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Cinema: "Cantar!"

Cinema: "Cantar!"

Imagem Cartaz (det.) | D.R.

É o ano do grande regresso do musical. Percebemo-lo em Veneza, com "La la land - Melodia de amor", de Damien Chazelle, com estreia prevista para Portugal no fim de janeiro, e que comanda com sete nomeações a corrida aos Globos de Ouro e que, seguramente, será um dos protagonistas dos Óscares.

A tendência é confirmada pelo novo trabalho animado pela Illumination Entertainment, que com "Cantar!" apresenta a sua primeira verdadeira obra-prima, sem menosprezar "Gru - O maldisposto", "Mínimos/Minions" e "A vida secreta dos nossos bichos".

Situado num mundo como o nosso, mas inteiramente habitado por animais, "Cantar" surpreende logo desde os primeiros segundos graças a longas cenas espetaculares que nos acompanham pelos vários ângulos da cidade (parece São Francisco), à descoberta daqueles que depois serão os verdadeiros protagonistas da história.

Em primeiro lugar, o coala Buster Moon, dono de um teatro em tempos glorioso mas agora caído na desgraça: assediado pelos credores e respetivas dívidas, Buster - otimista delirante que ama o seu teatro mais do que qualquer outra coisa no mundo - decide fazer uma última tentativa para levar a sua joia aos antigos esplendores, organizando o mais extraordinário concurso de canto que se possa imaginar.



A fórmula de "Cantar!" é muito simples mas não é por isso que é banal, lançando o olho aos vários concursos de talentos que nos últimos anos passam nas televisões, atraindo assim faixas de público sem idade



Entra depois em cena a idosa e senil secretária de Buster, a senhora Karen Crawley (cuja voz, na versão original, é a do realizador do filme, Garth Jennings), iguana tremeluzente e com um olho de vidro, que envia por correio milhares de folhetos para as audições que anunciam 100 mil dólares de prémio, quando o orçamento não passava dos mil. Com este aliciante, a fila para o concurso é quilométrica.

O verdadeiro divertimento começa precisamente aqui. Ou quando o trabalho sobre imagens, personagens e música se torna numa osmose que regula, até ao fim do filme, a pulsação animal do filme. Que se centra, naturalmente, na notável caracterização antropomorfa dos cinco concorrentes que superam as provas de seleção.

São eles o gorila Johnny, que deseja libertar-se da vida de gangster para ele prevista pelo pai, a porco-espinho Ash, guitarrista punk/rock subvalorizada pelo companheiro, Mike, rato vigarista e trapaceiro mas com voz de Sinatra, Rosita, mãe de 25 leitõezinhos esgotada e ignorada pelo marido, que saberá finalmente libertar-se a si própria graças ao companheiro Gunter, e Meena, tímida elefante adolescente mais do que dotada para o canto mas de tal modo amedrontada pelo palco que arrisca nunca se dar a conhecer.

A fórmula de "Cantar!" é muito simples mas não é por isso que é banal, piscando o olho aos vários concursos de talentos que nos últimos anos passam nas televisões, atraindo assim faixas de público sem idade.



Será impossível não se deixar fascinar pela atuação do gorila John (Egerton), com "I'm still Standing", de Elton John, ou pela versão de "Don't you worry 'bout a thing", de Stevie Wonder, interpretada pela elefantina (Tori Kelly) (que pouco antes deslumbra cantando "Hallelujah", de Leonard Cohen)



São mais de 60 as canções que, por inteiro ou em breves trechos, são utilizados, numa retrospetiva que vai dos grandes clássicos da música americana dos anos 50 aos sucessos mais recentes, acabando com a inédita "Faith", de Stevie Wonder e Ariana Grande, ouvida nos créditos finais do filme.

Mas não é só uma superficial sequela de canções que caracteriza esta joia: é a sábia distribuição da música, inclusive do ponto de vista emotivo, a tornar única a obra, embelezada por um coro de vozes originais (de Matthew McConaughey a Reese Whiterspoon, da Scarlett Johansson a Taron Egerton, da Seth MacFarlane a Tori Kelly, a única cantora profissional) e por surpreendentes coreografias.

E será impossível não se deixar fascinar pela atuação do gorila John (Egerton), com "I'm still Standing", de Elton John, ou pela versão de "Don't you worry 'bout a thing", de Stevie Wonder, interpretada pela elefantina (Tori Kelly) (que pouco antes deslumbra cantando "Hallelujah", de Leonard Cohen), para não falar de "My way", de Sinatra, executada pelo rato (MacFarlane).  É coisa para deitar abaixo um teatro. Ou melhor, capaz de o reconstruir sobre as próprias cinzas. Emocionante e divertido, a não perder. Aplausos.









 

Valerio Sammarco
In "Cinematografo"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 22.12.2016

 

Título: Cantar!
Realizador: Garth Jennings
Vozes: Matthew McConaughey, Scarlett Johansson, Taron Egerton
Género: Animação, comédia
País, ano: EUA, 2016
Duração: 110 min.
Faixa etária: M/6

 

 
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