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D. José Policarpo: O timoneiro sábio da normalidade

Partiu hoje uma grande figura da Igreja e da cultura. Quando, com a distância necessária, se fizer a história destes anos, compreenderemos porventura melhor o enorme e difícil papel que lhe coube e a generosa sabedoria com que o viveu.

O patriarca anterior, D. António Ribeiro foi o bispo da transição democrática e devemos imenso à extraordinária prudência com que conduziu dossiês árduos e estabeleceu pontes, muito contribuindo para um clima pacificado nas relações Igreja-Estado.

D. José da Cruz Policarpo foi patriarca num contexto histórico muito diferente: coube-lhe conduzir a importante diocese de Lisboa e presidir à conferência dos bispos portugueses em plena normalidade democrática. As questões que ele teve de enfrentar eram, portanto, de natureza diferente, mas não de menor dimensão.

Cedo percebeu que os grandes desafios para a Igreja eram, por assim dizer, de natureza cultural: como construir uma experiência cristã autêntica no seio de uma sociedade livre e heterogénea; como assegurar a pertinência antropológica da mensagem cristã; como acolher a modernidade e as suas instigações como oportunidades para o Evangelho; como tornar as comunidades cristãs parceiras ativas num diálogo cultural que mantenha elevada a fasquia dos grandes valores humanistas.

A verdade é que a Igreja portuguesa encontrou nele um timoneiro à altura do que lhe era pedido. Não é por acaso que então jovem teólogo, José Policarpo escolhe como tema da sua tese uma categoria inovadora do Concílio Vaticano II, “a leitura dos sinais dos tempos”, nem que o vemos depois, já como bispo auxiliar, a presidir aos destinos da Universidade Católica portuguesa, onde deixa um legado indelével.

O perfil de bispo intelectual, informado, capaz de falar em auditórios muito diversificados e de escutá-los a todos, pronto para pensar as questões do presente conferindo-lhes largueza e horizonte, não é que não tivesse existido antes no Portugal contemporâneo, mas não era o mais comum.

D. José Policarpo foi o rosto de uma Igreja que conjuga a inteligência e a fé, que coloca em diálogo a tradição com a modernidade, que não desiste de entender e iluminar o presente do mundo. Uma das frases que repetia muitas vezes era que nada é tão prático como uma ideia clara, e isso também o define.

 

José Tolentino Mendonça
© SNPC | 12.03.14

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D. José Policarpo
Foto: D.R.

 

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