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Atenção: Cuidado com o Natal “zombie”

Atenção: Cuidado com o Natal “zombie”

Imagem D.R.

Começou a grande correria do Natal! O tiro de partida foi disparado a 24 de novembro, na “Black Friday”, e para muitas pessoas tem sido sempre sem parar desde então.

A correria é identificada pelas compras e por embrulhar presentes, acolher e participar em jantares e festas natalícias, recolher endereços e enviar postais (mais eletrónicos do que postais), montar e pendurar decorações, além de uma série de tarefas relacionadas e expetativas. E tudo isto no topo das já exigentes tarefas da vida.

Pode ser desgastante. Com efeito, quando chega o dia 25 de dezembro haverá pessoas que ficarão entorpecidas com a azáfama e estarão prontinhas para acabar com tudo. Na excessiva confusão e agitação, o calor espiritual e o significado desse dia santo estarão perdidos. Vencidos pelo Natal “zombie”.

Este Natal “zombie” é pior do que qualquer ataque da principal personagem de “Um conto de Natal”, de Charles Dickens, que apesar da frieza do seu coração e da sua ganância e avareza, reconhecia a importância da festa, ainda que a tentasse apoucar.



Ao reinvestir a nossa atenção e energia em Deus e na elevação das nossas almas, ressuscitaremos dentro de nós e recuperaremos de novo a alegria da existência humana e deste tempo natalício



As vítimas de um Natal “zombie” tornam-se apáticas e desligadas da realidade do nascimento de Jesus. Levaram uma tareia e vivem como mortas entre duendes, azevinho e enfeites. Recusando cantar os cânticos natalícios, estão anestesiadas pelas xaroposas melodias que se ouvem em todo o lado, indiferentes à excitação dos presentes e insensíveis às jubilosas saudações de “Feliz Natal”.

O Natal “zombie” começa quando o nascimento de Jesus Cristo e a paz, esperança e alegria do acontecimento são negligenciadas ou perdidas na alma humana. Sem esse núcleo, tudo se pode tornar num peso. A mente questiona: «Porque é que hei de ter todo este trabalho? Qual é o sentido?».

Após algum tempo, esse peso quebra a alma, que se torna comatosa às coisas externas que se tornaram dolorosamente exigidas e são consideradas excessivamente custosas em termos de energia emocional ou despesa financeira. E assim a alma adormece mas o corpo é levado na onda. A pessoa existe como se estivesse morta. Começa o Natal “zombie”.

O que é que pode ser feito? Como é que este ataque “zombie” pode ser prevenido?



O Advento é a maldição de todo o “zombie” que tenta cansar e secar a alma do conforto e da alegria do Natal. Ele oferece um rejuvenescimento da alma e uma ocasião para recordar a razão deste tempo santo



A resposta é simples e pode ser encontrada precisamente no que está ameaçado, nomeadamente o nascimento de Jesus Cristo e os altos sentimentos espirituais concedidos através dele. Ao reinvestir a nossa atenção e energia em Deus e na elevação das nossas almas, ressuscitaremos dentro de nós e recuperaremos de novo a alegria da existência humana e deste tempo natalício.

A Igreja oferece-nos ajuda nesta conversão. Na sua sabedoria, ela vê a correria de Natal e a possibilidade de um assalto “zombie” à Natividade, e por isso abençoa-nos com a orientação e auxílio do Advento.

O Advento é um período litúrgico ao longo de quatro domingos que oferece uma renovação nas coisas de Deus, uma revalorização do tempo e da eternidade, e uma reflexão sobre a narrativa bíblica do nascimento de Jesus e da sua segunda vinda. Ele convida-nos a desacelerar o ritmo da vida, a moderar as expetativas, a fazer uma pausa nas ansiedades deste tempo. É um período para a gratidão e generosidade, momentos de paz e oração, um reviver interior do significado do Natal, bem como uma redescoberta das bênçãos que podem ser encontradas nas variadas tradições e costumes deste tempo.

Este é o poder e a oportunidade do Advento. É a maldição de todo o “zombie” que tenta cansar e secar a alma do conforto e da alegria do Natal. O Advento oferece um rejuvenescimento da alma e uma ocasião para recordar a razão deste tempo santo.

Apesar de completamente perdido por alguns, ignorado por outros, ou ativamente desprezado por poucos, o Advento tem o seu lugar. Na contemporaneidade, especialmente, é uma paragem necessária para evitar a “zombificação” da nossa cultura e do tempo do Natal. É uma bênção, uma oportunidade, uma conversão, um momento que nos é dado para descansar e refletir, preparar espiritualmente os dias santos e para desfrutar e viver do presente da vida.



 

P. Jeffrey F. Kirby
In "Crux"
Trad. / edição: SNPC
Publicado em 07.12.2017

 

 
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