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Descobrir o Caminho Português da Costa

Do século XV até hoje foi lembrado e esquecido. Em 2017 adquiriu novo impulso ao ser reabilitado. Falamos do Caminho Português da Costa, uma das rotas de peregrinação até Santiago de Compostela, 150 km do Porto a Valença de dificuldade «média-baixa».

O percurso, que «passa pelos atuais concelhos de Matosinhos, Maia, Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Esposende, Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira e Valença, ganhou relevância durante a Idade Moderna e, sobretudo, a partir do século XVIII, sendo utilizado pelas populações costeiras e pelos que desembarcavam nos portos marítimos», sendo nesse período «um dos eixos mais importantes» para o túmulo de S. Tiago, lê-se na página oficial do Caminho.

O itinerário «passa junto à igreja paroquial de Castelo do Neiva (concelho de Viana do Castelo), o mais antigo templo dedicado a Santiago fora do território espanhol. De acordo com os registos históricos, terá sido consagrada no século IX, pouco depois da descoberta do túmulo do apóstolo em Compostela e três séculos antes da criação do Reino de Portugal», explica a mesma fonte.

O suplemento "Fugas" do jornal "Público" deste sábado apresenta uma extensa reportagem sobre o Caminho da Costa, que apesar do nome «raramente se abeira da orla marítima. À exceção de um troço entre Póvoa de Varzim e Aguçadoura e, depois, de Vila Praia de Âncora ao areal de Moledo, o trajeto histórico seguia maioritariamente “a meia encosta” ao longo da serra», escreve Mara Gonçalves.

No concelho de Esposende há dois trilhos à disposição: o mais antigo, de fundação romana, «provém de São Pedro de Rates (onde existe um albergue oficial) e percorre zonas rurais até chegar a Fonte Boa, onde antigamente uma “barca por Deus” fazia a travessia gratuita dos peregrinos até à margem direita do rio Cávado».

A ideia de recriar a velha embarcação de madeira para reconstituir a travessia histórica do Cávado entre as freguesias de Fonte Boa e de Gemeses foi, em 2007, a ignição no motor que levaria ao nascimento do projecto de recuperação do Caminho Português da Costa, refere o artigo.

Todavia, não foi possível incluir a recriação da barca na candidatura aos fundos comunitários, mas o empresário e canoísta Belmiro Penetra «decidiu fazê-lo a título privado, integrando o projecto na empresa Proriver, especializada em actividades desportivas no rio».

«Apesar de ser uma travessia mais histórica e bucólica, a maioria dos peregrinos acaba por seguir o itinerário principal. Sobe pelo casario da Apúlia até Fão e dali atravessa a ponte metálica rumo ao centro histórico de Esposende», assinala a jornalista.

As motivações para fazer o percurso diferem, como atestam os testemunhos reportados no texto: «Há pessoas que querem mudar de vida, por motivos profissionais ou pessoais. Há quem queira fazer caminhadas culturais, conjugando o caminho com visitas a monumentos. Outros fazem-no pela espiritualidade ou integrados em sessões de ioga. E há quem o faça pela superação pessoal, para provar a si próprio que é capaz», enumera Paulo Almeida Lopes.

O gerente da Green Walk, empresa especializada em actividades turísticas ao ar livre, lembra uma norte-americana em cadeira de rodas: «Tinha uma equipa de cinco pessoas a ajudá-la. Fez num mês aquilo que habitualmente se faz numa semana, mas chegou a Santiago». Outro caminhante, Nuno Gaspar, diz: «Não faço o caminho pela religião, mas é uma comoção que não se explica [ao chegar à catedral]».

Aurora Viães, vereadora de Vila Nova de Cerveira, afirma que os municípios foram «muito questionados» quanto ao rigor do Caminho Português da Costa, «o que obrigou a parte técnica a todo um trabalho de pesquisa histórica para fundamentar o traçado».

Por isso o trajeto segue «os estudos feitos sobre a viação que era utilizada antigamente e continua por um ziguezague de vestígios. Conchas de vieira esculpidas na pedra. Alminhas à beira dos trilhos, pequenas capelas, igrejas consagradas a Santiago ou que tenham imagens alusivas à história do apóstolo peregrino. Antigos hospitais ou velhos albergues», assinala o artigo.



 

Edição: SNPC
Fonte: Mara Gonçalves/Público
Imagem: Nelson Garrido/Público
Publicado em 11.06.2018

 

 

 
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