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Cuca Roseta: Nunca subo a um palco sem falar com Deus

Imagem Cuca Roseta | D.R.

Cuca Roseta: Nunca subo a um palco sem falar com Deus

«Foi Deus que me apontou o caminho»: em entrevista publicada na mais recente edição do semanário digital “Igreja Viva”, Cuca Roseta fala da relação entre a espiritualidade e o fado e recorda a “Avé-Maria” que interpretou diante do papa Bento XVI.

«Nunca subo a um palco sem falar uns segundos com Deus. Fico sozinha e peço apenas ajuda para ser um bom instrumento de amor e de paz através da minha voz», afirmou a cantora de 34 anos.

Formada em Psicologia Clínica, que não seguiu para se dedicar ao fado, Cuca Roseta considera que os artistas têm «a responsabilidade de fazer as pessoas parar»: «Esse também é um pouco o papel que a religião tem na nossa vida. Precisamos de parar, de respirar e pensar sobre aquilo que vivemos, aquilo que queremos fazer».

A preparar o quarto disco, Cuca Roseta está convicta de que as expressões artísticas podem transformar a existência: «Acho que a arte também é uma forma de nos encontrarmos com os nossos sentimentos e de repensarmos a nossa vida. Seja com lágrimas ou com um sorriso, a arte desperta e acorda estas emoções nas pessoas».

«Por isso, sem dúvida que é a minha missão, acho que é como a parábola dos talentos... Deus não nos dá os talentos sem nenhum sentido: se temos um, temos de o pôr em prática e este meu talento é realmente lindíssimo porque é apenas para dar. É muito gratificante ver como a nossa música muda a vida das pessoas», salientou.

A ligação à religião, recorda, começou na infância: «Eu sempre fui muito espiritual, desde pequenina sempre dediquei muito tempo à religião. Sempre gostei de estar muitas horas em silêncio, de rezar, de meditar, de estar sozinha numa igreja, na natureza, na praia... Acho que preciso muito disso, desse silêncio em mim».

«Preciso muito deste Divino, de dar um sentido àquilo que faço e à minha vida. E o fado é outra forma de eu me encontrar com Deus. Realmente é outro momento íntimo em que eu me sinto como um instrumento de Deus e que através de mim consigo dar alguma coisa aos outros», destacou.

A interpretação da “Avé-Maria fadista”, aquando da visita a Portugal do papa Bento XVI, em maio de 2010, no Terreiro do Paço, em Lisboa, foi um «dos momentos mais bonitos» da vida de Cuca Roseta, «não só pelo cenário lindíssimo, mas pela força que teve. É quase como cantar em Fátima, é lindíssimo quando os católicos se juntam, com esta espiritualidade, todos juntos».

«A Igreja católica é o meu porto seguro, é onde me sinto mais em paz, foi e é sempre lindo ver os católicos todos juntos e a força que tem a religião. Quando subi ao palco senti realmente uma emoção enorme para além do cenário lindíssimo que me rodeava, com os barcos e o rio atrás, os milhares e milhares de pessoas... E o Papa... ver o Papa era um sonho! Um sonho realizado», referiu.

A edição desta quinta-feira do semanário “Igreja Viva”, suplemento do jornal “Diário do Minho”, da arquidiocese de Braga, é a terceira consecutiva em que o tema de capa privilegia entrevistas a intérpretes jovens, depois de Miguel Araújo e Inês Herédia.

 

Rui Jorge Martins
Publicado em 04.03.2016

 

 

 
Imagem Cuca Roseta | D.R.
«Preciso muito deste Divino, de dar um sentido àquilo que faço e à minha vida. E o fado é outra forma de eu me encontrar com Deus. Realmente é outro momento íntimo em que eu me sinto como um instrumento de Deus e que através de mim consigo dar alguma coisa aos outros»
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