

O Palácio Nacional de Ajuda, em Lisboa, acolhe esta sexta-feira e sábado um colóquio que «pretende reavaliar e fomentar novos olhares sobre o papel da Patriarcal no âmbito da promoção da música e das artes visuais».
A iniciativa, no contexto dos 300 anos do Patriarcado de Lisboa, que se assinalam em 2016, abrange os primeiros 120 anos da instituição (1716-1834) e visa determinar o impacto das artes quer na «funcionalidade cerimonial», quer «para além do estrito âmbito cortesão e eclesiástico».
«Contrariando a tendência para uma abordagem compartimentada por áreas do saber, pretende-se promover uma abordagem transversal, devidamente contextualizada no âmbito da história política, religiosa e cultural, englobando vários domínios artísticos, bem como situar o caso português no panorama internacional», refere o texto de apresentação do colóquio "A música e as arte visuais na Patriarcal de Lisboa (1716-1834)".
A nota de enquadramento recorda que «a elevação da Capela Real de Lisboa à dignidade de basílica metropolitana e patriarcal em 1716 no âmbito das complexas relações políticas, diplomáticas e eclesiásticas entre D. João V e a Santa Sé constitui uma especificidade singular no panorama europeu ao proporcionar a fusão da capela de corte (instituição paralela à das restantes monarquias do Antigo Regime, que assim passava a incorporar a mais alta hierarquia da igreja portuguesa) com o sumptuoso cerimonial inspirado nos modelos rituais e estéticos das Capelas e Basílicas Pontifícias».
«Espaço privilegiado de representação simbólica que aspirava a emular o Vaticano, a Capela Real e Patriarcal de Lisboa combinava numa lógica de "obra de arte total" a pompa litúrgica e o cerimonial áulico, as artes plásticas e a teatralidade do ritual sacro, o poder retórico da palavra e da música. Como escreveu João Baptista de Castro, nela exercitou D. João V "novas grandezas que já pareciam impossíveis à imaginação"», assinala o texto.
O programa do colóquio, organizado pelo Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, e Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, inclui, na sexta-feira, às 15h30, uma intervenção do cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, sobre os 300 anos do patriarcado.
No mesmo dia, às 18h30, realiza-se o concerto comemorativo do 10.º aniversário da Capella Patriarchal, com direção musical de João Vaz.
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