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Desafio do papa Francisco para hoje: Ler o capítulo 6 do segundo livro dos Macabeus

Imagem © L'Osservatore Romano

Desafio do papa Francisco para hoje: Ler o capítulo 6 do segundo livro dos Macabeus

«Se tiverdes hoje um pouco de tempo, pegai na Bíblia, o segundo livro dos Macabeus, capítulo sexto, e lede a história de Eleazar»: este é o desafio que o papa lançou hoje aos participantes na missa a que presidiu, no Vaticano.

O trecho bíblico, proclamado nas Eucaristias celebradas esta terça-feira (2 Mac 6, 18-31) narra o martírio de Eleazar, que preferiu morrer a tomar uma atitude fingida e equívoca.

«Far-vos-á bem, dar-vos-á coragem para serdes exemplo para todos e também vos dará força e sustento para levardes por diante a identidade cristã, sem compromissos, sem vida dupla», vincou Francisco, citado pela Rádio Vaticano.

Algumas pessoas, apontou o papa, dizem: «“Eu sou muito católico, padre, vou à missa todos os domingos”»; mas no seu trabalho, esquecem a fé: «Esta não é coerência de vida, esta é mundanidade».

«A mundanidade leva-te à vida dupla, aquela que aparece e aquela que é verdadeira, e afasta-te de Deus e destrói a tua identidade cristã», acentuou o papa, que se referiu a quem «finge» mas «vive de outra maneira».

Para Francisco, «o espírito cristão, a identidade cristã, nunca é egoísta, procura sempre cuidar dela com a própria coerência, cuidar, evitar o escândalo, cuidar dos outros, dar um bom exemplo».

«“Mas não é fácil, padre, viver neste mundo, onde as tentações são tantas, e o recurso à vida dupla tenta-nos todos os dias, não é fácil”: Para nós não só não é fácil, é impossível. Só Ele é capaz de fazê-lo», assinalou.

Referindo-se ao refrão do salmo entoado nas missas de hoje, «O Senhor me sustenta e ampara», Francisco frisou: «O nosso sustento contra a mundanidade que destrói a nossa identidade cristã, que nos leva à vida dupla, é o Senhor».

Por isso, a oração dos cristãos poderá ser esta: «Senhor, sou pecador, verdadeiramente, todos o somos, mas peço-te o teu sustento, dá-me o teu sustento, para que de um lado não finja ser cristão e do outro viva como um pagão, como um mundano».

O excerto bíblico a que o papa se referiu na homilia, realçando não o preceito alimentar mas a coerência entre as convicções de fé e a vida, é o seguinte:

«Naqueles dias, Eleazar, um dos principais doutores da Lei, homem de idade avançada e de aspeto muito distinto, era forçado a abrir a boca para comer carne de porco.

Mas ele, preferindo a morte gloriosa à vida desonrada, caminhou espontaneamente para o instrumento de suplício, depois de ter cuspido fora a carne, como devem proceder os que têm a coragem de repelir o que não é lícito comer, nem sequer por amor à própria vida.

Então os encarregados dessa iníqua refeição ritual, que conheciam aquele homem de velha data, chamaram-no à parte e tentaram persuadi-lo a trazer carne da que lhe fosse lícito servir-se, preparada por ele próprio, e assim fingisse comer a carne prescrita pelo rei, isto é, proveniente do sacrifício. Procedendo assim, escaparia à morte, aproveitando a benevolência com que o tratavam em consideração da amizade entre eles.

Mas ele optou por uma nobre decisão, digna da sua idade, do prestígio da sua velhice, dos seus cabelos tão ilustremente embranquecidos, do seu excelente modo de proceder desde a infância e, o que é mais, da santa Lei estabelecida por Deus.

Com toda a coerência, respondeu prontamente: “Prefiro que me envieis para a morada dos mortos. Na nossa idade não é conveniente fingir; aliás muitos jovens ficariam persuadidos de que Eleazar, aos noventa anos, se tinha passado para os costumes pagãos; e com esta dissimulação, por causa do pouco tempo de vida que me resta, viriam a transviar-se também por minha culpa e eu ficaria com a minha velhice manchada e desonrada. Além disso, ainda que eu me furtasse de momento à tortura dos homens, não fugiria, contudo, nem vivo nem morto, às mãos do Omnipotente. Por isso, renunciando agora corajosamente a esta vida, mostrar-me-ei digno da minha velhice e deixarei aos jovens o nobre exemplo de morrer com beleza, espontânea e gloriosamente, pelas veneráveis e santas leis”.

Dito isto, Eleazar dirigiu-se logo para o instrumento de suplício. Aqueles que o conduziam mudaram em aversão a benevolência que pouco antes mostraram para com ele, por causa das palavras que acabava de dizer e que eles consideravam uma loucura.

Prestes a morrer sob os golpes, exclamou entre suspiros: “Para o Senhor, que possui a santa ciência, é bem claro que, podendo escapar à morte, estou a sofrer cruéis tormentos no meu corpo; mas na alma suporto-os com alegria, porque temo o Senhor”.

Foi assim que Eleazar perdeu a vida, deixando, com a sua morte, não só aos jovens, mas também à maioria do seu povo, um exemplo de coragem e um memorial de virtude.»

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 17.11.2015

 

 
Imagem © L'Osservatore Romano
«“Não é fácil, padre, viver neste mundo, onde as tentações são tantas, e o recurso à vida dupla tenta-nos todos os dias, não é fácil”: Para nós não só não é fácil, é impossível. Só Ele é capaz de fazê-lo»
«Na nossa idade não é conveniente fingir; aliás muitos jovens ficariam persuadidos de que Eleazar, aos noventa anos, se tinha passado para os costumes pagãos; e com esta dissimulação, por causa do pouco tempo de vida que me resta, viriam a transviar-se também por minha culpa e eu ficaria com a minha velhice manchada e desonrada»
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