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Dia Mundial da Paz: Papa vê migrações com «olhar repleto de confiança» contra a retórica do medo

Dia Mundial da Paz: Papa vê migrações com «olhar repleto de confiança» contra a retórica do medo

Imagem gorbachlena/Bigstock.com

«Todos os elementos à disposição da comunidade internacional indicam que as migrações globais continuarão a marcar o nosso futuro. Alguns consideram-nas uma ameaça. Eu, pelo contrário, convido-vos a vê-las com um olhar repleto de confiança, como oportunidade para construir um futuro de paz», declara hoje o papa.

Na Mensagem para o 51.º Dia Mundial da Paz, que se assinala a 1 de janeiro e que tem como tema “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz”, Francisco sublinha que «quem fomenta o medo contra os migrantes, talvez com fins políticos, em vez de construir a paz, semeia violência, discriminação racial e xenofobia».

«Em muitos países de destino, generalizou-se largamente uma retórica que enfatiza os riscos para a segurança nacional ou o peso do acolhimento dos recém-chegados, desprezando assim a dignidade humana que se deve reconhecer a todos, enquanto filhos e filhas de Deus», refere o documento.

Perante «mais de 250 milhões de migrantes no mundo, dos quais 22 milhões e meio são refugiados», é preciso lançar sobre a realidade um «olhar contemplativo» que descubra Deus entre os deslocados, e dessa forma possa promover a solidariedade, a fraternidade, o desejo de bem, de verdade, de justiça, por outras palavras, realizando a promessa da paz».



«Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas»



«Detendo-se sobre os migrantes e os refugiados, este olhar saberá descobrir que eles não chegam de mãos vazias: trazem uma bagagem feita de coragem, capacidades, energias e aspirações, para além dos tesouros das suas culturas nativas, e deste modo enriquecem a vida das nações que os acolhem. Saberá vislumbrar também a criatividade, a tenacidade e o espírito de sacrifício de inúmeras pessoas, famílias e comunidades que, em todas as partes do mundo, abrem a porta e o coração a migrantes e refugiados, inclusive onde não abundam os recursos», assinala o papa.

Francisco apela a «quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar», começando, com a primeira, a «ampliar as possibilidades de entrada legal» e ao mesmo tempo a «não repelir refugiados e migrantes para lugares onde os aguardam perseguições e violências», equilibrando «a preocupação pela segurança nacional com a tutela dos direitos humanos fundamentais».

É necessário, prossegue a mensagem, proteger a «dignidade inviolável» daqueles que fogem, nomeadamente «impedir a sua exploração»: «Penso de modo particular nas mulheres e nas crianças que se encontram em situações onde estão mais expostas aos riscos e aos abusos que chegam até ao ponto de as tornar escravas».



Francisco espera que em 2018 a ONU aprove dois pactos «inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem» para derrotar o «cinismo» e a «globalização da indiferença»



«“Promover alude ao apoio para o desenvolvimento humano integral de migrantes e refugiados», em especial ao nível da instrução, com a qual «poderão não só cultivar e fazer frutificar as suas capacidades, mas estarão em melhores condições também para ir ao encontro dos outros, cultivando um espírito de diálogo e não de fechamento ou de conflito», assinala o papa.

A terminar, «“integrar significa permitir que refugiados e migrantes participem plenamente na vida da sociedade que os acolhe, numa dinâmica de mútuo enriquecimento e fecunda colaboração na promoção do desenvolvimento humano integral das comunidades locais».

O texto faz votos de que em 2018 a ONU aprove dois pactos globais «inspirados por sentimentos de compaixão, clarividência e coragem», «um para migrações seguras, ordenadas e regulares, outro referido aos refugiados», documentos que «representarão um quadro de referência para propostas políticas e medidas práticas» e assim poderão derrotar o «cinismo» e a «globalização da indiferença».

Depois de lembrar a «solicitude pastoral que nasceu com a Igreja e tem continuado em muitas das suas obras até aos nossos dias», Francisco conclui a Mensagem com a evocação de Santa Francisca Xavier Cabrini, cujo centenário do nascimento para o Céu ocorre em 2017, «pequena grande mulher que consagrou a sua vida ao serviço dos migrantes tornando-se depois a sua Padroeira».



 

SNPC
Publicado em 24.11.2017

 

 

 
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