Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Concerto: Sete palavras, Stabat Mater

Imagem D.R.

Concerto: Sete palavras, Stabat Mater

«"Uma Dor Mediterrânica ou "Uma dor que não conhece ocaso" - uma visão da piedade culta e popular sobre o tema das Sete Palavras e do Stabat Mater na tradição ibérica.

Ao compor musicalmente as Siete Palabras de Cristo en la Cruz, Francisco Javier García Fajer (1730-1809) situa-se dentro de uma tradição antiga em Espanha (remontando até ao Século XVI). Mas a grande diferença encontra-se na forma, invulgar e só aparentemente incomum, com que Garcia trata o texto musical e “literário”; duas vozes de soprano e cordas descrevem e sublinham aquelas que são verdadeiras meditações, escritas em castelhano, relativamente ao conteúdo de cada uma das palavras do Senhor. A peça abre com uma introdução que nos prepara para a “dramaturgia”, acabando numa verdadeira “Liturgia da Palavra” com uma das vozes a declamar sozinha, sem acompanhamento, os últimos versos deixando o espaço no mais completo silencio.

José Joaquim dos Santos (1747-1801), no seguimento de uma tradição devocional muito longa, compôs vários Stabat Mater, o último dos quais foi publicado em Lisboa com a data de 1792 e com o título de Stabat Mater a três voces, Dois Supranos, Baxo, com duas Violetas e Violoncelo, sendo a única peça de música sacra publicada em Lisboa na segunda metade do século XVIII. Ela acaba por corresponder ao estilo italiano, então largamente difundido em Portugal, graças à presença neste país de grandes compositores, entre os quais se destaca o italiano David Perez, e ainda ao envio de estagiários portugueses a Itália que de lá trouxeram abundantemente o gosto e o estilo.

Trata-se de uma peça, de origem litúrgica (sequência da Missa), que canta o sofrimento da Mãe de Cristo, de pé junto da Cruz, que o crente pretende partilhar, na intenção de obter a sua intercessão na hora da morte. Utilizado fora da Liturgia, em novenas devocionais, deu origem a grandes composições, de que ficou modelar, no estilo barroco, a de Pergolesi. E pode ter sido a execução deste em Lisboa em 1787, que motivou de perto esta nova composição de José Joaquim dos Santos. De facto, ele utiliza basicamente a mesma forma musical de Pergolesi, convertendo as 22 estrofas da sequência em 12 andamentos distribuídos por três, dois ou apenas um solista. Este compositor, “Mestre da Muzica do Real Seminario da Santa Igreja Patriarcal e compositor da mesma”, que não esteve propriamente em Itália, soube utilizar subtilmente, além da forma, os mesmos barroquismos estilísticos de Pergolesi no tratamento das palavras e dos versos da antiga sequência litúrgica, como se poderá apreciar neste concerto» (In Largo Alto).


Obras: "Siete palabras de Cristo en la cruz" (Francisco García Fajer); "Stabat Mater" (José Joaquim dos Santos)
Interpretação: Divino Sospiro: Barbara Barradas, soprano; Lucia Napoli, mezzo soprano; André Baleiro, barítono


Data: 21.4.2017
Hora: 21h00
Local: Lisboa, igreja do Menino de Deus

 

Publicado em 19.04.2017

 

 
Imagem D.R.
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Papa Francisco
Teologia e beleza
Impressão digital
Pedras angulares
Paisagens
Umbrais
Evangelho
Vídeos