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Música: “Dialogues” no Cântico dos Cânticos

Podemos qualificar a composição de hoje como requintada, já que a música deste compositor assim se pode classificar. O texto foi extraído do livro bíblico “Cântico dos Cânticos”, o que faz com que a música tenha uma especial sensualidade.

Ocasionalmente trazemos aqui um compositor mais desconhecido que nos surpreende com um bombom que é tão doce, que o seu saber perdura longamente no nosso paladar. Apetece-lhe um bocadinho de chocolate?

Então fiquemo-nos na companhia de Jean-Yves Daniel-Lesur (1908-2002), criador francês nascido em Paris. Destacou-se também como organista e foi professor nessa especialidade. Colaborou lado a lado com Joliet e Messiaen, situando-se na vanguarda da música contemporânea francesa.

Entre 1971 e 1973 foi diretor da Ópera Nacional de Paris. O seu trabalho como intérprete de órgão também lhe proporcionou bons momentos, já que de 1927 a 1937 foi segundo organista na igreja de Santa Clotilde de Paris, e até 1944 foi-o da abadia beneditina da capital francesa.

A sua música, em muitos aspetos, tem pontos comuns com a do seu amigo Messiaen, de quem disse: «Sempre pensei modalmente. Por isso fui recetivo tanto à diversidade como às imensas possibilidades da polimodalidade. Messiaen enriquecer progressivamente a sua música com elementos tomados de vários géneros remotos de música, e eu permaneci mais ligado à tradição francesa».

Lesur traz-nos hoje “Dialogue”. Trata-se de uma das sete partes da sua obra “Cântico dos Cânticos”, obra para coro composta em 1953.

Toda a riqueza harmónica do compositor está presente neste trabalho, e em especial no fragmento de hoje. Lesur oferece-nos um intenso caleidoscópio sempre em mudança e em constante transformação, com vozes repletas do sabor do Antigo Testamento.

Este “Dialogue” abre a obra e está composto em forma de diálogo das vozes femininas com as masculinas, à imagem do livro bíblico. Lesur intercala vários “aleluias”, que aos poucos dão à peça uma consistência e textura especialmente belas. A interpretação é do conjunto “I Fagiolini”, dirigido por Robert Hollingworth.








 

Jose Gallardo Alberni
Fonte: Periodista Digital
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 10.10.2018

 

 
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