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Detesta a confissão? Eis algumas razões para reconsiderar

Detesta a confissão? Eis algumas razões para reconsiderar

Imagem Papa Francisco no sacramento da Reconciliação | D.R.

Tenho um amigo católico que detesta a confissão. Não vou fazer inconfidências mas o meu amigo despreza-a tanto que não se confessa há uma década. Ele apresentou várias razões para passar ao lado daquele que é formalmente denominado o sacramento da Reconciliação. Tem medo de confessar de uma só vez os seus pecados, que são agora muitos; está assustado por aquilo que o padre possa dizer (ele já teve algumas más experiências); e está muito ocupado.

O meu amigo não é a única pessoa que encontrei a sentir-se assim. Há vários anos, enquanto orientava um retiro, conheci uma mulher que não se confessava há 20 anos. O seu motivo também tinha sido uma experiência desagradável com um padre durante o sacramento. Se bem me recordo, ele censurava-a por não se confessar com mais frequência.

Ao responder, perguntei-lhe: «Se tivesse uma má experiência com um médico, nunca mais voltaria a ver um médico?». Todavia, mesmo depois de termos falado sobre as suas experiências, ela estava hesitante em voltar. A nossa sessão espiritual foi breve, e passados 20 minutos era tempo de outro participante no retiro. Por isso não faço ideia se ela alguma vez voltou ao confessionário.

Às vezes sinto quase como a língua atada nestes casos. Não porque eu julgue que as pessoas nessas situações são más católicas ou porque desconheça respostas que podem ajudar estes bloqueios comuns. É antes porque eu me confesso frequentemente. Muito frequentemente. E gosto.

Admito que é mais fácil para mim fazê-lo ao viver numa casa repleta de padres, e especialmente quando o meu diretor espiritual é membro da minha comunidade. Se alguma vez me sentir oprimido pelo pecado, ou até um pecado, tudo o que preciso de fazer é bater à porta de alguém e pedir. Por outro lado é mais difícil, dado que se trata de homens com quem eu vivo e, muitas vezes, trabalho. Depois de confessar os pecados a alguém, poderei vê-lo ao pequeno-almoço na manhã seguinte. Ou numa reunião. Mas isso nunca me incomodou porque imagino que alguém que viva ou trabalha comigo já sabe que não sou perfeito.



Por vezes digo a católicos inquietos o quão maravilhosa uma pessoa se sente ao ser honesta com Deus no sacramento. O velho argumento contra a confissão segundo o qual se pode sempre dizer a Deus os pecados é bom. Claro que pode. Mas muitas vezes não se faz. E ouvir as palavras da absolvição, de viva voz, é muito mais poderoso do que as intuir na oração. Pelo menos para mim.



Muitas vezes penso no que é que me torna mais inclinado a confessar-me do que as pessoas que mencionei. Não sou com certeza mais santo do que quem quer que seja - nem de longe. Não é por ter menos pecados.

Talvez seja a frequência. E confesso-me uma vez por mês, se não mais. Estou habituado. Consequentemente cessou qualquer medo concebível. Como alguém que tem medo de voar e viaja 50 vezes de avião por ano, e de repente apercebe-se de que está confortável na aeronave. Ele sabe que haverá inevitavelmente turbulência e pode dizer: «Estou habituado. E não é tão mau como eu pensava que poderia ser».

Por vezes digo a católicos inquietos o quão maravilhosa uma pessoa se sente ao ser honesta com Deus no sacramento. O velho argumento contra a confissão segundo o qual se pode sempre dizer a Deus os pecados é bom. Claro que pode. Mas muitas vezes não se faz. Além do mais, ajuda a verbalizar os pecados com outra pessoa. E ouvir as palavras da absolvição, de viva voz, é muito mais poderoso do que as intuir na oração. Pelo menos para mim.

O meu nível de conforto também deriva de experiências com confissão do outro lado. Ao ouvir confissões e dar a absolvição, consigo ver como as pessoas se sentem aliviadas. Elas exalam. Relaxam. Sorriem. E posso sentir o quão agradecidas ficam ao serem perdoadas de algo que pensavam que era imperdoável. Tudo isto torna a confissão preciosa para mim.

Mas sobretudo gosto de como me sinto mais tarde, como se Deus me tivesse dado outra oportunidade - o que, claro, Deus dá. E quer eu esteja a ouvir confissões ou vá à confissão, penso sempre no que o meu professor de Teologia disse à nossa turma: «A confissão não é sobre o quão mau você é, mas o quão bom Deus é».

Quem me dera que eu pudesse convidar todos aqueles que se afastaram a regressar. E para aqueles que regressam, espero que ouçam, de alguma forma, o que eu digo às pessoas que não se confessam há anos: «Bem-vindo de volta».



 

James Martin, SJ
In "America"
Trad.: SNPC
Publicado em 05.03.2017

 

 
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