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Cada pessoa «é uma história de amor que Deus escreve», afirma papa

Cada pessoa «é uma história de amor que Deus escreve», afirma papa

Imagem "Cristo aparece a Maria Madalena" (det.) | Jan Brueghel, o Novo

«A existência cristã não é tecida de felicidades macias, mas de ondas que varrem tudo»; «há um Deus próximo de nós que nos chama pelo nome e nos diz: "Reergue-te, para de chorar, porque vim libertar-te"»; «o nosso Deus é um sonhador».

Estas foram algumas das palavras inspiradoras que o papa proferiu esta manhã, no Vaticano, na audiência geral, que dedicou a Santa Maria Madalena, mulher «teimosa» que não se deixou convencer pela primeira visita ao sepulcro vazio e se converteu em «apóstola da nova e maior esperança».

«Hoje encontramos aquela que, segundo os Evangelhos, viu em primeiro lugar Jesus ressuscitado. Maria Madalena. Tinha terminado há pouco o descanso do sábado. No dia da paixão não tinha havido tempo para completar os ritos fúnebres; por isso, naquela aurora repleta de tristeza, as mulheres vão ao túmulo de Jesus com os uguentos perfumados.

A primeira a chegar é ela: Maria de Magdala, uma das discípulas que tinham acompanhado Jesus desde a Galileia, colocando-se ao serviço da Igreja nascente. No seu trajeto para o sepulcro reflete-se a fidelidade de muitas mulheres que durante anos são devotas dos caminhos dos cemitérios, em memória daqueles que já não existem. Os laços mais autênticos não são quebrados nem sequer pela morte: há quem continua a querer bem, mesmo se a pessoa amada se foi para sempre.



Como é belo pensar que a primeira aparição do Ressuscitado tenha ocorrido de um modo tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e desilusão, que se comove por nós e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho



O Evangelho descreve Madalena colocando desde logo em evidência que não era uma mulher de entusiasmos fáceis. Com efeito, após a primeira visita ao sepulcro, ela volta desiludida para o lugar onde os discípulos se escondia; informa que a pedra tinha sido deslocada da entrada do sepulcro, e a sua primeira hipótese é a mais simples que se pode formular: alguém deve ter roubado o corpo de Jesus. Assim o primeiro anúncio que Maria leva não é o da ressurreição, mas de um furto que desconhecidos perpetraram, enquanto toda a Jerusalém dormia.

Depois os Evangelhos narram uma segunda viagem de Madalena para o sepulcro de Jesus. Era teimosa, foi e voltou, não se convencia. Desta vez o seu passo é lento, pesadíssimo. Maria sofre duplamente: antes de tudo pela morte de Jesus, e depois pelo inexplicável desaparecimento do seu corpo.

E enquanto está inclinada para o túmulo, com os olhos repletos de lágrimas, Deus surpreende-a da maneira mais inesperada. O evangelista João sublinha o quanto é persistente a sua cegueira: não se dá conta da presença de dois anjos que a interrogam e nem sequer suspeita ao ver o homem nas suas costas, que pensa ser o jardineiro. Em vez disso descobre o acontecimento mais impressionante da história humana quando finalmente é chamada pelo nome: "Maria!".



Jesus não é alguém que se adapta ao mundo, tolerando que nele perdurem a morte, a tristeza, o ódio, a destruição moral das pessoas. O nosso Deus não é inerte, e quero usar esta palavra, o nosso Deus é um sonhador, sonha a transformação do mundo e realizou-a no mistério da ressurreição.



Como é belo pensar que a primeira aparição do Ressuscitado tenha ocorrido de um modo tão pessoal! Que há alguém que nos conhece, que vê o nosso sofrimento e desilusão, que se comove por nós e nos chama pelo nome. É uma lei que encontramos esculpida em muitas páginas do Evangelho. Em torno de Jesus há muitas pessoas que procuram Deus; mas a realidade mais prodigiosa é que, muito antes, é Deus que se preocupa pela nossa vida, quer reerguê-la, e para fazer isso chama-nos pelo nome, reconhecendo o rosto pessoal de cada um. Cada homem é uma história de amor que Deus escreve sobre esta terra. Cada um de nós é uma história de amor, a cada um de nós Deus chamam pelo próprio nome, conhece-nos com o nosso nome, olha-nos, chama-nos, perdoa-nos, tem paciência infinita connosco.

"Maria!": a revolução da sua vida, a revolução destinada a transformar a existência de cada homem e mulher, começa com um nome que ecoa do jardim do sepulcro vazio. Os Evangelhos descrevem-nos a felicidade de Maria: a ressurreição de Jesus não é uma alegria dada a conta-gotas, mas uma cascata que atinge toda a vida. A existência cristã não é tecida de felicidades macias, mas de ondas que varrem tudo. Experimentai pensar, também vós, neste instante, com a bagagem de desilusões e derrotas que cada um de nós traz no coração, que há um Deus próximo de nós que nos chama pelo nome e nos diz: "Reergue-te, para de chorar, porque vim libertar-te!". É belo isto!

Jesus não é alguém que se adapta ao mundo, tolerando que nele perdurem a morte, a tristeza, o ódio, a destruição moral das pessoas. O nosso Deus não é inerte, e quero usar esta palavra, o nosso Deus é um sonhador, sonha a transformação do mundo e realizou-a no mistério da ressurreição.

Maria desejava abraçar o seu Senhor, mas Ele está desde então orientado para o Pai celeste, enquanto ela é enviada a levar o anúncio aos irmãos. E assim aquela mulher, que antes de encontrar Jesus estava à mercê do maligno, torna-se agora apóstola da nova e maior esperança. A sua intercessão nos ajude a viver também nós esta experiência: na hora do pranto e do abandono, escutar Jesus ressuscitado que nos chama pelo nome, e com o coração repleto de alegria ir anunciar: «Vi o Senhor!», mudei de vida porque vi o Senhor, agora sou diferente do que era antes porque vi o Senhor, sou diferente! Esta é a nossa força e esta é a nossa esperança!»









 

Papa Francisco
Audiência geral, Vaticano, 17.5.2017
Trad.: SNPC
Publicado em 17.05.2017

 

 
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