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Biblioteca e arquivo do Vaticano desvelam «longa peregrinação» do ser humano pela história

D. José Tolentino Mendonça, bibliotecário e arquivista do Vaticano, considera que «o problema do homem contemporâneo é o drama de uma identidade desconhecida» e defende que «a grande crise entre as gerações» está na «transmissão».

O arcebispo sublinha que tanto a biblioteca como o arquivo guardam «tesouros que são luzes para a memória da Igreja, do cristianismo e da humanidade», nos quais se perceciona «a beleza da história humana».

«Muitas vezes tornamo-nos algo pessimistas em relação à humanidade, mas ao visitar estes lugares compreendemos o que é o homem, o que é um crente, o que é a história da Igreja, porque há uma procura do absoluto, da verdade, há uma bondade e um sopro de beleza que verdadeiramente nos salva», observa.

Dois meses depois de ter tomado posse, a 1 de setembro, o prelado, primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, fala do que sentiu ao ver de perto alguns dos «tesouros» à guarda das duas instituições da Santa Sé.

«Em primeiro lugar, o papiro Hanna 1, um dos documentos mais antigos que temos dos textos do Novo Testamento: ver este papiro foi para mim motivo de grande veneração porque penso na arduosidade dos cristãos das primeiríssimas gerações que tiveram a preocupação de transmitir ao futuro a sua fé, o sentido profundo de uma história que forçosamente tinham de partilhar», assinala.

Três perguntas ao responsável para quem a «mais bela» das preciosidades da biblioteca e do arquivo «são as pessoas, os estudantes».

 

De que modo estes ambientes podem dialogar com o mundo laico e também não crente, como imagina que se possa valorizar esta relação?

Eu tenho uma história pessoal que me ajuda. A minha primeira biblioteca foi a minha avó. Era analfabeta mas era uma representante da cultura oral, mantinha essa memória. Por isso, para mim, o amor pelas histórias e pelos livros é sempre o amor pela voz humana. No silêncio de uma biblioteca escutamos um coro de vozes humanas que dialogam entre elas mas procuram o absoluto, o sentido, o horizonte de Deus. E então toda esta montanha de livros, quilómetros e quilómetros de documentos, o que é? Uma longa peregrinação de homens e mulheres através da história. E isto está muito próximo do presente porque o homem de hoje é o mesmo. É um canto, um elogio desse mistério que é a pessoa humana.

 

Como seguiu as semanas do sínodo sobre os jovens?

O papa Francisco é um mestre de vida e ajuda-nos muito a compreender aquela que é hoje a grande crise entre as gerações: a crise da transmissão. Nós investimos tudo na educação. Ela é fundamental, mas só por isso não é suficiente, é preciso transmitir: ajudar cada um a tornar-se consciente de quem é nesta história. O papa diz-nos que a vida dos jovens é preciosa, di-lo como um pai. Tu carregas em ti a totalidade de uma história, és o meu herdeiro, e isto abre janelas de esperança.

 

Nem doutrinários nem ativistas, mas redescobrir a proximidade: esta foi uma das mensagem do papa na conclusão da assembleia…

O santo padre ilumina verdadeiramente a questão fundamental do presente da Igreja. Por causa do iluminismo, a teologia trabalhou sobretudo sobre a credibilidade intelectual e racional da fé, era essa a nossa principal preocupação. Mas deixámos um pouco para trás a procura de uma credibilidade existencial, que no mundo de hoje é fundamental.


 

Antonella Palermo
In Vatican News
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 01.11.2018

 

 
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