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Caminhos de futuro para a Economia

Ouvimos repetir todos os dias que o País está em crise. O que não ouvimos com clareza é o significado desta afirmação. A crise está a ser amplificada pela ansiedade, pela falta de Confiança, pela falta de Esperança. Falta de confiança nos mercados financeiros, nos negócios em geral, nas instituições e, talvez mais importante, falta de confiança na capacidade de cada um de nós construir um caminho de futuro. Precisamos de Confiança hoje e de Esperança para amanhã.

Hoje não temos dúvidas de que a base para o crescimento da economia são instituições saudáveis. Já Adam Smith era muito claro sobre a importância da confiança entre as diferentes partes para o funcionamento eficiente do sistema. E essa Confiança constrói-se com o tempo, através de tradição e cultura, mas também através de instituições que a apuram e defendem. Estas instituições alimentam padrões culturais de conduta como esforço, austeridade, honestidade, confiança, criatividade e responsabilidade pessoal e social.

As reformas profundas e extensivas das instituições levam tempo a pôr em prática e a maturar. E podem não ser o modo mais imediato e direto de aumentar o crescimento da economia. Por outro lado sabemos que, politicamente, iniciar aquelas reformas será muito mais fácil num ambiente de crescimento do que estagnação. Assim, estratégias de crescimento de sucesso devem ser baseadas em dois esforços conjuntos: uma estratégia de curto prazo para estimular o crescimento e uma estratégia de longo prazo para sustentar o crescimento.

Por isso, o que sabemos de economia leva-nos a uma aposta na Confiança hoje e na Esperança para amanhã.

A questão pode pôr-se simplesmente como: Queremos seguir, como dizia St. Irenaeus of Lyons, «a antiga lei da liberdade humana» para conduzir as nossas próprias vidas e sermos responsáveis perante Deus, a Família e os vizinhos? Ou queremos desistir desse dom sem preço em troca de promessas falsas? Ou de outra forma, queremos desistir da Liberdade que implica Responsabilidade?

É fácil? Não, é extremamente difícil e sabemos pouco sobre o caminho. Mas também sabemos que para problemas complexos não há soluções simplistas, nem perfeitas. Que o caminho se faz de pequenos passos, passos pequenos e simples, que são os que cada um de nós pode dar. Que a resiliência é uma condição fundamental para o sucesso. Não a teimosia, mas a capacidade de ser capaz de corrigir caminho, de aliviar a carga e recomeçar só com o que provou valer a pena.

O caminho de futuro passa por irmos intuindo que é essencial que o Homem tenha uma visão otimista de si próprio, porque tem uma visão otimista do seu Futuro; porque o Homem desiludido e pessimista é um ser inerte, sujeito a todas as renúncias, a todas as derrotas. Na economia altamente competitiva em que operamos, observamos um aumento da importância do risco e da responsabilidade individual. As lições do welfare state do século XX são que está na hora de substituir um sistema de dependência por um sistema de incentivos. Só assim será possível relançar laços de confiança, individuais, interpessoais e institucionais, essenciais para o desenvolvimento sustentado e para a solidariedade social.

 

Este artigo integra a edição n.º 21 do “Observatório da Cultura”.

 

Isabel H. Correia
Catedrática da Faculdade de Economia e Gestão, Universidade Católica Portuguesa
© SNPC | 29.04.14

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