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Bispo viveu como sem-abrigo durante 36 horas

Imagem D. Donald Bolen (à direita) | © Diocese de Saskatoon

Bispo viveu como sem-abrigo durante 36 horas

Pediu esmola na rua para poder comer. Viveu a dificuldade de encontrar um lugar para se lavar ou pedir uma receita. Passou a noite num dormitório público. Tudo dificuldades diárias na vida de um sem-abrigo; mas é menos habitual quando quem passa por esses apuros é um bispo diocesano, como aconteceu durante 36 horas com D. Donald Bolen, à frente da diocese de Saskatoon, no Canadá, e que segunda-feira foi nomeado arcebispo de Regina pelo papa Francisco.

Aos 55 anos, Donald Bolen, antigo colaborador do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, no Vaticano, aderiu em meados de junho a uma iniciativa de sensibilização para os problemas das pessoas sem abrigo, promovida por uma instituição local não lucrativa, Sanctum Care Group, dedicada à assistência aos doentes de SIDA.

O organismo envolveu dez personalidades da cidade de Saskatoon, três mil km a oeste de Otava: do chefe da comunidade dos nativos ao professor universitário, do cantor "folk" ao ex-agente da polícia, até ao bispo, que também integra a direção da instituição. A todos pediram para viverem incógnitos, durante um dia e meio, na rua, com roupa usada e sem dinheiro, apenas com um telemóvel para poderem ser permanentemente localizados. Cada um tinha um conjunto de tarefas a realizar, para condensar a vida concreta de uma pessoa sem-abrigo.

Concluídas as 36 horas, os voluntários foram convocados para um jantar de gala, realizado com o objetivo de recolher fundos para um novo centro de cuidados pré-natais a filhos de mães seropositivas, bem como para escutar cada um dos participantes a contar o que tinham vivido.

«A sensação mais forte foi experimentar toda a vulnerabilidade das situações em que nos encontramos. No bairro em que vivo há muitas situações de que conheço a existência, de que ouvi falar; mas aqui encontrei forma de estar junto delas, de experimentar a dureza e a dor que há a poucos passos da minha casa, como também a alegria das relações simples entre as pessoas», declarou.

«Abrandar o passo e estar verdadeiramente presente nas ruas do bairro faz-me compreender muitas coisas», acrescentou o prelado, que teve como uma das experiências mais fortes a de estar sentado no chão, com um chapéu voltado para cima, a pedir esmola, no centro da cidade. «Foi a experiência da invisibilidade dos sem-abrigo e de quem quer que seja pobre ou frágil.»

Quando em 2009 o papa Bento XVI o ordenou bispo, Donald Bolen escolheu para moto uma frase do monge norte-americano Thomas Merton que resumia o olhar de Deus sobre o profeta Jonas: "Misericórdia na misericórdia na misericórdia".

Em entrevista à Rádio Vaticano após a nomeação de Francisco, o próximo arcebispo de Regina afirmou que continuará «a servir quantos vivem nas margens e nas periferias», com particular atenção para as populações nativas: «Procurarei caminhar com elas, aprendendo delas e comprometendo-me na forma de diálogo que é possível atualmente».

 

Giorgio Bernardelli
In "Vatican Insider"
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Publicado em 30.08.2016

 

 
Imagem D. Donald Bolen (à direita) | © Diocese de Saskatoon
«Abrandar o passo e estar verdadeiramente presente nas ruas do bairro faz-me compreender muitas coisas», acrescentou o prelado, que teve como uma das experiências mais fortes a de estar sentado no chão, com um chapéu voltado para cima, a pedir esmola, no centro da cidade. «Foi a experiência da invisibilidade dos sem-abrigo e de quem quer que seja pobre ou frágil»
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