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Bispo, ex-árbitro de futebol, comenta Euro 2016: «Espero que vença quem não se espera»

Imagem Logótipo do Euro 2016 | D.R.

Bispo, ex-árbitro de futebol, comenta Euro 2016: «Espero que vença quem não se espera»

O bispo da diocese francesa de Rouen, que de 1985 a 1998, foi árbitro oficial de futebol, espera que o campeonato europeu da modalidade, que começa hoje em França, seja ganho por uma seleção nacional em quem não se aposta.

O evento, que se inicia às 20h00 com o jogo entre o país anfitrião e a Roménia, será o mais blindado da história da modalidade: 77 mil agentes estão mobilizados para garantir a segurança de adeptos e equipas.

Em 2015 a França foi atingida por atentados em janeiro e novembro, mês este em que os terroristas chegaram ao Stade de France, o estádio onde hoje decorre o desafio inaugural.

A entrevista a D. Domique Lebrun, que irá ver, ao vivo, o primeiro jogo da seleção portuguesa, com a Islândia, marcado para esta terça-feira, às 20h00.

A França parte em vantagem. Qual é a sua opinião?
Em vantagem? Não sei se é a palavra justa. Quando se joga em casa é normal que haja um incentivo extra. Mas não creio que sejamos uma equipa capaz de vencer este Europeu. Mesmo se no desporto há sempre surpresas, factores humanos que não se podem prever.

Irá ver alguns jogos nos estádios?
Reservei os bilhetes para ver o Portugal-Islândia, em Saint-Étienne. Escolhi esta partida pela simples razão de que, quando fiz a reserva, ainda era bispo de Saint-Étienne, mas depois o papa transferiu-me para Rouen e fê-lo sem me perguntar se já tinha comprado bilhetes.

Qual é o desejo que deseja lançar para este Euro 2016?
Estes acontecimentos desportivos, mesmo a alto nível, são sempre ocasião de encontros nas cidades entre delegações de diversas equipas e adeptos de várias nações da Europa. São sempre momentos de festa e de alegria, mesmo se o momento é difícil, em França, por causa do duplo atentado e a questão da segurança. É um clima que não podemos colocar de parte.

Como é que as pessoas estão a reagir perante a incrível mobilização da polícia e os alertas de atentados?
Percebe-se claramente que as pessoas não desistem. As pessoas irão aos estádios e estão inclusivamente dispostas a ir às zonas que foram preparadas nas cidades para os ajuntamentos diante dos grandes ecrãs. Por isso as pessoas participarão. Porque o fazem? Não saberei dizer com precisão. Talvez porque a paixão pelo futebol é mais forte do que o medo. Mas acredito também que haja a vontade de manifestar que não queremos ser detidos por aqueles horrores.

E aos jogadores, que deseja dizer?
A melhor coisa seria que os jogadores que vivem um momento de competição em campo o façam de maneira pacífica. Gostaríamos que neste Europeu houvesse menos cartões amarelos e vermelhos. Seria o recorde que nos daria mais gosto. Há uma aversão por este mundo que as pessoas percecionam como estando cheio de dinheiro. É seguramente um mundo que precisa de uma nova fundação. Alguns clubes, como o Saint Étienne, optaram por não ir além de um certo nível de pagamento aos jogadores, mesmo sabendo muito bem que dessa forma não podem competir contra as grandes equipas. Mas não basta. É necessária uma refundação no próprio modo de jogar.

Porquê? O que é que se espera do futebol?
A sua mensagem está escrita no próprio jogo: o futebol joga-se em conjunto; tem-se necessidade do outro; respeita-se o árbitro que tem a função de fazer respeitar as regras; tem-se em conta os espetadores. E esta é também a vida da nossa Europa, em que ninguém pode jogar sozinho. O futebol, pois, é um desporto universal e aberto a todos: basta ter uma bola e marcar um encontro numa praça ou numa rua para jogar e fazer coisas muito belas, mesmo artisticamente. Maravilho-me sempre ao ver o que os jogadores são capazes de fazer. Devemos, portanto, procurar a união de todos sem esquecer ninguém.

Tem um prognóstico? Quem vencerá o Euro 2016?
Não, realmente não posso dizê-lo. Espero, no entanto, que vença quem não se espera.

 

In "SIR"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 10.06.2016

 

 
Imagem Logótipo do Euro 2016 | D.R.
A melhor coisa seria que os jogadores que vivem um momento de competição em campo o façam de maneira pacífica. Gostaríamos que neste Europeu houvesse menos cartões amarelos e vermelhos. Seria o recorde que nos daria mais gosto
O futebol joga-se em conjunto; tem-se necessidade do outro; respeita-se o árbitro que tem a função de fazer respeitar as regras; tem-se em conta os espetadores. E esta é também a vida da nossa Europa, em que ninguém pode jogar sozinho
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