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Dia Mundial da Televisão: O Vaticano II e a “caixa que mudou o mundo”

Imagem D.R.

Dia Mundial da Televisão: O Vaticano II e a “caixa que mudou o mundo”

«Quando um católico conhecido, seja clérigo ou leigo, fala na Televisão ou na Rádio, é imediatamente considerado, pela opinião pública, como intérprete dos pontos de vista da Igreja. Portanto, ele deve estar ciente desta situação e procurar por todos os meios ao seu alcance evitar qualquer equívoco possível.»

Esta é uma das recomendações sobre a relação da Igreja católica com a televisão apresentadas na instrução pastoral "Communio et progressio".

O decreto "Inter mirifica" (IM), sobre os meios de comunicação social refletiu o pensamento do Concílio Vaticano II sobre a televisão. Foi promulgado a 4 de dezembro de 1963, cerca de oito anos após o início das emissões experimentais da RTP, em Portugal.

O n. 19 do "Inter mirifica" previa a publicação de uma instrução pastoral que, com «a colaboração de peritos de várias nações», aplicasse os princípios gerais aprovados no Vaticano II.

O documento, intitulado "Communio et progressio" (CP), foi aprovado a 23 de maio de 1971. O texto apresenta um conjunto de orientações específicas sobre a televisão no campo teórico e prático.

A Igreja católica em Portugal está presente na RTP-2 de segunda a sexta-feira, a partir das 15h30, através do programa “Ecclesia”, produzido pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, que também assume a responsabilidade do segundo programa mais antigo da televisão pública, o “70X7”, transmitido aos domingos, no mesmo canal, pelas 11h25.

A RTP-1 difunde aos domingos a missa, celebração que também é transmitida na TVI, seguindo-se, nesta estação, o programa “Oitavo dia”, realizado pelo Cón. António Rego.

No Dia Mundial da Televisão, 21 de novembro, instituído pela ONU em 1996, recordamos algumas das diretrizes aprovadas no Concílio Vaticano II, e na sua sequência, sobre “a caixa que mudou o mundo”.

 

Apoio às estações católicas

Preste-se (...) apoio eficaz às emissões radiofónicas e televisivas honestas, antes de mais àquelas que sejam apropriadas para as famílias. E fomentem-se com todo o interesse as emissões católicas, mediante as quais os ouvintes e os espectadores sejam estimulados a participar na vida da Igreja e se compenetrem das verdades religiosas. Com toda a solicitude, devem promover-se, onde for oportuno, as estações católicas; cuide-se, porém, que as suas transmissões primem pela sua perfeição e pela sua eficácia. (IM 14)

 

Formação e qualidade são essenciais

Para prover às necessidades acima indicadas hão de formar-se oportunamente sacerdotes, religiosos e também leigos, que possuam a devida perícia nestes meios e possam dirigi-los para os fins do apostolado. Em primeiro lugar, devem ser instruídos os leigos na arte, doutrina e costumes, multiplicando o número das escolas, faculdades e institutos, onde os jornalistas, autores cinematográficos, radiofónicos, de televisão e demais interessados possam adquirir uma formação íntegra, penetrada de espírito cristão, sobretudo no que toca à doutrina social da Igreja. Também os atores cénicos hão de ser formados e ajudados para que sirvam convenientemente, com a sua arte, a sociedade humana. Por último, hão de preparar-se cuidadosamente críticos literários, cinematográficos, radiofónicos, da televisão e outros meios, que dominem perfeitamente a sua profissão, preparados e estimulados para emitir juízos nos quais a razão moral apareça sempre na sua verdadeira luz. (IM 15)

 

Apoio financeiro

(...) Este sagrado Concílio chama a atenção para a obrigação de sustentar e auxiliar os diários católicos, as revistas e iniciativas cinematográficas, as estações e transmissões radiofónicas e televisivas, cujo fim principal é divulgar e defender a verdade, e prover à formação cristã da sociedade humana. Igualmente convida insistentemente as associações e os particulares, que gozam de uma grande autoridade nas questões económicas e técnicas, a sustentar com largueza e de bom grado, com os seus bens económicos e a sua perícia, estes meios, enquanto servem o aposto lado e a verdadeira cultura. (IM 17)

 

Transmissão de celebrações litúrgicas

Façam-se com discrição e dignidade, e sob a direção de pessoa competente, para tal designada pelos Bispos, as transmissões radiofónicas ou televisivas das ações sagradas, especialmente da Missa. (Sacrosanctum Concilium, 20)

 

Educação para o sentido crítico

Nunca é demasiado cedo para estimular o gosto artístico, nos jovens a apreciação crítica, a responsabilidade pessoal na escolha de leituras, filmes, emissões radiofónicas ou televisivas. São eles, com efeito, os mais vulneráveis e, por outro lado, o equilíbrio psicológico e a autodisciplina que adquirem na juventude servir-lhes-ão para toda a vida. (CP 67)

É útil que pais e educadores estejam ao corrente dos programas televisivos, filmes e publicações que mais entusiasmam os jovens, para os poderem discutir com eles, de modo a ir estimulando o seu juízo crítico. (CP 68)

 

Crítica televisiva

As apreciações críticas feitas às emissões de rádio ou televisão, filmes e revistas, muito podem contribuir para uma boa educação humana e cristã, bem como para um são discernimento do seu uso, sobretudo em família. É o caso de apreciações, contanto que sejam verdadeiramente competentes, feitas, a sugestão dos bispos, por organismos especializados, nas diferentes regiões, sobre a importância, utilidade, moralidade e valor cristão de filmes, emissões ou publicações. (CP 112)

 

Intervenção dos católicos na televisão

Bispos, Sacerdotes, Religiosos, Leigos e todos os que têm responsabilidades no seio do Povo de Deus são convidados insistentemente a escrever na imprensa, e a participar em emissões radiofónicas e televisivas. Esta representação pode trazer grandes benefícios para a opinião pública, mas exige perfeito conhecimento da índole e fins dos meios de comunicação. (CP 106)

Quando um católico conhecido, seja clérigo ou leigo, fala na Televisão ou na Rádio, é imediatamente considerado, pela opinião pública, como intérprete dos pontos de vista da Igreja. Portanto, ele deve estar ciente desta situação e procurar por todos os meios ao seu alcance evitar qualquer equívoco possível. A responsabilidade da sua missão diz respeito não só ao conteúdo das suas declarações, mas também à maneira de falar e de se comportar, que adotar. Finalmente, procure consultar as autoridades eclesiásticas, quando neste caso for possível. (CP 154)

 

Comunicação televisiva distingue-se da comunicação nos púlpitos

É evidente que a apresentação dos programas religiosos tem que se configurar com as características próprias do meio usado: a "linguagem" na rádio ou na televisão não pode ser um decalque da "linguagem" dos púlpitos. Seria também lamentável, se o nível dos programas de índole religiosa fosse inferior ao dos restantes programas. (CP 128)

As homilias e alocuções devem conformar-se com a natureza do programa. Quem for chamado a desempenhar esta função, deve ser cuidadosamente escolhido e possuir o devido conhecimento prático das técnicas de rádio e televisão. (CP 152)

 

Benefícios da televisão

A Rádio e Televisão proporcionam aos ouvintes e espectadores distração, cultura e notícias de todo o mundo. Sobretudo o espectador de Televisão acompanha os acontecimentos que se passam no mundo, como se ele mesmo estivesse presente. Finalmente, estes meios de comunicação criam um estilo artístico próprio, que não deixa de influenciar o homem moderno. (CP 148)

Os programas religiosos, adaptados à Rádio e Televisão, criam novas relações entre os cristãos, e um enriquecimento da vida religiosa. Contribuem para a educação cristã e para o empenho da Igreja no mundo. São úteis para doentes e pessoas idosas, que não podem participar diretamente na vida litúrgica. Estabelecem um elo de relação com todos os homens que, separados oficialmente da Igreja, buscam, contudo, alimento espiritual. Levam a mensagem do Evangelho às regiões onde a Igreja ainda não existe. A Igreja, portanto, deve-se esforçar para que tais programas sejam continuamente melhorados com novos recursos técnicos e artísticos. (CP 150)

 

Criação de secretariados nacionais

(...) Este sagrado Concílio estabelece e manda que em toda a parte se constituam e se apoiem, por todos os meios, secretariados nacionais para os problemas da imprensa, do cinema, da rádio e da televisão. A missão destes secretariados será de velar por que a consciência dos fiéis se forme retamente sobre o uso destes meios e estimular e organizar tudo o que os católicos realizem neste campo. (IM 21)

 

Edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 21.11.2014

 

 

 
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Para prover às necessidades hão de formar-se oportunamente sacerdotes, religiosos e também leigos, que possuam a devida perícia nestes meios e possam dirigi-los para os fins do apostolado
O Concílio chama a atenção para a obrigação de sustentar e auxiliar os diários católicos, as revistas e iniciativas cinematográficas, as estações e transmissões radiofónicas e televisivas, cujo fim principal é divulgar e defender a verdade, e prover à formação cristã da sociedade humana
É útil que pais e educadores estejam ao corrente dos programas televisivos, filmes e publicações que mais entusiasmam os jovens, para os poderem discutir com eles, de modo a ir estimulando o seu juízo crítico
Bispos, Sacerdotes, Religiosos, Leigos e todos os que têm responsabilidades no seio do Povo de Deus são convidados insistentemente a escrever na imprensa, e a participar em emissões radiofónicas e televisivas
É evidente que a apresentação dos programas religiosos tem que se configurar com as características próprias do meio usado: a "linguagem" na rádio ou na televisão não pode ser um decalque da "linguagem" dos púlpitos
A Rádio e Televisão proporcionam aos ouvintes e espectadores distração, cultura e notícias de todo o mundo. Sobretudo o espectador de Televisão acompanha os acontecimentos que se passam no mundo, como se ele mesmo estivesse presente
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