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«Deixa-me o coração triste ver um horário nas paróquias», diz papa, que desafia: «Tende a coragem de pôr de lado os horários»

Imagem Papa Francisco | Missa do Jubileu dos Diáconos | Praça de S. Pedro, Vaticano | 29.5.2016 | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

«Deixa-me o coração triste ver um horário nas paróquias», diz papa, que desafia: «Tende a coragem de pôr de lado os horários»

O papa afirmou hoje, no Vaticano, que «quem serve não é um guardião cioso do seu tempo, antes renuncia a ser senhor do seu próprio dia», e por isso, diariamente, «aprende a desprender-se da tendência a dispor de tudo para si e de dispor de si mesmo como quer».

As palavras de Francisco foram proferidas na missa em que foi celebrado o Jubileu dos Diáconos, realizado no âmbito do Ano da Misericórdia, que a Igreja católica está a assinalar até 27 de novembro.

«O discípulo de Jesus não pode seguir um caminho diferente do do Mestre, mas, se quer levar o seu anúncio, deve imitá-lo», frisou o papa, acrescentando que se «evangelizar é a missão dada a cada cristão no Batismo, servir é o estilo segundo o qual viver a missão, o único modo de ser discípulo de Jesus».

O cristão é aquele que testemunha a doação aos «irmãos e as irmãs, sem se cansar de Cristo humilde, sem se cansar da vida cristã que é vida de serviço», apontou Francisco.

«Diariamente, o servo aprende a desprender-se da tendência a dispor de tudo para si e de dispor de si mesmo como quer. Treina-se, cada manhã, a dar a vida, pensando que o dia não será dele, mas deverá ser vivido como um dom de si», acentuou.

Todo aquele que serve, prosseguiu o papa, «não é um guardião cioso do seu tempo, antes renuncia a ser senhor do seu próprio dia. Sabe que o tempo que vive não lhe pertence, mas é um dom que recebe de Deus a fim de, por sua vez, o oferecer: só assim produzirá verdadeiramente fruto».

Francisco sublinhou que «quem serve não é escravo de quanto estabelece a agenda, mas, dócil de coração, está disponível para o não programado: pronto para o irmão e aberto ao imprevisto, que nunca falta sendo muitas vezes a surpresa diária de Deus. O servo está aberto à surpresa, às surpresas diárias de Deus».

«O servo sabe abrir as portas do seu tempo e dos seus espaços a quem vive ao seu redor e também a quem bate à porta fora do horário, à custa de interromper algo que lhe agrada ou o merecido repouso. O servo não se cinge aos horários. Deixa-me o coração triste ver um horário nas paróquias: "Da hora tal até tal hora". E depois? Porta fechada; não há padre, nem diácono, nem leigo que receba as pessoas… Isto faz doer o coração», assinalou.

No seguimento desta constatação, o papa lançou um apelo: «Deixai cair os horários! Tende a coragem de pôr de lado os horários. Assim, queridos diáconos, vivendo na disponibilidade, o vosso serviço será livre de qualquer interesse próprio e evangelicamente fecundo».

«Deus, que é amor, leva o seu amor até ao ponto de nos servir: connosco é paciente, benévolo, sempre disponível e bem disposto, sofre com os nossos erros e procura o caminho para nos ajudar a tornar-nos melhores. Manso e humilde são também os traços do serviço cristão, que é imitar Deus servindo os outros: acolhendo-os com amor paciente, sem nos cansarmos de os compreender, fazendo com que se sintam bem-vindos a casa, à comunidade eclesial, onde o maior não é quem manda, mas quem serve. E nunca ralheis, nunca.», pediu Francisco aos diáconos.

Antes de servir, todavia, é necessário estar próximo de Cristo, sublinhou o papa: «Primeiro precisamos de ser curados interiormente. Para estar apto ao serviço, precisamos da saúde do coração: um coração curado por Deus, que se sinta perdoado e não seja fechado nem duro».

Após a missa, e antes da oração do "Angelus", centrada na Virgem Maria, Francisco anunciou que esta quarta-feira, 1 de junho, Dia Internacional da Criança, «a comunidade cristã da Síria, seja católica ou ortodoxa, viverá junta uma especial oração pela paz que terá como protagonistas precisamente as crianças. As crianças sírias convidam as crianças de todo o mundo a unir-se à sua oração pela paz.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 29.05.2016

 

 
Imagem Papa Francisco | Missa do Jubileu dos Diáconos | Praça de S. Pedro, Vaticano | 29.5.2016 | © 2016 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
«Diariamente, o servo aprende a desprender-se da tendência a dispor de tudo para si e de dispor de si mesmo como quer. Treina-se, cada manhã, a dar a vida, pensando que o dia não será dele, mas deverá ser vivido como um dom de si»
«Deus, que é amor, leva o seu amor até ao ponto de nos servir: connosco é paciente, benévolo, sempre disponível e bem disposto, sofre com os nossos erros e procura o caminho para nos ajudar a tornar-nos melhores. Manso e humilde são também os traços do serviço cristão, que é imitar Deus servindo os outros»
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