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Diálogo com cultura implica pluralidade mas Igreja nem sempre é capaz de se abrir a outras visões

O reitor do Instituto Superior de Teologia de Évora (ISTE) considera que a Igreja nem sempre é capaz de manifestar sensibilidade para a multiplicidade do ser humano e das suas perspetivas culturais e religiosas.

«O diálogo com a cultura implica sempre a consciência da pluralidade. O mundo não é de uma só cor. E, tanto do lado dos agentes pastorais, como dos protagonistas da cultura, deverá desenvolver-se esta compreensão da diversidade e da multiplicidade», frisa o P. José António Morais Palos em declarações por escrito ao Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

O ISTE iniciou esta segunda-feira, em Albufeira, a 11.ª edição consecutiva da atualização do clero da arquidiocese de Évora e das dioceses do Algarve, Beja e Setúbal, tendo para o efeito convidado o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, o cardeal italiano Gianfranco Ravasi.

«O convite a sua Eminência o cardeal Ravasi já havia sido feito noutras ocasiões mas, a sua agenda, extremamente preenchida, não lhe permitiu vir antes. Desta vez, como o convite foi feito com muita antecedência, é possível contar com a sua presença. Além do mais, o tema destas jornadas, sobre a secularização, o diálogo e o discernimento, enquadra-se muito bem nas suas competências», explicou o sacerdote.



Se hoje, muitos atores culturais não são crentes, não significa que a Igreja menospreze as suas obras. Apreciar os seus trabalhos e a sua intervenção social é já um caminho para o diálogo



O P. José Palos sublinha que o mundo da cultura «é muito diverso, quer nas manifestações quer nos atores. Perceber essa realidade, é fundamental para o diálogo com a cultura. Há muita gente com fé no mundo da cultura. Só que, muitas vezes, exprime-a e vive-a de maneira diferente da proposta tradicional da Igreja. Penso que devemos aprender a fazer caminho com essa gente».

Paralelamente a esta aproximação ao cristianismo por parte de artistas e pensadores, «é sabido que muitas expressões culturais se procuram afirmar distanciando-se e, por vezes até, em oposição à vivência religiosa. Nalgumas áreas, cultiva-se um certo elitismo da cultura».

Perante este enquadramento, prossegue o teólogo, «parece que a Igreja também não tem sido capaz de se abrir a outras visões do mundo e da sociedade, sobretudo quando insiste em modelos de evangelização que fazem parte do passado».

Questionado sobre as atitudes, gestos, recursos e objetivos pedidos à Igreja para que o “diálogo”, sobretudo com não crentes, seja uma realidade continuada em Portugal, o sacerdote acentua que, «em primeiro lugar, a Igreja “não pode jogar sempre à defesa”, ou manter uma atitude de desconfiança».



“Diálogo: a nova postura de uma Igreja «em saída»” e “A evangelização da Cultura: desafio e tarefa ingente” são os temas das conferências a apresentar pelo presidente do Conselho Pontifício da Cultura



«A história regista como a Igreja, ao longo dos séculos, foi promotora da cultura. Se hoje, muitos atores culturais não são crentes, não significa que a Igreja menospreze as suas obras. Apreciar os seus trabalhos e a sua intervenção social é já um caminho para o diálogo. Muitas vezes as obras suplantam os próprios autores e afirmam-se por si próprias, sem haver necessidade de estar a avaliar a pessoa do autor. Reconhecer o trabalho dos outros é um caminho de diálogo», assinala.

Para o P. José Palos, há também «todo um conjunto de atividades onde é possível colaborar. Há muitas formas de interagir e, em vez de enveredar por uma atitude de concorrência, deve procurar-se o trabalho conjunto, sobretudo naquelas áreas onde a Igreja tem uma intervenção reconhecida».   

“Diálogo: a nova postura de uma Igreja «em saída»” e “A evangelização da Cultura: desafio e tarefa ingente” são os temas das conferências que o cardeal Ravasi apresenta, sucessivamente, esta terça e quarta-feira.

O programa desta quarta-feira inclui os temas “As múltiplas raízes da Secularização nos países de tradição religiosa cristã”, por Sérgio Ribeiro Pinto, investigador do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa, e “Os desafios que a Europa e o projecto europeu nos colocam”, com a intervenção de João de Deus Pinheiro, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e comissário europeu.

Uma das mesas redondas previstas para as jornadas incide sobre as dimensões dos cristãos na política (José Filipe Pinto, investigador e coordenador do Centro de Investigação em Ciência Política, Relações Internacionais e Segurança), bem como na educação e ensino (David Justino, ex-presidente do Conselho Nacional de Educação).

A iniciativa encerra na quinta-feira, 1 de fevereiro, com o painel sobre “Experiências positivas de diálogo e evangelização, numa sociedade multicultural, multirreligiosa e secularizada”, com a participação de representantes das dioceses.


 

SNPC
Fontes: Arquidiocese de Évora, Folha do Domingo
Imagem: cristovao/Bigstock.com
Publicado em 30.01.2018

 

 
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