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Bispo responsável pela Cultura lamenta imagens «negativas» do desporto e diz que Mundial de futebol é oportunidade de reflexão

O presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais lamentou hoje «as evidências de imagens tremendamente negativas» do desporto «e que apagam, ou pelo menos escondem, os verdadeiros valores» a que é chamado.

As palavras de D. João Lavrador foram proferidas na abertura da 14.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, organizada pelo respetivo Secretariado Nacional, que este sábado debate em Fátima o tema “Desporto – Virtudes e riscos”.

«Certamente, agora que estamos prestes a iniciar o Mundial 2018 [de futebol], a oportunidade desta reflexão é de todos reconhecida e necessária para nos consciencializarmos mais e melhor para uma valorização do desporto em beneficio da pessoa e da sociedade, atendendo aos valores necessários para a promoção da dignidade humana e a do bem comum», sublinhou no texto "A Cultura do Desporto e o Desporto na Cultura" (cf. intervenção integral em Artigos relacionados).

«Quando nos referimos ao desporto no âmbito da pastoral da cultura, estamos certamente a reconhecer a sua importância na edificação da pessoa e da sociedade atendendo ao desenvolvimento global do homem e da sociedade orientada para o bem comum e alicerçada nos verdadeiros valores que integram o Reino de Deus», frisou.



«Que o desporto não seja um fator de conflito ou de divisão nas famílias ou um obstáculo para o encontro, a partilha e a solidariedade familiar; que o futebol não seja um fator de alienação»



O prelado, bispo de Angra, faz referência à nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa intitulada “O Desporto ao serviço da construção da pessoa e do encontro dos povos”, de novembro de 2003, por ocasião do campeonato europeu de futebol que Portugal acolheu em junho e julho do ano seguinte.

«Preocupados em contribuir para uma cultura que faça do “jogo” em geral e do futebol em particular um verdadeiro instrumento de realização do homem integral e de encontro de povos», os bispos expressavam o desejo de que «os atletas continuem a dignificar o mundo do desporto, oferecendo-lhe, não só o melhor das suas forças físicas, mas também, e sobretudo, promovendo, com o seu comportamento dentro e fora do campo, os valores da lealdade, da solidariedade, do comportamento correcto, do respeito pelos outros».

O episcopado apelava aos dirigentes para serem «os guardiães do verdadeiro sentido do “jogo”, façam uma gestão equilibrada das instituições e estruturas a que presidem, promovam a verdade desportiva, fomentem o respeito pelas instituições, atuem com transparência; que, como educadores, procurem inculcar uma cultura dos valores elevados, como a lealdade, a amizade, a tolerância, e o respeito pela verdade; que rejeitem e denunciem a mentira, os negócios nebulosos, a agressividade, o desrespeito pelo adversário».



«Da forma como se escreveu a história do desporto, chegou-se a pensar que a Igreja católica teve um ponto de vista negativo sobre o desporto e o seu impacto, especialmente durante a Idade Média e na primeira parte da Idade Moderna»



«Que o desporto não seja um fator de conflito ou de divisão nas famílias ou um obstáculo para o encontro, a partilha e a solidariedade familiar; que o futebol não seja um fator de alienação, que faça esquecer as responsabilidades que cada um tem para com Deus e para com os outros», conclui a nota pastoral.

Esta sexta-feira, o Vaticano publicou um documento inédito sobre a perspetiva cristã do desporto e a pessoa humana, a que deu o nome “Dar o melhor de si”.

«Da forma como se escreveu a história do desporto, chegou-se a pensar que a Igreja católica teve um ponto de vista negativo sobre o desporto e o seu impacto, especialmente durante a Idade Média e na primeira parte da Idade Moderna, devido às posturas negativas de alguns católicos em relação ao corpo. Esta tendência negativa, todavia, baseia-se numa má interpretação da postura católica em relação ao corpo durante esses períodos e esquece a influência positiva das tradições educativas, teológicas e espirituais católicas referentes ao desporto, valorizando-o a pleno título do ponto de vista cultural», acentua o texto.

A Jornada Nacional da Pastoral da Cultura centra-se no significado antropológico e nas atuais conexões socioculturais do Desporto - poética e ética do corpo e do espírito, poderes e desvios da irradiação social (negócio, corrupção, alienação, etc.). Os conferencistas refletirão também sobre a possibilidade de atualização da perspetiva cristã do ideal humanista de "mens sana in corpore sano" (mente sã em corpo são).

Durante a manhã estão previstas as intervenções do selecionador de râguebi Tomaz Morais, do apresentador de televisão e comentador desportivo Jorge Gabriel e do P. Ismael Teixeira, o “iron priest”.

O curador Paulo Pires do Vale, a antiga campeã mundial de canoagem Beatriz Gomes, o jornalista e comentador desportivo Ribeiro Cristóvão e o escritor Gonçalo M. Tavares são os convidados da tarde, que terminará com a entrega do prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes ao ator Ruy de Carvalho.


 

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