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Cardeal dos EUA junta-se a migrante mexicano para deter expulsão

Cardeal dos EUA junta-se a migrante mexicano para deter expulsão

Imagem Catalino Guerrero, ao centro, acompanhado pelo senador Bob Menendez (esquerda) e pelo cardeal Joseph Tobin | © AP/JULIO CORTEZ

O cardeal Joseph Tobin, arcebispo de Newark, na região metropolitana de Nova Iorque, tomou esta sexta-feira posição a favor de milhares de migrantes ameaçados de expulsão nos EUA ao juntar-se a um deles, oficialmente convocado para lhe ser retirado o passaporte.

No exterior do edifício do departamento de imigração de Newark, onde o prelado esteve com o mexicano Catalino Guerrero, decorreu uma manifestação que contou com representantes de outras confissões cristãs, bem como das comunidades judaica e muçulmana.

A ação conjunta obteve um primeiro resultado: o migrante, pelo menos por agora, poderá continuar nos EUA, mas deverá apresentar-se numa nova audiência, marcada para maio.

A história de Guerrero é simbólica nos EUA de hoje: com 59 anos, Catalino chegou ilegalmente ao país no longínquo 1991, devido a motivos ligados à pobreza e insegurança na sua terra de origem.

Vive há 25 anos em Union City, próximo de New Jersey, onde é membro da paróquia de Santo Agostinho. Pai de quatro filhos e avô de igual número de netos, nunca teve problemas com a justiça, e para o fisco é também um contribuinte, mas nunca regularizou a sua situação.



«Hoje estamos aqui para trazer o nosso testemunho e apelar à consciência do nosso país, para que seja poupado este homem e muitos outros como ele, que têm como única culpa procurarem uma vida melhor para a própria família»



Guerrero recebeu em 2009 ordem de expulsão, suspensa sob condição de se apresentar às autoridades. O adiamento deveu-se também a razões de saúde, já que é diabético e sofreu um derrame cerebral.

Recentemente foi controlado por uma agência federal, que verificou o seu estatuto de cidadão estrangeiro sem a devida documentação, pelo que foi convocado para entregar o passaporte e, em consequência, ser expulso dos EUA.

Em sua defesa, o migrante contou com a Pico National Network, uma das maiores organizações inter-religiosas americanas, que despertou a atenção da comunicação social para o caso.

É no interior desta mobilização que se insere o gesto do cardeal Tobin: «Como líderes religiosos somos chamados a reconhecer e apoiar a dignidade de cada indivíduo como uma pessoa única no mundo e, ao mesmo tempo, a combater toda a tentativa de demonizar ou indicar publicamente os refugiados como ameaças sinistras e privadas de um rosto», declarou.

«Hoje estamos aqui para trazer o nosso testemunho e apelar à consciência do nosso país, para que seja poupado este homem e muitos outros como ele, que têm como única culpa procurarem uma vida melhor para a própria família».

Após meia hora de audiência a Guerrero foi-lhe concedida a possibilidade de permanecer, pelo menos provisoriamente, nos EUA. Voltará ao departamento em maio com a indicação de que poderá permanecer no país até demonstrar que tem um emprego. Uma primeira vitória que todos os que apoiaram a sua batalha esperam que possa constituir um precedente para muitos outros casos semelhantes.



 

Giorgio Bernardelli
In "Vatican Insider"
Edição: SNPC
Publicado em 11.03.2017

 

 

 
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