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Bispos propõem questionamentos aos católicos antes de eleições

Bispos propõem questionamentos aos católicos antes de eleições

Imagem Casas do Parlamento britânico | Londres, Inglaterra | BILLPERRY/Bigstock.com

Duas páginas com parágrafos que só excecionalmente ultrapassam três linhas constituem o formato de uma carta que os bispos católicos de Inglaterra e Gales publicaram a propósito das eleições legislativas marcadas para 8 de junho.

São 10 os tópicos apontados pelo episcopado, que apesar de serem dirigidos à realidade britânica e a uma ocasião específica, podem servir de inspiração para avaliar o desempenho de um governo e as posições assumidas pela oposição em muitos países.

A primeira parte da missiva começa por recordar aos católicos que a crença em Deus implica responsabilidades na vida da sociedade, apresentando, nesse sentido, um excerto do n.º 183 da exortação apostólica "A alegria do Evangelho", do papa Francisco:

«Uma fé autêntica (...) comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela. Amamos este magnífico planeta, onde Deus nos colocou, e amamos a humanidade que o habita, com todos os seus dramas e cansaços, com os seus anseios e esperanças, com os seus valores e fragilidades. A terra é a nossa casa comum, e todos somos irmãos».



«Qual a posição dos seus candidatos em relação ao futuro dos cidadãos da União Europeia no Reino Unido e quanto aos direitos recíprocos para os cidadãos do Reino Unido na União Europeia?»



Seguidamente, os prelados apelam à participação no escrutínio: «Por favor, vote. O seu voto é uma questão de consciência. É o seu julgamento sobre tudo o que Deus quer de nós, quer pessoalmente quer como sociedade».

Depois de desenvolver quatro princípios gerais extraídos da citação, a carta lança questões para discernimento pessoal e para serem debatidas com os candidatos ou os seus apoiantes.

A primeira diz respeito ao "Brexit", defendido pelo partido da primeira-ministra, Theresa May: «Há mais de três milhões de cidadãos da União Europeia a viver no Reino Unido e cerca de um milhão de cidadãos britânicos a viverem noutros países da União. Qual a posição dos seus candidatos em relação ao futuro dos cidadãos da União Europeia no Reino Unido e quanto aos direitos recíprocos para os cidadãos do Reino Unido na União Europeia?».

Sobre a família e a vida, os bispos assinalam que em 2015 o parlamento «votou esmagadoramente a proteção às pessoas mais vulneráveis da sociedade, impedindo a legalização da morte assistida. Os seus candidatos apoiam esta decisão? (...) Que políticas propõem os seus candidatos para o florescimento da vida familiar?».



A ajuda aos mais pobres no mundo não é esquecida, com os prelados a realçar que a contribuição do país «salva vidas e ajuda as pessoas a sair da pobreza», pelo que os eleitores são chamados a saber se os candidatos se comprometem na proteção e ampliação do orçamento para o desenvolvimento de países carenciados



No âmbito da justiça, o documento sublinha que «numa sociedade civilizada as prisões devem ser lugares de redenção e reabilitação», e no entanto o sistema prisional britânico enfrenta «níveis de violência e suicídio sem precedentes»; «os seus candidatos apoiam a reforma urgente das prisões e melhores recursos?».

O episcopado interroga igualmente como é que os candidatos vão garantir um «justo sistema migratório para pessoas que querem entrar e trabalhar no Reino Unido», mencionando também o acolhimento aos refugiados e a quem procura asilo, nomeadamente em relação à promessa de reinstalar, até 2020, pelo menos 20 mil sírios.

«Os seus candidatos vão trabalhar para assegurar que este compromisso é mantido e serão consideradas opções para o expandir? Vão promover uma sociedade acolhedora e lutar contra o crime de ódio?», interrogam.

O texto lembra que milhões de pessoas são perseguidas, no mundo, por causa das suas crenças religiosas, e questionam como é que os candidatos pretendem promover a liberdade religiosa e que medidas podem tomar como prioritárias no contexto da política externa do Reino Unido para proteger as minorias religiosas.



«Há muitas outras questões que irá considerar. Em todas por favor tenha em conta não só o seu impacto em si e na sua família, mas também no resto do mundo»



A ajuda aos mais pobres no mundo não é esquecida, com os prelados a realçar que a contribuição do país «salva vidas e ajuda as pessoas a sair da pobreza», pelo que os eleitores são chamados a saber se os candidatos se comprometem na proteção e ampliação do orçamento para o desenvolvimento de países carenciados.

Mas não só no exterior: «Há muitos nas nossas comunidades que são financeiramente vulneráveis e lutam para sobreviver ou precisam de habitação digna. Qual é a posição dos seus candidatos na ajuda aos mais pobres, em termos de saúde, proteção social e habitação? De que forma é que apoiarão pessoas com problemas de saúde mental? Como é que financiarão esses serviços?».

No domínio da educação, os candidatos apoiam a escolha dos pais para a educação dos filhos? E apoiam as escolas católicas como parte de uma educação baseada na fé?

Por fim, o episcopado detém-se sobre as formas atuais de servidão humana: «Como é que o seu candidato dará apoio político à luta contra a escravidão moderna e melhor assistência para as suas vítimas?».

«Há muitas outras questões que irá considerar. Em todas por favor tenha em conta não só o seu impacto em si e na sua família, mas também no resto do mundo. O Reino Unido tem uma longa e digna tradição de generosidade e justiça. Os valores contidos nestas questões são fundamentais para o nosso estilo de vida e para o bem da nossa sociedade», assinalam os bispos.

A carta termina com uma oração para que Deus conceda a «sabedoria para agir sempre com integridade», visando a «proteção» de todos e a construção de «uma sociedade baseada na justiça e na paz».



 

SNPC
Fonte: "Igreja católica em Inglaterra e Gales"
Publicado em 16.05.2017

 

 
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